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13MORTE

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Neste momento em que o assunto “suicídio” tem sido, graças a Deus, um assunto discutido, com mais frequência, refletimos sobre a questão 943 do Livro dos Espíritos onde Kardec pergunta o porquê de “As causas do desgosto pela vida que se apodera de certos indivíduos sem motivos que o justifiquem”, e que os espíritos nos respondem, que são efeito da ociosidade, falta de fé e muitas vezes da saciedade.

Ociosidade, muitas vezes, é uma mente que não se ocupa de pensamentos mais edificantes, mais nobres, e aí, de forma invigilante, deixa de produzir adequadamente, arranjando companhia de obsessores que têm os seus motivos para colaborar nesta vida sem objetivos. Todos já ouvimos antiga expressão, “Mente vazia, oficina do diabo”, mas não um diabo externo, personificado, que nos faz vítima, mas “nosso diabo”, nosso lado ignorante e ainda íntimo do mal, do egoísmo, orgulho e vaidade, as nossas maiores enfermidades da alma. Uma vez liberada esta atitude mental, vão se aproximando e ocupando os espaços vazios assim também os invasores, nossos cúmplices, por afinidade.

Joanna de Ângelis nos dá excelentes instruções, no capítulo 8 do livro “Episódios diários”: “Cuidado com a hora vazia, sem objetivo, sem atividade. Nesse espaço, a mente engendra mecanismos de evasão e delira. Cabeça ociosa é perigo à vista. Mãos desocupadas facultam o desequilíbrio que se instala. Grandes males são maquinados quando se dispõe de espaço mental em aberto. Se, por alguma circunstância, surge-te uma hora vazia, preenche-a com uma leitura salutar, ou uma conversação positiva, ou um trabalho que aguarda oportunidade para execução, ou uma ação que te proporcione prazer.
O homem, quanto mais preenche os espaços mentais com as ideias do bem, mediante o estudo, a ação ou a reflexão, mais aumenta a sua capacidade e conquista mais amplos recursos para o progresso. Estabelece um programa de realizações e visitas para os teus intervalos mentais, às tuas horas vazias, e te enriquecerás de desconhecidos tesouros de alegria e paz. Hora vazia, nunca! ”

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13RG

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A falta de fé nos tira a esperança, nos faz sentir sozinhos, abandonados e as causas dos sofrimentos são absolutamente atribuídas a injustiça de um Deus sádico. Daí não concordo com nada, com o que tenho, com o que sou, nem o que tenho que viver e aprender. Para que resignação e aceitação, se estas atitudes mais parecem covardia? E ouvimos as pessoas dizerem, “Não sei porque estou passando por isto, eu não joguei pedra na cruz”, e podemos dizer também, “Será? Como você pode ter certeza? ”
A ausência da fé nos torna fracos e sem nenhuma vontade de lutar, não promove gratidão por nada, nem aos pais pela vida que se transforma em maldição, fardo tão pesado e a desvalorização faz com que se pense, se é minha, posso dispor dela como e na hora em que quero.

Quando pensamos no que os espíritos falam sobre “saciedade”, vemos duas formas de ver as coisas, uma é que, se temos muitas facilidades não nos esforçamos, não nos empenhamos, não criamos músculos e enfraquecemos. Se não podemos aspirar algo, a vida já começa a perder a graça, principalmente se temos campo de visão reduzido e só olhamos para as nossas necessidades. Por que será que nos países nórdicos europeus, onde existe maior qualidade de vida, também está o segundo maior índice de suicídio no mundo? Traçar metas, se esforçar, desejar sonhar, podem ser objetivos muito estimulantes para se viver.
Mas não podemos perder de vista, que nos prova também que nos equivocamos quando em nossa lista “para sermos felizes”, as condições são aquisições materiais, que vão preencher o vazio existencial das pessoas. Se assim o fosse, não teríamos esses índices nesses países em que as pessoas têm as suas necessidades materiais básicas, atendidas. A falta de desenvolvimento espiritual, da busca do desenvolvimento de valores transcendentais, nos faz buscar saciedade no lugar errado, e produz desvalidos.
O investimento na religiosidade, no crescimento espiritual, nos aproxima de valores mais nobres e, portanto, ocupações que verdadeiramente dão significado à vida, dando saciedade.

