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A inflexibilidade e a dureza não existem para a misericórdia divina, que, conforme a conduta do Espírito encarnado, pode dispensar na lei, em benefício do homem quando a sua existência já demonstre certas expressões do amor que cobre a multidão dos pecados (XAVIER, 2009 – QUESTÃO -247).

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Ao estudarmos os conteúdos da doutrina espírita, nos deparamos com importantes ensinamentos que nos convida a exercer um processo evolutivo consciente. Ratifica o mestre Jesus como modelo a ser copiado, o evangelho como manual de consulta e a lei de causa e efeito como alerta reflexivo ante as nossas decisões diárias.

Com finalidade instrutiva, a espiritualidade superior através da literatura espírita narram histórias vividas no plano material e espiritual, concedendo-nos exemplos reais, relatam desfechos trágicos previamente esperados e por outras vezes arremates inimagináveis advindo das mudanças comportamentais dos envolvidos. Nesses ensinamentos é possível compreender que o “determinismo” expresso nos desígnios da vida humana tem característica mutável, sobretudo se levarmos em consideração que “a determinação divina da sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas” (XAVIER, 2009 -QUESTÃO -134).         

Diante da determinação da divina lei universal, só nos resta à reflexão de que toda afirmação determinista que não seja a da referida lei, constitui armadilha interpretativa a quem pronuncia. Dentre as várias afirmações deterministas baseadas nas interpretações dos ensinamentos espíritas há quem ouse diagnosticar as causas dos sofrimentos, das doenças degenerativas e dos desastres individuais com tal precisão que por vezes parece possuir um barema da lei de causa e efeito.

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Certa vez um amigo me falou: Uma coisa é certa! Todo mundo vai para o umbral. Ao ouvir essa afirmação imediatamente pensei: O céu para os bons e o inferno para os maus foi substituído pelo todo mundo no umbral. Cerca de 6,1 bilhões de pessoas vivem na Terra, como determinar o destino pós-morte de todas essas pessoas?

Decidi então refletir sobre a referida questão e cheguei a seguinte conclusão: Sim é possível que todo mundo passe pelo umbral, mas é preciso situar quem seria esse “todo mundo”.

Todo mundo que não conseguir o equilíbrio mental, a fim de esgotarem suas culpas antes da última averiguação consciencial, esses provavelmente esgotarão seus resíduos mentais em zonas apropriadas assim denominadas de umbral [1].

1] Sobre isto: ver capítulo 12 (O Umbral) do livro Nosso Lar.

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As armadilhas das afirmações deterministas se fazem presentes, quando essas afirmações colocam em xeque outros ensinamentos da doutrina. Por isso é necessário sempre considerar:

1º. Que todos nós somos capazes de mudar nossa conduta e vibração mental quando assim decidirmos.

2º. Que apesar da lei de causa e efeito, somos todos protagonistas do nosso futuro estando este em constante transformação. 

Com relação a esses dois pontos, o livro Sexo e Destino nos traz um exemplo interessante, o do grupo familiar de Claudio Nogueira, grupo tutelado pela instituição do plano espiritual “Almas Irmãs”. Claudio, pai de família de vida soberba entrega-se aos prazeres ilusórios da vida terrena, álcool, traição e crime contra a própria filha, traça-nos um perfil de ser humano cujo fim da presente reencarnação poderia ser determinado por amarga excursão no umbral ou em colônia destinadas a dolorosas reparações.   

Entretanto, Claudio, após sucessões de erros, acorda para as realidades da alma e passar a redirecionar o curso de sua vida. Ação que possibilitou o amparo de benfeitores no momento de seu desencarne, e apesar da vergonha e da culpa que ainda acalentava no íntimo, pôde ele em poucos dias receber autorização para executar plano de trabalho reparador junto aos familiares encarnados.

Diante dessa ótica a espiritualidade nos ensina que:

A educação e a iluminação do íntimo constituem o amor ao santuário de Deus em nossa alma. Quem as realiza em si, na profundeza da liberdade interior, pode modificar o determinismo das condições materiais de sua existência, alcançando-a para a luz e para o bem. […] (XAVIER, 2009 – QUESTÃO -146).

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Se a justiça humana concede induto ao criminoso que apresenta sensível mudança de atitude, reduzindo sua pena ou até mesmo concedendo liberdade provisória. A justiça divina que tem como essência a perfeição de julgamento, não haveria de lavrar sentenças imutáveis mesmo de aspecto provisório.

