O pai de Abdolah Hosseinzadeh retira a corda do pescoço do assassino de seu filho, momentos antes de sua execução


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O iraniano Balal, que seria enforcado na quarta-feira (16) após ser condenado pelo assassinato do jovem Abdolah Hosseinzadeh, foi literalmente retirado da forca pela família de sua vítima, momentos antes de sua execução na cidade de Nowshahr.

Segundo informações do jornal britânico “The Guardian”, Hosseinzadeh foi morto a facadas por Balal sete anos atrás, durante uma briga de rua na cidade de Royan, no norte do Irã. Ele tinha 18 anos.

De acordo com a sharia, conjunto de leis que regem as sociedades islâmicas, a família da vítima participava da punição de Balal, devendo empurrar a cadeira na qual o condenado estava em pé, aguardando o enforcamento.

Mas, contrariando as expectativas do público que assistia à execução, a mãe do jovem assassinado deu um tapa no rosto de Balal e então decidiu poupar sua vida. O pai de Hosseinzadeh então retirou a corda do pescoço do assassino. Em seguida, a mãe de Balal e a mãe da vítima se abraçaram em lágrimas.

A sequência de acontecimentos foi registrada por um fotógrafo da agência de notícias semioficial iraniana Isna. 

“Três dias atrás, minha mulher viu nosso filho mais velho em um sonho, dizendo que estava em um bom lugar e que ela não deveria retaliar… Isso acalmou minha mulher e nós decidimos pensar mais um pouco até o dia da execução”, explicou o pai  de Hosseinzadeh, Abdolghani Hosseinzadeh, ao “The Guardian”.

Ainda segundo o jornal britânico, o fato de ter sido perdoado pela família de sua vítima não quer dizer que Balal foi libertado, já que a família não pode decidir sobre sua sentença na prisão.

Nos últimos anos, o Irã tem enfrentado críticas por parte de ativistas dos direitos humanos devido ao número de condenações à pena de morte no país, um dos mais altos em todo o mundo. Informações da ONG Anistia Internacional indicam que até a semana passada, 199 pessoas foram executadas no país este ano, quase duas por dia. Em 2013, o Irã e o Iraque foram responsáveis por dois terços de todas as execuções no mundo, excluindo a China, país que mais aplica a pena de morte.