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Nos ensinamentos da evangelização cristã, quando se articula e sistematiza o histórico da trajetória de Jesus sobre a Terra é apresentado como justificativa deste evento a narrativa do evangelho de João (3:16) que diz que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Ao receber esses ensinamentos na infância passamos por um momento de perturbação interpretativa tentando compreender sobre pelo menos dois pontos desta narrativa: 1. Deus tinha um único filho que vivia com ele, esse filho existia espiritualmente e/ou materialmente. Entretanto, Deus amou mais o mundo com as criaturas que não eram seus filhos. Uma vez que, de acordo com a interpretação dos escritos bíblicos Jesus era o filho único de Deus. 2. Sendo eu também criatura de Deus, por que fui criada assim com tantas imperfeições? Por que Deus não me criou igual a Jesus? E assim como descreve o apostolo Paulo “acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo” (ROMANOS 7:21).

Sobre essas duas reflexões e entre outros inúmeros casos descritos na bíblia, necessitamos admitir que atualmente com o grau de inteligência e compreensão de alguns habitantes da Terra, não se torna mais racional esconder nossas mais íntimas indagações. Isso por que, ou questiona-se para poder realmente compreender e fortalecer a conexão com Deus, ou caímos no temor primitivo do não questionamento nutrindo inconscientemente a descrença íntima.

Então, atendendo a perspectiva da busca de respostas as nossas indagações, os ensinamentos da espiritualidade superior surgem como revelação permitida por Deus. Sendo assim, o espiritismo não vem destruir as concepções cristãs apresentadas à humanidade, mas esclarecer o que se fez oculto e explicar o que não pôde ser compreendido antes. Desta forma, a Doutrina Espirita é considerada a sequência da execução dos planos evolutivos para humanidade terrena, ao nos conceder a chave para decifrar as questões que julgávamos irrespondíveis.

Para tanto, ao submetermos nossas indagações aos ensinamentos da Doutrina Espirita temos como primeira direção de resposta, o alerta da Espiritualidade Superior quando nos indica que: “na procura dos mistérios, que nos são permitidos sondar, pelo raciocínio, há um critério certo, um guia infalível; São os atributos de Deus”. Se nossa razão nos diz que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, esses atributos devem sempre guiar a lógica das questões contraditórias que permeiam nossas existências (KARDEC, 2008 p.23).

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Assim, na busca do entendimento sobre Jesus, um espirito puro encarnado na terra temos como primeiro critério de compreensão o atributo que nos diz que Deus é soberanamente justo e bom. Neste sentido, ao nos reportarmos a questão 80 do Livro dos Espíritos obtemos a revelação que Deus não cessou jamais de criar sendo a criação dos espíritos uma ação permanente. Se Deus nunca cessou de criar, quer dizer que o número das criaturas feitas por ele é imensurável. Mas, por que só Jesus seria considerado seu filho? 

Para esse questionamento, o próprio Jesus nos respondeu quando disse que “aquele que fizer a vontade de meu pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (MATHEUS, 12:50).

Jesus deixa claro nesta narrativa que os espíritos criados por Deus para poder fazer parte de sua família espiritual, primeiro necessita fazer a vontade de Deus, vontades que o próprio Jesus resumiu em dois mandamentos: “Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (MATHEUS, 22: 37,39).

Para refletirmos a justiça de Deus com todos os espíritos, temos que admitir que dos espíritos que conhecemos que possuem alguma ligação com o planeta Terra, Jesus foi quem cumpriu as Leis de Deus. Por esta razão, a espiritualidade confirma na questão 625 do Livro dos Espíritos que: “Jesus é para o homem o modelo da perfeição moral que a humanidade pode pretender sobre a terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, por que ele estava animado de um espirito divino e foi o ser mais puro que apareceu sobre a terra”.

Entretanto, a lógica nos diz que para cumprir as leis de Deus o espírito necessita ter oportunidades de existências para fazê-las. E como sabemos que Deus é soberanamente justo, temos que reconhecer que ele nos concede as mesmas oportunidades dadas a Jesus. Então, ao utilizarmos a consequência lógica de raciocínio temos que admitir que, Jesus passou pelas mesmas experiências de evolução moral e intelectual das quais estamos submetidos. Em quais tempos? E em quais das muitas moradas do pai? Esses são mistérios que um dia talvez nos sejam permitidos conhecer.

