ALMA SERENA – POEMA

FOTO DE HOJE NA

CASA DOS HUMILDES

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ALMA SERENA


Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.


Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.


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Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.


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Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.


Fernanda de Castro, in “Ronda das Horas Lentas”

Foto de carlos A. de Carvalho


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