Temos muitas informações, através dos livros espíritas, da imensa frustração que os suicidas sentem ao enfrentarem a “triste realidade”, onde pensavam estar dando cabo de suas vidas, quando em momentos de desespero, para acabar com o sofrimento, ou provocar dor no outro, como uma “recusa” a passar pela situação, que mais se transformam em vingança coletiva, pelo impacto gerado as pessoas ao seu redor, quando interrompem suas “vidas” e percebem que não têm esse poder. Que a vida é infinita, que no máximo abreviou a vida daquela “persona da vez” e que suas dores que já pareciam insuportáveis, agora foram potencializadas. E até para aceitarem ajuda depois do ocorrido, a dificuldade em aceitar que a vida continua é um obstáculo, porque não se enxerga o que se acredita não existir.

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13VERDADES

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Recentemente, um livro se transformou numa série bastante controversa, “13 reasons why”, ou “Os 13 porquês”, e nos trouxe cruamente e com muitos detalhes, um suicídio de uma adolescente, que sofria de bullying (muito comum, porque adolescente é cruel!), que foi abusada emocional e sexualmente, que não tinha religião e nenhuma fé em Deus e nem em algo maior que a ajudasse a suportar, muito orgulho para pedir ajuda e uma dor imensa que não coube nela. Deixa 13 “lados de fita K7” gravados, para que fossem ouvidas pelos supostos “responsáveis” pelo seu crime, pela sua fraqueza, e apavora todos, professores, diretores da escola na trama, psicólogos e psiquiatras do mundo real e principalmente “pais” de ambas as realidades. Uma mocinha ativa, trabalhava e estudava, bonita e inteligente, que tinha amigos (todos com as suas dificuldades) e pais presentes, mas que ela não conseguiu enxergar. Não demonstrava nenhuma estranheza no seu comportamento e nem traços depressivos tão evidentes, podendo ter “Transtorno de Personalidade Borderline”, que se caracteriza por um perfil vive no limite da sanidade, com um padrão de instabilidade dos afetos, das relações interpessoais, da autoimagem e impulsividade acentuada.

Mas enganam-se os que pensam que só os depressivos atentam contra as suas vidas, muitas vezes pessoas com traços histriônicos, erram o cálculo em suas tentativas de chamar atenção e também podem obter êxito em suas tentativas. No Brasil, é a segunda causa mortis entre os jovens, perdendo apenas para acidentes e homicídios, em dados atuais, a cada 45 minutos, três pessoas atentam contra as suas vidas e uma delas obtém êxito, lembrando os esses números segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) podem estar subnotificados e que dentre as que conseguem, 50 a 60% nunca passaram por um profissional de saúde mental.

Fingir que a série não existe não é uma boa conduta, enquanto você está pensando se deixa o seu filho assistir, ele já assistiu, e você não sabe qual foi o impacto. É um assunto difícil!
Só esse não, tem vários na série, mas devem ser enfrentados com e pelos seus filhos. Precisamos trabalhar em prol desta causa para não deixarmos Hannah Baker criar uma aura de heroína. O arquétipo do “herói”, é alguém que enfrenta uma injustiça e mesmo que se sacrifique, é por um bem coletivo, mas existe também o arquétipo do “vingador”, que às vezes também o classificamos de herói, mas que tem outros princípios que regem o seu comportamento e nos identificamos com ele pela nossa dificuldade em perdoar, pela pouca capacidade de aprender com a dor, pelo orgulho que nos fecha e isola de quem pode nos ajudar, pelo egoísmo imenso em desejar que a dor não seja só minha, que todos os que estão felizes me causando inveja, quero ver sofrer também. Principalmente porque como não vê lógica na justiça Divina, que se evidencia quando lemos o Sermão do Monte que Jesus proferiu, nos ajuda a aguardar e que a reencarnação dará o seu jeito a tudo, não consegue usar sua dor como um trampolim.