Para tanto, Allan Kardec, no Livro dos Espíritos na questão 133 indaga a espiritualidade, se os espíritos que, desde o principio, seguiram o caminho do bem tem necessidade da encarnação? Recebe assim a seguinte revelação: “Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes e se instruem através das lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não poderia fazer a alguns felizes, sem dificuldades e sem trabalhos e, por conseguinte sem mérito”.

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A espiritualidade nos revela que, sendo Jesus o ser mais puro que apareceu na Terra, suas qualidades e atributos foram conquistados por mérito, através das mesmas experiências das quais hoje nos são concedidas.

Por esta razão, o conselho de Jesus em João (16:33) quando nos diz: Tendes bom ânimo eu venci o mundo! Pode ter uma dimensão interpretativa mais profunda da qual costumamos empregar. Nesta narrativa, podemos também compreender que Jesus venceu todas as vicissitudes, todas as provas, todas as mazelas da vida material chegando assim, a categoria de espírito puro.

De acordo com os ensinamentos da Doutrina Espirita, os espíritos puros são espíritos que percorreram toda a trajetória de evolução espiritual. Despojaram-se de toda influência da matéria e alcançaram a máxima superioridade intelectual e moral, diante da pobreza dos vocábulos humanos para descrevê-los, só nos resta dizer que são espíritos que atingiram a perfeição. São espíritos que não estão mais sujeitos a reencarnação tendo cumprido todas as provas e expiações postas em suas existências (KARDEC, 2008).

Vivem a verdadeira vida ao lado de Deus, pois conquistaram esse direito. São os cooperadores da harmonia universal, cumprem todas as ordens do pai celestial comandam e guiam todos os espíritos que lhes são confiados. Assim é a missão do Mestre Jesus no planeta Terra. Nesta perspectiva, as instruções dos espíritos nos revelam os caracteres do verdadeiro profeta:

[….] Em todas as coisas, o mestre há de sempre saber mais do que o discípulo; para fazer que a humanidade avance moralmente e intelectualmente, são precisos homens superiores em inteligência e moralidade. Por isso, para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados , que fizeram suas provas noutras existências, visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm de atuar, nula lhes resultaria a ação […]  (KARDEC, 2009 p.344).

É na superioridade intelectual e moral de Jesus, que podemos encontrar as respostas das quais procuramos o entendimento racional. Para tanto, basta-nos refletirmos: A superioridade intelectual nos revela que dentre os gênios, cientistas, filósofos e sábios que passaram pela Terra, Jesus possui superioridade intelectual sobre todos eles. Pensemos em Issac Newton, Leonardo da Vinci, Aristóteles, Galileu, Albert Einstein entre outros nomes da atualidade que julgamos serem personalidades dotadas de um intelecto incomum.

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A sapiência de Jesus nos revela o domínio sobre as ciências terrenas, sobre os átomos, o magnetismo, a física, a química, a astronomia entre outras. Além de todos os Reinos dos Seres Vivos da Terra (animal, vegetal, protista e moneras). Ou seja, o que a humanidade ainda busca descobrir Jesus já o sabe, pensemos na maior tecnologia da atualidade e consideremos que no tempo da encarnação de Jesus na Terra ele já conhecia.

Já a superioridade moral de Jesus está expressa nos ensinamentos e exemplos de elevada ordem moral. Exemplos deixados como modelo a ser seguido. Assim como nos alertou o apostolo Paulo na carta aos Coríntios (11:1) “sigam o meu exemplo como eu sigo o exemplo de Cristo”.

A autoridade de expulsar espíritos ao que a cultura da época nomeava de demônios reforça a característica da superioridade moral de Jesus. Ao que a espiritualidade revela no Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo (28:81), “nos casos de obsessão grave… Faz-se também necessário, e acima de tudo, agir sobre o ser inteligente, com o qual se deve falar com autoridade, sendo que essa autoridade só é dada pela superioridade moral. Quanto maior for essa, tanto maior será a autoridade”.

Outra reflexão a fazer é sobre a constituição do corpo físico e perispiritual de Jesus. Possuímos hoje o conhecimento de toda a preparação do corpo físico de um ser que irá encarnar. Sabemos que a mediunidade é orgânica e que o corpo humano é preparado previamente com os dispositivos necessários para a comunicação com os dois planos. Sabemos que a fragilidade orgânica e a predisposição para determinadas doenças foram registradas em nosso mapa genético desde o planejamento no mundo espiritual[1].

