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Relatos sob investigação no Brasil em abril de 2017 citam adolescentes vulneráveis que estariam sendo encorajados a retirar a própria vida por meio de uma série de desafios on-line. Sabe-se que esses desafios, conhecidos como “jogo da Baleia Azul”, tiveram origem em 2015 nas redes sociais da Rússia e se espalharam pela Europa nos últimos dois anos. Na Rússia, as mortes de alguns adolescentes foram relacionadas ao jogo, embora não haja confirmação sobre esses relatos. A ideia é que indivíduos estariam sendo convidados a completar um número de tarefas em 50 dias. As tarefas ficariam cada vez mais danosas à pessoa e terminariam com um desafio ao suicídio. Há preocupação que a ideia esteja se espalhando pelo mundo – e pelo Brasil – por meio de redes sociais.

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* O que é a Baleia Azul?

Acredita-se que seja uma referência a um comportamento de certas baleias azuis, que aparecem em praias e morrem encalhadas. O nome estaria sendo usado por grupos de pressão na internet, que indicariam um “curador” ou “administrador” que encorajaria participantes a completar testes em 50 dias. As tarefas iriam de demandas simples, como assistir a um filme de terror, a pedidos mais sinistros, como automutilações e suicídio.

Para falar sobre o jogo da Baleia Azul e o comportamento dos jovens na era digital, conversamos com o psicólogo clínico e doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Dr. Júlio Peres. Pós-doutorado no Center for Spirituality and the Mind, University of Pennsylvania e na Radiologia Clínica – Diagnóstico de Imagem pela Unifesp, Júlio é autor de estudos que investigaram os efeitos neurobiológicos da psicoterapia através da neuroimagem funcional (Psychological Medicine 2007 e Journal of Psychiatric Research 2011), pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (PROSER) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, professor titular de Psicotraumatologia Clínica do Hospital Pérola Byington e autor de artigos científicos sobre psicoterapia, trauma psicológico, espiritualidade/religiosidade, reencarnação, resiliência, superação e dos livros Trauma e Superação: O Que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade Ensinam, Editora ROCA, e Neuroimaging for Clinicians: Combining Research and Practice, Editora InTech.

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* O suicídio entre adolescentes é o assunto da vez. Pais estão apreensivos com a série de TV 13 Reasons Why (Os 13 porquês) e jogos on-line, como o da Baleia Azul, que induziria jovens ao suicídio. Afinal, há com o que se preocupar? Série e jogo podem ser responsáveis por algum caso de suicídio ou alguém que pode vir a se suicidar já tem alguma fragilidade e ambas poderiam ser apenas o gatilho?

Júlio Peres – Sim, certamente, as preocupações com as crianças e jovens são pertinentes e há muito tempo! O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, nas últimas décadas, repercutiu de maneira intensa em muitos aspectos da vida social e individual, criando outras formas de pensar, sentir e agir em um novo tipo de sociedade influenciada pela cultura tecnológica. O mundo virtual dos jogos e as séries de TV passam a ser cada vez mais atrativos a partir da qualidade e da quantidade de informações tecnológicas com alta resolução e cores vividas, que seduzem os usuários por meio da excitação provocada pelos estímulos sensoriais. Especialmente crianças e jovens são vítimas das armadilhas perversas de manipulação psicológica por meio da intensa estimulação sensorial associada a enredos com destacadas expressões emocionais (raiva, medo, tristeza, desamparo, angústia, violência, solidão, aversão, etc.) de jogos interativos e séries cada vez mais frequentes, que têm como alvo/objetivo o lucro a qualquer custo, não importa o que custar! Ao mesmo tempo, os pais, cada vez mais ocupados pelas pressões de performance em um contexto cultural da pressa e do descartável, tendem a ignorar o isolamento dos filhos, aparentemente entretidos, porém correndo graves riscos para o desenvolvimento de transtornos afetivos. Portanto, fragilidades emocionais/psicológicas dos jovens aliadas a manipulações perversas dos conteúdos que inclinam ao mal-estar, falsas crenças de ausência de sentido para existência, ou mesmo demonstrações equivocadas de “coragem” com atos cegos e impulsivos, são combinações muitíssimo perigosas, que levam de fato jovens a comportamentos de alto risco, às vezes com sequelas irreparáveis!