O que a faz diferente dos atiradores que disparam rajadas de balas matando os colegas para se vingar dos mal tratos, é que ela decide que quem vai “acabar” é ela, mas não sem causar sofrimento. Impossível não enxergar muito orgulho e vaidade neste ato, e muito, mas muito egoísmo, como o é todo suicida, que não consegue ver além de sua dor.

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13SEGREDOS

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Não quero isentar de suas responsabilidades os coadjuvantes da vida de Hannah na série, são de fato adolescentes com seus componentes de perversidade, desequilíbrio, superficialidade e todos sem exceção, com valores muito materiais. Todos terão seus débitos aumentados pelas maldades de que foram autores, mas não pelo suicídio que foi absolutamente uma escolha de uma pessoa fraca, que planeja friamente e de forma vaidosa um “grand finale”. Desespero também acompanha, no sentido real da palavra, no fato de não “esperar nada da vida”, e uma imensa e equivocada esperança na morte!

Bom, mas para não perdermos a oportunidade que esta série nos traz, vamos aproveitar para falar de coisas tão importantes como a falta de caridade nas relações (bullying), os preconceitos, o respeito, as drogas de uma forma em geral, educação sexual e violência contra as mulheres, que podem dizer “não” e devem ser respeitadas, que esconder o “erro” é ser cúmplice, o quanto alguns ambientes são perigosos e que os conselhos dos pais devem ser levados em consideração e discutidos, porque suas experiencias podem ajudar, e sobretudo que, como dizem os espíritos, “Deus ajuda aos que sofrem, e não aos que não têm força e nem coragem. As atribulações da vida são provas ou expiações, felizes os que a suportam sem se queixar, porque serão compensados! ” (L.E. questão 946). Mas que isso significa sofrer bem, usando como experiencia pedagógica para a sua evolução, não significa sofrer calado, dentro de um quarto ou no máximo sofrendo publicamente, mas no anonimato das redes sociais.
Que esse mundo é cruel sim, mas se você pedir ajuda, vai encontrar. Que tem pessoas que lhe amam muito, que suas vidas serão muito sofridas com a sua ausência, que a culpa que um suicídio promove é devastadora e bem abrangente, que profissionais se especializam em auxiliar e se necessário até remédios podem fazer a sua parte. Que oração lhe aproximam de Deus e ajudam muito e enxergar Jesus seu amigo incondicional, seu modelo e guia, pode te salvar!

O objetivo desta reflexão é provocar uma discussão de assuntos difíceis, porque varrer para debaixo do tapete não faz desaparecer e precisamos prestar atenção nessas pessoas que sofrem sozinhas com suas dores aumentadas pelo drama natural da adolescência. Explicada tanto pelas questões cientificas, uma vez que nesta fase da vida, o lobo frontal do cérebro ainda não está formado e, portanto, a sua função executiva, de identificar, organizar e planejar seu conteúdo emocional, para agir de forma adaptativa às questões da vida, ainda não estão desenvolvidas e o resultado disto é muito sofrido, porque as situações de dor parecem que nunca passarão, que durarão para sempre e que destruirão a sua vida eternamente. Quando Hannah procura o “conselheiro” da escola, o Sr. Porter, ela já tinha o pior cenário definitivo em sua cabeça, quanto a sua imagem irremediavelmente destruída e a incapacidade absoluta de qualquer um em compreender, ajudar e protege-la. Incapaz de enxergar que tudo passa e vivendo o dilema também comum entre os adolescentes, entre busca de independência e autonomia, e uma vontade imensa de pedir ajuda e proteção, sem saber como, e até se fechando e disfarçando os sinais.

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TEJULGAM

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Todos sabemos que violência sexual é sempre acompanhada de muita vergonha e culpa, nos parece que o bullying também, a vítima sempre se questiona se foi algo que ela fez ou provocou no outro, com o seu comportamento e nos parece que há um movimento social igual a este, o de procurar um gatilho no lado errado. Além do fato que evidencia a todos, quando é revelado, um dos maiores medos de um ser humano, de ser rejeitado, desaprovado e excluído por aspectos que são seus, mas que normalmente também têm dificuldade em aceita-los. Enxergar a saída como inexistente, pode provocar para alguns, atos impulsivos para estancar a dor, porque a maioria dos suicidas não querem morrer, querem fazer com que a dor insuportável, se acabe. Quer mudar o cenário, dar um “eject” naquele filme!

