Sexualidade bem conduzida

é caminho de felicidade



Sexualidade bem conduzida

é caminho de felicidade

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Por Alberto Ameida

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Sexualidade. Assunto que desperta curiosidade em uns e é tabu para outros. Tema nem sempre tratado com o respeito e o bom senso ideais, apesar de ser função natural e valiosa para o ser humano como se infere da afirmação do orador espírita Alberto Almeida, descrita no título. Sobre a sexualidade, Almeida que profissionalmente é médico homeoata e terapeuta transpessoal em Belém (PA) conversou com o programa “O Espiritismo Responde”, na última visita a Maringá. Confira os principais trechos da entrevista.


Qual é a função do sexo na visão espírita?

Alberto Almeida: O sexo é expressão da energia que o espírito traz e que atende necessidades específicas como a reprodução, viabilizando a reencarnação e a troca de energias entre os parceiros que se relacionam conjugalmente. A energia sexual pode ser canalizada para outras formas criativas no campo do trabalho, da cultura, da beneficência, da acessibilidade e do bem comum. O ato da mãe ou do pai que afagam a criança envolvendo-a em atitude terna e amorosa, por exemplo, tem conteúdo de energia sexual. Quando trabalhamos essa energia na horizontalidade das novas relações, não a circunscrevendo a manifestação genitálica no relacionamento conjugal, mas ampliando para os filhos, para os amigos, para os companheiros do trabalho e dentro de uma perspectiva de interação emocional, afetiva, dentro de um idealismo, dentro de uma postura produtiva utilizamos a energia que é sexual, mas não é genital.


Por que o sexo ainda está tão relacionado ao pecado?

Alméida: A visão ancestral, teológica recriminou a sexualidade. Criou relação preconceituosa a respeito do sexo, associando-o com a porta de acesso ao inferno. Essa posição se contrapõe com a espontaneidade do sexo, que é tão divina quanto são os olhos, a boca, a capacidade da memória, já que tudo no ser humano é divino, inclusive, o sexo. Por conta da grande negação dessa sexualidade, criamos muitos distúrbios que são manifestações profundamente deformantes dessa pulsão, que nos fazem escorregar para a pedofilia, desejos múltiplos, posições promíscuas, buscarmos o estabelecimento da poligamia, apresentarmos uma anestesia da sexualidade e outros conflitos mais graves que envolvem processos psicopatológicos. São desequilíbrios causados pela falta de conhecer-se e de permitir-se trabalhar a sua sexualidade dentro dos dispositivos da função para a qual ela existe.


E quanto ao estímulo atual pela busca do prazer sexual?

Almeida: Em a humanidade, quando rompemos de um extremo, é natural fazermos movimento pendular e alcançarmos o outro extremo. A sociedade vive exatamente esse momento a partir das décadas de 1960 e 1970, quando a visão de obscurantismo foi rompida e, por falta de balizamento ético para se propor relação da sexualidade mais espontânea e equilibrada, ocorreu a banalização e vulgarização da sexualidade. O sexo foi reduzido à atividade corpórea e transformado em objeto da libertinagem. A posição espírita, já conseguia ao tempo do codificador Allan Kardec, e ao longo de todo século passado, apresentar algumas posições que fazem da sexualidade um caminho de felicidade como a necessidade de o sexo ser exercido com respeito, disciplina, responsabilidade e com profundo amor. Conclusões as quais, atualmente, chegam os sexólogos da sexualidade.


Qual é a melhor maneira dos pais lidarem com os filhos em relação à sexualidade?

Almeida: Tratando com naturalidade e trabalhando seus próprios preconceitos. A dificuldade não está nos filhos, está nos adultos que não têm liberdade interior para abordar o sexo dentro da seriedade, da beleza e da leveza que o entretém como parte da personalidade do ser. Ao conversar com a criança, os pais devem dar a visão informativa do sexo, por exemplo, se referindo ao órgão sexual com a denominação que a biologia consagrou como vulva, pênis, vagina, bolsa escrotal, glande e evitando os apelidos. Também é importante a formação educativa, que estabeleça critérios éticos para auxiliar Os jovens a manejar sua sexualidade numa performance de profundidade, de seriedade e de profunda coerência com a ética. É preciso ter muita atenção porque a maioria de nós somos espíritos que fraquejamos em outras vidas na área da sexualidade e trazemos muitas pulsões e inclinações que são tendências equivocadas. Se você não trabalha o sexo adequadamente hoje, ele irrompe amanhã, exigindo reeducação.


Como agir para ter uma sexualidade saudável e feliz?

Almeida: É preciso ampliar nossa capacidade de amar a cada dia. Ter profundo respeito por si mesmo para poder respeitar o outro e assumir uma dinâmica de controle sobre os seus impulsos, valorizando a posição da disciplina como atitude norteadora da utilização da sua energia sexual. É necessário evitar a promiscuidade e atitudes que levem à sexualidade somente física. Deve-se descartar posturas que são apenas de consumo como as que se estabelecem em relações com pessoas desconhecidas, após o encontro numa boate ou semialcoolizado. Nesses casos há encontro sexual, mas desencontro de almas e um vale-se do outro como se fosse objeto. Distanciar-se, portanto, dessas posições. e assumir dinâmica que envolva amor e educação, fundamentalmente, em todas as interações emocionais e afetivas.


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