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Para as pessoas normais o carnaval é uma festa propícia à afetividade, pois permite e provoca uma saudável liberação de alegria e do bem estar.

 Entretanto, para as pessoas predispostas ou mentalmente anormais ele se constitui em perigosa oportunidade de extravasamento de descargas patológicas, ou se transforma num período excitante capaz de por em marcha uma reação neurótica ou uma psicose latente.

Analisando o Carnaval como época propiciadora dos impulsos patológicos, podemos citar algumas anormalidades frequentemente observadas nessa época, e que servem de material à crônica policial. É assim que verificamos certas personalidades psicopáticas que carregam em si mesmas o desejo sádico de martirizar e fazer sofrer as outras pessoas, e se utilizam drogas cáusticas de grande poder corrosivo para cegar ou deformar os seus semelhantes que se acham entregues a uma sadia alegria.

Observamos também que todos aqueles doentes portadores de taras sexuais inconfessáveis se aproveitam da oportunidade do Carnaval, para descarregar os seus condenáveis impulsos. Sádicos estupradores se aproveitam da oportunidade para embriagar suas vítimas e obter a satisfação de instintos bestiais. Psicopatas sexuais com exclusiva inclinação para crianças agem furtivamente realizando seus intentos. Exibicionistas, frequentemente débeis mentais ou dementados encontram no Carnaval  a possibilidade de descarregar suas manifestações mórbidas. Esquizofrênicos crônicos que escolhem as mais estranhas e bizarras atitudes para exibir as suas anormalidades. Epiléticos excitados pelos ruídos e pelas luzes perdem o controle de seus atos tornando-se perigosos e terrivelmente agressivos. Toxicomaníacos de todas as categorias fazendo uso excessivo do álcool, maconha ou éter penetram nas sombras da anormalidade mental e como verdadeiros loucos extravasam seus impulsos e instintos causando os maiores sofrimentos à coletividade que se diverte. Personalidades psicopáticas em seus diferentes matizes se aproveitam da oportunidade para descarregar as maquinações de suas mentes doentias.

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Além dessas manifestações patológicas de psicopatas definidos, o Carnaval se pode constituir em um período prejudicial à saúde mental daqueles que são portadores de neuroses ou de psicoses latentes.

E é exatamente por esse motivo que após o Carnaval assistimos um aumento considerável na densidade de população dos hospitais psiquiátricos.

Durante os festejos desse período do ano, inúmeras pessoas debilitadas por uma má alimentação ou por um doença orgânica qualquer se excedem em bebidas alcoólicas e se extenuam fisicamente ao dançar horas seguidas, precipitando-se num total desequilíbrio nervoso.

Outras atingidas por dramas psicológicos consequentes à facilitação geral em que se vêem envolvidas sucumbem após o Carnaval, nos mais terríveis conflitos, em conseqüência dos atrozes sentimentos de culpa.

Ainda outras possuidoras de cérebros comprometidos em sua estrutura que emitem ondas elétricas anormais, se descontrolam pela incessante estimulação dos ruídos e do colorido, durante as festividades.

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Enfim, após o Carnaval começa o desfile das conseqüências psiquiátricas que o mesmo provocou.

Observamos então: os atingidos pelas psicoses sintomáticas em estado de desorientação e confusão mental como resultado dos tóxicos que absorveram, e que passam longos meses para se restabelecerem; os que se envolveram em terríveis complicações psicológicas, atingidos pelo sentimento de culpa, penetram em profundas depressões que exigem demorados cuidados psicológicos; os que se deixaram perturbar pela estimulação luminosa e dos ruídos, para os quais é necessário uma correção de atividade elétrica cerebral; os que passam a apresentar um estado de angústia permanente resultante do esgotamento nervoso e que exigem imediatos cuidados psiquiátricos; e mais uma dezena de outros casos e de outros problemas surgidos, sobre os quais não desejamos insistir.

O Carnaval encerra pois problemas psiquiátricos como consequentes da libertação de psicopatas durante os seus festejos, como é também capaz de provocar em pessoas predispostas psicoses confusionais, depressões e angústias. Daí a necessidade de uma maior difusão de suas conseqüências como uma mais correta fiscalização, para que as pessoas normais e comedidas, possam realizar suas comemorações sem que se impliquem nas malhas das doenças mentais.

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ATUALIDADES PSIQUIÁTRICAS
Dr. Inácio de Andrade Lima Neto
do INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DO RECIFE
Artigo publicado no Diário de PE. em 13/02/83

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, trazemos aqui esta análise insuspeita, por vir de um profissional da ciência, o respeitabilíssimo e célebre psiquiatra pernambucano Dr. Inácio de Andrade Lima Neto, que aponta todo o cortejo que esta festa nefasta arrasta atrás de si, deixando como herança o desequilíbrio de muitos. Esta carta-anamnese sempre é lida por Estevão Coimbra, conhecidíssimo e grande orador pernambucano, em suas palestras sobre o carnaval. Ele passou-me  e aqui a publico, porque acho-a de grande utilidade pública!

Que Jesus abençoe a ti  querido Estevão, por não temeres a nadar contra o mare-magno da opinião acomodatícia, neste caso, tão fútil, chã e descuidada!

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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