O livro O Céu e Inferno ou a justiça divina Segundo o Espiritismo nos concede a maior prova de indeterminismo nos destinos humanos. A descrição de diferentes tipos de desencarne a partir do grau de evolução espiritual de cada ser nos faz entender que se na Terra têm espíritos encarnados de diferentes ordens evolutivas: Espíritos Felizes, Mediano, Sofredores, Suicidas, Criminosos Endurecidos, Selvagens etc…  É natural que o destino pós desencarne não seja o mesmo para todos.

Kardec (2008) deixa claro que o indeterminismo se faz presente até nas criações do espaço e paisagens denominadas de umbral. Ou seja, cada um de nós pode criar o seu umbral particular, o ambiente para o esgotamento mental é personalizado de acordo com o conteúdo de cada mente. O livro aborda relatos como: o ateu convicto que após o desencarne ver-se constrangido a visualizar a sua frente às verdades que sempre negara. Luz e claridade que mal consegue manter as pálpebras abertas. A mãe que se suicida para encontrar o filho ver-se sozinha numa louca procura que parece não ter fim, entre outros tantos relatos que nós fazem compreender que na balança da justiça divida todos os pesos são contabilizados.

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Ainda sobre o destino pós desencarne, também é importante considerar que se a iluminação interior nos capacita para o amparo divino, a insistência no mal pode nos constranger a zonas corretivas que a permanência no umbral seria desejada como beneficio divino. Assim explica Lísias em (XAVIER, 2015 p.69):

[…] há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes que não são suficientes perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosas, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral […]. 

Nessa narrativa, Lísias nos concede importante pista sobre o merecimento da estadia no umbral. População formada de espíritos nem tão maus o suficiente para necessitar corrigenda mais tenaz e nem tão bons o suficiente para merecer estadia em planos elevados. Assim explica: _O Umbral _ “[…] é zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos” (XAVIER, 2015 p.68).

Diante desses ensinamentos, toda afirmação determinista torna-se passível de reflexão. Allan Kardec, além do seu trabalho de codificador nos deixou o exemplo e a orientação de que tudo era discutível.

Protagonismo, indeterminismo e constante transformação são fatores que devem se manter ladeados nas interpretações dos ensinamentos espíritas. Por esta razão, para nós aprendizes da ciência do infinito só restam-nos seguir as orientações do codificador que assim nos aconselha: “Na ausência de fatos, a dúvida é a opinião do sábio [1]”.

[1] Kardec, 2008 – Introdução do Livro dos Espíritos.

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Referencias
ALLAN KARDEC. O Livro dos Espíritos: Tradução de Salvador Gentile, Revisão de Elias Barbosa. Araras, SP. IDE, 177 ª. Edição, 2008. 352 p.
_______. O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, Revisão de Elias Barbosa. Araras, SP. IDE, 52 ª. Edição, 2008.
XAVIER. Francisco Cândido. Nosso Lar. 1º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”. Ditado pelo Espírito: André Luiz. Brasília FEB. 64ª Edição/2015
XAVIER. Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Sexo e Destino pelo Espírito: André Luiz; Brasília FEB. 11ª Edição/1985.
XAVIER. Francisco Cândido. O CONSOLADOR. Ditada pelo Espírito: Emmanuel. (primeira edição lançada em 1940). Psicografada por: Francisco Cândido Xavier Digitalizada por: L. Neilmoris, 2009 Brasil Disponível em: <www.luzespirita.org.br>.

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A PESQUISADORA ESPÍRITA ELIS GUSMÃO

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* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE 
DE BRUNO TAVARES

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elis Elisangela Gusmão 

Pesquisadora da Doutrina Espirita, trabalhadora da Associação Espírita Casa dos Humildes, Recife-PE.
Mestra em Extenção Rural e Desenvolvimento Local pela UFRPE. Articulista do blog do Bruno Tavares.
Email: elisgus@gmail.com

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui mais um artigo maravilhoso da minha querida amiga e irmã da Casa dos Humildes, Elisinha Gusmão, que de forma percuciente, muito, ajuda-nos para que tenhamos uma reflexão lidimamente espírita, ou seja, sem dogmas nem fé cega, expedientes do mais vil dogmatismo, raciocinando filosoficamente na maiêutica socrática, como fazia tão bem Allan Kardec, discutindo, questionando, buscando a verdade, nesse exercício pleno de amigos da sabedoria, quais devemos ser ou nos tornar!

Que Jesus abençoe a ti Elisinha e te cubra de bençãos para continuares, com a chama sagrada das Hipácias, as sábias da Velha Grécia, desfiando o saber e raciocinando rumo À Luz da Verdade!

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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