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* Qual é o limite entre realmente se preocupar com isso ou apenas buscar compreender o adolescente que você tem em casa?

Júlio Peres – O controle emocional e cognitivo relativamente imaturo das crianças e dos adolescentes favorece a exposição de risco elevado para manifestação da adic- ção (vício) a conteúdos manipulativos que excitam as emoções, expectativas e ilusão de pertencimento a um grupo. Portanto, a proximidade afetiva cuidadosa dos pais, especialmente nos períodos de desenvolvimento cognitivo/emocional das crianças e adolescentes, se faz necessária, para evitar os riscos de manipulação pela vulnerabilidade característica dessas fases. Contudo, vale enfatizar que a imaturidade emocional/ psíquica também se manifesta em adultos! Todos nos lembramos das catástrofes que líderes carismáticos e patológicos, como Adolf Hitler e Jim Jones, impuseram sobre imenso número de pessoas imaturas e vulneráveis à manipulação, levando-as a guerras e violências infundadas, a suicídios coletivos, entre muitos outros sofrimentos.

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* O jogo da Baleia Azul é um risco?

Júlio Peres – Sim, considerando as fragilidades e vulnerabilidades acima citadas. A expectativa da nova informação que virá no próximo clique, ou fase ou post de um jogo perverso desse tipo pode gerar um ciclo recorrente de ansiedade e suposto alívio, tal como o padrão que jogadores patológicos apresentam. Alguns adolescentes não controlam tal comportamento impulsivo e continuam em busca de “novidades” que supostamente “atenuem” a angústia, como jogos, séries, novos comentários às postagens, controle aparente da vida de conhecidos e desconhecidos e, finalmente, se tornam dependentes. dos respectivos conteúdos negativos.

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* O que pode acontecer para que um jovem fique vulnerável a um jogo como esse?

Júlio Peres – Além dos aspectos mencionados, quando o jovem se sente isolado, sem referências saudáveis e não pertencente a um grupo familiar/social que possa nutrir suas necessidades afetivas, a vulnerabilidade amplifica.

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* Em um mundo onde cada vez mais se usa as redes sociais, mais de forma bené- fica do que o contrário, o que fazer para se ter controle de tudo o que acontece por lá?

Júlio Peres – De fato, são também notórios os benefícios das redes sociais quanto às possibilidades de interface interpessoal e busca de informações, atualmente utilizadas com sucesso em muitos casos para apoiar inclusive as estratégias pedagógicas em processos de aprendizagem. Vários estudos relacionam o uso de bons jogos eletrônicos com a maior facilidade de aprendizado, o desenvolvimento de habilidades cognitivas e motoras, a melhora na capacidade de orientação espacial e a facilitação da socialização. Reconhecemos os destacados benefícios que a cultura tecnológica tem oferecido à sociedade, mas também observamos os significativos riscos decorrentes dessa cultura, prevalente em centros urbanos, associados ao sofrimento e à depreciação da qualidade de vida e ao uso excessivo, não supervisionado e/ou indiscriminado do “universo virtual”. É recorrente a queixa de isolamento social associado ao uso problemático da internet em consultórios psicológicos, com repercussões/implicações traumáticas.

Minha orientação aos pais começa com algumas informações relevantes: os períodos da infância e da adolescência são críticos (muitíssimo importantes) ao desenvolvimento físico, psicológico e social. Durante esses estágios, é fundamental que a convivência com a família, amigos e colegas seja prevalente para o aprendizado de estratégias saudáveis de enfrentamento das adversidades e conflitos naturais que o ambiente social oferece. A imaturidade do desenvolvimento cognitivo torna esses períodos promissores à vulnerabilidade adaptativa, que podem levar a uma maior incidência de transtornos afetivos entre adolescentes. A empatia – essencial à interação humana saudável, respeitosa, e à humanização ética – mostra-se significativamente prejudicada em adolescentes excessivamente “plugados” e mais desenvolvida em crianças e jovens que receberam cuidados afetivos. Em outras palavras, crianças e adolescentes afetivamente bem cuidados têm significativamente melhores possibilidades para construírem vidas adultas e familiares saudáveis, favorecendo o ciclo harmonioso com seus filhos e descendentes… Portanto, o que fazemos para e por nossos filhos, fazemos também pela humanidade!