Temos uma tendência em focar no que é ruim, imaginar que o nosso problema não tem solução, quando sempre tem. Pensar que estamos sozinhos e que não podemos contar com ninguém, quando não é verdade, e se prestarmos bastante atenção, temos ao nosso redor quem realmente se importa conosco. Que todos têm problemas, que não somos perfeitos, que não sabemos lidar com tudo sozinhos sem ajuda, que pedir auxílio é melhor saída do que ficar quieto esperando passar, encolhido no meio do tornado. Que se ficar difícil pedir ajuda aos conhecidos, existem linhas de apoio anônimos que também estão habilitadas nesse processo de ajuda. Que todo problema é muito maior até falarmos, compartilharmos com alguém que pode nos ajudar a ver a luz no final do túnel. Mas também entender que não cabe somente ao “sofredor” emitir um “cry for help”, que esta discussão nos estimule a ficar mais atentos a essas pessoas que de alguma forma demonstram nos mínimos detalhes as suas dores, e buscar se aproximar de maneira caridosa, sem medo de ser contaminado, de demonstrar afeto, se colocando no lugar do outro para escolher agir em favor dele ou ser cúmplice dos que provocam sofrimento. Lembrando que somos responsáveis pelo bem que fazemos ou pelo bem que deixamos de fazer.

Algumas pessoas após um fato muito dolorido, para se defender, entram em processo, Transtorno de estresse pós traumático (TEPT), e podem apresentar comportamentos de negação do fato e até dissociação, como se isolassem suas emoções, anestesiando sua capacidade de sentir porque não sabem como lidar com aquela dor dilaceradora, e nesse processo de alienação emocional, pode generalizar e ter uma visão de que nada importa e a desvalorização de tudo, faz parte do quadro. Hannah Baker podia ter aprofundado a sua relação com Clay, generalizou e transferiu a situação traumática vivida e não soube aproveitar o apoio disponível.
Podem comentar que parece que não foi com elas, que nem conseguem chorar, e na maioria das vezes, se começam a tocar a vida para frente se tornando novamente funcionais, o que gera um conforto aos que com ela convivem, como se esta fosse uma forma perigosa de passar por cima e seguir adiante, sem tratar. O que mais tarde pode vir à tona nas mais diversas formas, pelo fato do motivo ter sido reprimido ou recalcado, na linguagem Freudiana.

Hannah Baker apostou que o Sr. Porter falharia na sua “missão” de salvá-la. Ela não estava verdadeiramente dando à vida uma chance, a descrença já havia sido instalada, mas Senhor Porter, o senhor está equivocado em sua crença.

Não é verdade que não se pode trazer alguém “de volta à vida” com amor, é a ÚNICA FORMA!

All we need is love.

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AMOR13

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A AUTORA DO ARTIGO VALÉRIA PESSOA
COM BRUNO TAVARES

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* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE 
DE BRUNO TAVARES

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui mais um artigo excelente da minha querida amiga Valéria Pessoa, psicóloga e coach, sobre um filme que transformou-se em sensação no canal Netflix: 13 REASONS WHY. A série é sobre uma jovem que se suicida por ter sofrido violência sexual e bullying, pensando assim em se vingar de todos aqueles que ela considerava seus algozes. Mas o texto, de uma responsabilidade imensa da querida Valéria, radiografa o perigo de eleger-se a personagem como heroína (uma anti-heroína), descambando para uma apologia ao autocídio. Valéria, com os princípios espíritas a nortear e iluminar a análise psicológica, demonstra cabalmente o que o materialismo e a falta de Deus acarretam na vida hodierna e, outrossim, o que o moderno espiritualismo pode e deve fazer, salvando a vida de milhões de seres para o abençoado retorno a Deus!

Que Jesus abençoe a ti amada Valéria, por essa pequena antologia saída de uma análise tão brilhante e tão sensata!

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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