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“[…] o que queremos, antes de tudo, é o triunfo da verdade, de qualquer parte que venha, não tenho a pretensão de ter sozinho a luz; […].” (KARDEC)

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Introdução Mais uma vez vamos tentar oferecer elementos tomados exclusivamente das obras publicadas por Kardec, para ajudar na resolução da polêmica que se instalou no Movimento Espírita Brasileiro, sobre a questão de quem, de fato, é, na Codificação Espírita, o personagem que assinou como Espírito de Verdade.

Percebemos a existência de duas correntes; a primeira delas sustenta que se trata de João Batista e a segunda que é o próprio Jesus.

É certo que muitas das coisas que aqui traremos já foram ditas em algum de nossos textos; mas, como quase todos são longos, parece-nos que os pontos importantes ficaram perdidos no meio deles (1 ).

Reafirmamos, pela enésima vez, que não temos a intenção de forçar ninguém a crer na opção que nós adotamos; fruto de pesquisa criteriosa não se trata, portanto, de achismo de nossa parte. Inclusive, existe uma outra pesquisa intitulada “32 evidências de ser Jesus o Espírito de Verdade”, de autoria do confrade Washington Fernandes (2 ), que aponta exatamente para o mesmo resultado que o nosso.

Por derradeiro, fazemos nossas essas considerações de Kardec:

Cada um é livre para encarar as coisas à sua maneira, e nós, que reclamamos essa liberdade para nós, não podemos recusá-la aos outros. Mas, do fato de que uma opinião seja livre, não se segue que não se possa discuti-la, examinar-lhe o forte e o fraco, pesar-lhe as vantagens ou os inconvenientes. (3 )

É bom esclarecermos que todos os nossos textos são revisados por companheiros espíritas estudiosos da doutrina. Fazemos isso com o objetivo de manter-nos estritamente dentro de uma linha de pesquisa acadêmica; são eles verdadeiros “filtros”. E, quanto mais polêmico o assunto, maior número de amigos têm oportunidade de opinar.

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1 Após as referências bibliográficas, veja “Artigos recomendados” onde estão os links que remetem a eles. 2 FERNANDES, 32 Evidências de ser Jesus o Espírito de Verdade e as respostas para os sete argumentos dos negadores. In. Anuário Espírita 2008, Araras, SP: IDE, 2008, p. 51-62. 3 KARDEC, Revista Espírita 1866, p. 5.

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1ª possibilidade: João Batista

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Na Revista Espírita 1860, em que se relata a leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 5 de outubro de 1860, encontramos o seguinte:

Um outro Espírito se comunica espontaneamente através da Srta. J…; por sua extrema suavidade, por sua escrita bem-posta, correta e quase moldada, que contrasta de maneira tão notável com a escrita entrecortada, angulosa e impaciente de N…, a médium crê reconhecer João-Batista, que várias vezes assim se manifestou. Ele fala da eficácia da prece e lembra as profecias do Apocalipse, que hoje encontram sua aplicação. (grifo nosso) (4 )

Aqui temos a informação de que o Espírito João Batista se manifestava nas reuniões da Sociedade Espírita de Paris, embora não tenhamos localizado nenhuma de suas mensagens; ao que parece não se preocupou em registrá-las na Revista Espírita.

Ainda que não seja de todo impossível, mas nos é bastante estranho que, por várias vezes, um Espírito se manifeste, num mesmo local, cada vez utilizando-se de seus personagens anteriores.

Na Revista Espírita 1862, temos informação de que o Espírito de João Batista foi o guia protetor espiritual da Sociedade Espírita de Saint-Jean d’Angély, onde sempre se manifestava por evocação de seus membros. (5 )

Em novembro 1862, ainda nessa obra, no artigo “Os mistérios da Torre SaintMichel de Bordeuax” (6 ), no qual temos relatado perguntas, e respectivas respostas, ao Espírito Guilhaume Remone (grande parte delas), à sua mulher e, por fim, a São João Batista.

Guilhaume, respondendo à pergunta sobre onde se encontrava a sua mulher, disse: “Não sei o que ela se tornou, mas vos será fácil disso se informar, junto de vosso guia espiritual, São João Batista.” (grifo nosso) (7 )

As perguntas dirigidas a São João Batista, guia espiritual, foram: 29 a 35, 40 a 45, 56 e 83 a 84.

É oportuno lermos um trecho da nota que Kardec apõe finalizando o artigo:

Não existe seguramente nenhum meio material de constatar a identidade dos Espíritos que se manifestaram nas evocações acima, também não o afirmaremos de maneira absoluta. Fazemos esta reserva para aqueles que creem que aceitamos cegamente tudo o que vem dos Espíritos; pecamos antes por um excesso de desconfiança; é que é preciso se guardar de dar

4 KARDEC, Revista Espírita 1860, p. 332. 5 KARDEC. Revista Espírita 1862, p. 327-328. 6 KARDEC, Revista Espírita 1862, p. 323-335. 7 KARDEC. Revista Espírita 1862, p. 327.