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* Que sintomas pais e pessoas no geral que lidam com adolescentes devem ficar atentos? Quando agir? De que forma?

Júlio Peres – Além do prejuízo da qualidade das relações interpessoais, os pais e cuidadores devem estar atentos em relação às alterações comportamentais de crianças e jovens, que também favorecem a vulnerabilidade ao trauma psíquico, tais como: tempo de sono reduzido, significativo cansaço/esgotamento durante o estado de vigília (ao longo do dia), maior expressão de sintomas musculoesqueléticos (dor nas costas, no pescoço, etc.), aumento dos níveis de estresse psicológico e social, aumento da evasão escolar, atividades de lazer limitadas, maior incidência de conflitos e depreciação do convívio familiar/social, maior incidência de abuso de substâncias, insatisfação e ausência de significado para existência, frequência exacerbada de experiências dissociativas (como se estivesse anestesiado/desconectado), automutilação (ferimentos provocados no próprio corpo), comportamentos impulsivos e/ou agressivos, baixa autoestima e aumento do risco à violência de diversos tipos. Por outro lado, a mediação dos pais e a proximidade afetiva em relação aos filhos são os principais fatores protetores aos riscos traumatogênicos acima citados. Vale considerar também ajuda profissional especializada.

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* Do ponto de vista espiritual, como você vê a criação de jogos assim?

Júlio Peres – Influências espirituais negativas se propagam com diversos contornos. Por exemplo, alguns sites da internet, séries e blogs descrevem formas pelas quais o suicídio pode ser cometido, e muitos outros desencorajam as pessoas em sofrimento a procurarem ajuda profissional especializada. Os resultados de estudos populacionais (epidemiológicos) revelaram que a prevalência de usuários adictos (viciados) à internet foi significativamente e positivamente correlacionada com as taxas de suicídio na população geral. Portanto, as ondas vibratórias negativas também influenciam muitas pessoas por meio das mesmas ferramentas tecnológicas que podem contribuir para o bem-estar.

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* E que recado daria aos jovens, como psicólogo, mas também como espírita?

Júlio Peres – A espiritualidade está sempre presente em nossas vidas. Especialmente quando polarizamos nossos sentimentos, pensamentos e ações, podemos amplificar a qualidade vibratória com a qual sintonizamos. Precisamos todos tomar muito cuidado com as ondas escuras que são muitas vezes amplificadas por descuido de nossas responsabilidades espirituais no dia a dia. Lembremos que o patológico pode prevalecer apenas quando as referências saudáveis se ocultam. Fazer o bem, cuidar de você e do próximo com responsabilidade e afeto fortalece o ciclo virtuoso da luminosidade que ampara e protege. Os exemplos saudáveis precisam ser mostrados… Onde há luz, não há escuridão! Ajude a você mesmo e aos seus amigos/colegas a propagarem o bem.

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(Entrevista concedida à Cláudia Santos da Folha Espírita)

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* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE
DE BRUNO TAVARES

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aí esta entrevista fabulosa com o Dr. Júlio Peres sobre o autocídio, ou a tentativa de, onde com muita clareza e conhecimento o querido psicólogo aborda essa questão atualíssima com o cortejo de fatores propiciadores da modernidade, analisando as redes sociais, o nefasto jogo “baleia azul” que tanto sofrimento tem causado à juventude e às suas famílias, muitas vezes pela invigilância dos mais novos e a falta de atenção dos mais velhos. O Dr. Júlio, realmente, presta nessas respostas luminosas, uma ajuda incomensurável, lançando luz nesses desvãos tão sombrios do comportamento humano!

Jesus abençoe aos lidadores do comportamento juvenil, por todo o esforço em ampará-los e ajudá-los! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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* A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO TAVARES *

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*  QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO  *

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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*  Francisco e Clarinha de Assis  * 

Patronos do Blog do Bruno Tavares

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