Então, se nós criaturas inferiores possuímos a grandeza do planejamento da constituição orgânica do nosso corpo, mesmo quando não estamos maduros suficientes para fazê-lo obtemos o auxilio de um tutor que certamente planeja o melhor para as nossas provas. O que dizer então da constituição do corpo material de Jesus?  

[1] Ver mais sobre isto em: Francisco Cândido Xavier – Missionários da Luz – pelo Espírito André Luiz. 2. Coleção. “A Vida no Mundo Espiritual”. Capitulo 12. Preparação de experiências. 

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Allan Kardec (2008 p.202) no Capitulo XV do Livro A Gênese intenta sobre a superioridade da natureza de Jesus: “Como homem, tinha a organização dos seres carnais; mas como Espírito puro, desligado da matéria, deveria viver a vida espiritual mais do que a vida corpórea, da qual não tinha fraquezas”. O fato é que a nossa inferioridade nos impede de compreender aquilo que não temos parâmetro de comparação.

Então, se nos faltam recursos para o entendimento de Jesus por comparação, pobremente ousamos pensar em um diamante que se vestiu momentaneamente do pó terrestre para se igualar aos que ainda se encontram embrutecidos na matéria. Sendo assim, “a superioridade de Jesus sobre os homens não se prendia ás particularidades de seu corpo, mas de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta, e à de seu perispírito, haurida na parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres”. Tendo o proposito de conduzir toda a humanidade a caminho da perfeição. Sendo grande se fez pequeno entre seus confiados, por assim possuir o desejo incessante de fazer o bem.

Em oração revela ter cumprido a missão que Deus o confiou, bem como o planejamento evolutivo consolidado antes da formação do planeta que nos foi preparado.

Eu te glorifiquei na terra, conclui a obra que me encarregaste realizar. E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e guardaram a tua palavra. Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, por que as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, por que são teus, e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. Já não estou no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós (JOÃO 17:4-1, grifo nosso).

Pensar num espírito puro que trabalhou pelo seu adiantamento, lutou as batalhas das vidas sucessivas, integralizando o bem e o amor como parte constituinte de seu ser. Visualizar o amor a Deus e ao próximo revelado em sua ação maior em não refutar-se da cooperação, para que todos possam chegar ao mesmo ponto que ele se encontra. Eis que os ensinamentos nos respondem que a superioridade de Jesus é conquista de seus méritos e não privilégio concedido pelo criador.  

(Inspirado no Filme: Nos Passos do Mestre)

Referencias

Allan Kardec. A Gênese – Os milagres e as predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, Revisão de Elias Barbosa. Araras, SP. IDE, 53 ª. Edição, 2008.

________. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro da 3ª. Edição francesa, revista e modificada pelo autor em 1866. 25ª edição de bolso. 2009.

________.O Livro dos Espíritos: Tradução de Salvador Gentile, Revisão de Elias Barbosa. Araras, SP. IDE, 177 ª. Edição, 2008. 352 p.

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* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE DE

BRUNO TAVARES

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elis Elisangela Gusmão 

Pesquisadora da Doutrina Espirita, trabalhadora da Associação Espírita Casa dos Humildes, Recife-PE.
Mestra em Extenção Rural e Desenvolvimento Local pela UFRPE.

Articulista titular do Blog do Bruno Tavares.
Email: elisgus@gmail.com 

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, leiam aqui  o artigo maravilhoso da minha querida amiga Elisinha, Elis Gusmão, trabalhadora da nossa querida Casa dos Humildes. Elisinha mais uma vez e de forma maravilhosamente lúcida, escreveu mais um artigo para o nosso blog e dessa vez sobre um tema difícil, complexo e arrebatador, a natureza desse espírito puro chamado Jesus. Mas meus queridos irmãos e amigos, Elisinha deu-nos um presente nesse monumento de lógica e concisão que é seu texto, um presente porque ela guiou-se pela bússola norteadora infalível da codificação kardequiana, não se afastando em nenhum momento sequer de seus postulados, daí este artigo tão belissimamente escrito!

Jesus abençoe a ti Elisinha e te cubra de bençãos nessa caminhada que prossegue, agora, ao teu espiritozinho. Sê feliz! 

Bruno Tavares

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