como verdade absoluta o que não pode ser controlado; ora, na ausência de provas positivas, é preciso se limitar a constatar a possibilidade e procurar as provas morais à falta de provas físicas. No fato do qual se trata, as respostas têm um caráter evidente de probabilidade e sobretudo de alta moralidade; ali não se vê nenhuma dessas contradições, nenhuma dessas faltas de lógica que chocam o bom senso e revelam a fraude; tudo se liga e se encadeia perfeitamente, tudo concorda com o que a experiência já mostrou; pode-se, pois, dizer que a história é ao menos verossímil, o que já é muito. O que é certo, é que esse não é um romance inventado por homens, mas bem uma obra mediúnica; se fosse uma fantasia do Espírito, não poderia vir senão de um Espírito leviano, porque os Espíritos sérios não se divertem em fazer contos, e os Espíritos levianos deixam sempre descobrir seu verdadeiro caráter. Acrescentamos que a Sociedade Espírita de Saint-Jean d’Angely é um dos centros mais sérios e dos melhores dirigidos que vimos, e que ela não está composta senão de pessoas tão recomendáveis pelo seu caráter como pelo seu saber, levando mesmo, podendo-se dizer, o escrúpulo a um excesso; pode ela ser julgada pela sabedoria e pelo método com os quais as perguntas foram colocadas e formuladas; também todas as comunicações que ali são obtidas atestam a superioridade dos Espíritos que se manifestam. As evocações acima, pois, foram feitas em excelentes condições, tanto pelo meio como pela natureza dos médiuns; é, pelo menos para nós, uma garantia de sinceridade absoluta. Não acrescentaremos senão que a veracidade desse relato nos foi atestada da maneira mais explícita por vários dos melhores médiuns da Sociedade de Paris. […].

A. K. (8 )

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Em meio à confirmação das mensagens do artigo, Kardec coloca algo que tem sido esquecido por muitos espíritas, que é o fato de se aceitar cegamente tudo que vem dos Espíritos, ao que acrescentaríamos: e de Espíritas que se destacam pela produção mediúnica ou como expositores renomados.

Tendo a Sociedade Espírita de Saint-Jean d’Angely como guia e protetor João Batista, então, a coisa torna-se mais estranha, ainda, pois o Espírito de Verdade, na condição de presidente de todos os Espíritos envolvidos na Codificação (9 ), deixa de ser o protetor da Sociedade Espírita de Paris, envolvida diretamente no estudo dos fenômenos espíritas, e cujo guia era o Espírito São Luís, para sê-lo de um centro espírita na cidade de Saint-Jean D’Angely, que, embora respeitável, não tinha a mesma função da de Paris…

Teríamos aqui, uma espécie de dupla personalidade, ou seja, na Sociedade Espírita de Paris o Espírito João Batista se manifestava como o Espírito de Verdade, enquanto que na de Saint-Jean d’Angely como o personagem João?…

No Evangelho Segundo Mateus, encontramos essa significativa fala de Jesus a respeito do precursor: “Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém

8 KARDEC, Revista Espírita 1862, p. 335. 9 KARDEC, A Gênese, p. 32; KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 100. 4

apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.” (Mt 11,11). Por que estamos trazendo isso? É que também nos parece estranho que um Espírito, nessa condição evolutiva que Jesus o coloca, tenha presidido todos estes nomes:

Afonso de Liguori, Arago, Benjamim Franklin, Channing, Chateaubriand, Delphine de Girardin, Emmanuel, Erasto, Fénelon, Francisco Xavier, Galileu Galilei, Hahnemann, Henri Heine, Rousseau, Joana d’Arc, João Evangelista, Lacordaire, Lamennais, Lázaro, Massillon, Pascal, Paulo de Tarso, Platão, Sanson, Santo Agostinho, São Bento, São Luís, Sócrates, Swedenborg, Timóteo, Joana de Angelis (um Espírito amigo), Cura D’Ars, Vicente de Paulo, Adolfo (bispo de Argel), Dr. Barry, Cárita, Dufêtre (bispo de Nevers), François (de Génève), Isabel (de França), Jean Reynaud, João (bispo de Bordéus), Julio Olivier, Morlot e V. Monod. (10)

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2ª possibilidade: Jesus

(No próximo artigo)

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* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE 
DE BRUNO TAVARES

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pauloneto  Paulo Neto

É natural de Guanhães, MG. 

Bacharel em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas pela Universidade Católica-MG (PUC-BH). Aposentou-se como Fiscal de Tributos pela Secretaria da Fazenda-MG. 

Adepto do Espiritismo desde Julho/1987; atualmente frequenta o Movimento Espírita em Belo Horizonte, MG. 

É articulista de alguns periódicos espíritas, entre eles, pode-se citar, a Revista Espiritismo & Ciência, com vários artigos publicados. E agora, também, articulista deste Blog.

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brunooyellow Meus queridos amigos e irmãos, eis aqui um artigo excelente, oportuno e necessário do querido amigo e  escritor espírita Paulo Neto, sobre a questão do Espírito de Verdade ter sido quem, afinal de contas. Já publicamos uma palestra notável de Cosme Massi sobre a mesma temática, mas aqui o querido Paulo lança mais luz ainda nessa questão para muitos, não para nós, controversa, pois estamos com a linha de raciocínio desenvolvida pelo Paulo. Conversei com o querido articulista e acertamos para a publicação de seus artigos em nosso Blog, o que será um prazer e uma honra desabrida.

Que Jesus abençoe a ti Paulo por, desassombradamente, tocares em questões que a maioria prefere calar, deixando as mistificações sem respostas. Você não Paulo, no sagrado direito do contraditório vem e lança luz na obscuridade de certas aberrações!

  • Paulo Neto é o autor da obra fantástica: Kardec e Chico – 2 Missionários, sobre a questão absurda do Chico ter sido Kardec (A capa desta obra está logo aqui abaixo)

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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