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“Necessário lembrar, ainda, que o orgulho é quase sempre excitado no médium pelos que dele se servem. Se possui faculdades um pouco além do comum, é procurado e elogiado, julgando-se indispensável e logo afetando ares de importância e desdém, quando presta o seu concurso.” O Livro dos Médiuns – Allan Kardec (cap. XX, questão 228)
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Iniciamos esta resposta lamentando a não uniformidade dos ensinamentos espíritas nos templos que os adotam, onde as infiltrações e enxertos de outras religiões são introduzidos pelo personalismo dos dirigentes, em prejuízo da pureza doutrinária. Centros espíritas existem situando-se em área física doméstica, extensão da cozinha, ou recuados a fundo de quintal, onde o tipo de espiritismo é ditado pelo dono, que não raro estabelece aí o seu reinado, até que o desencarne lhe ponha na horizontal a carcaça, ocasião em que um “príncipe herdeiro” assume em pompas a direção dos trabalhos, devidamente “preparado” para dar continuidade à dinastia.

Falo em centro espírita doméstico. Não que isso não ocorra em outros templos espíritas situados em sedes próprias, locais doados para atendimento à comunidade e propagação da doutrina. É que nestes, devido à rotatividade da direção, as decisões tomadas em conjunto e a liberdade da crítica sincera que visa a compatibilizar as ações com a teoria espírita são fatores convergentes de pureza doutrinária. Naqueles, às vezes, existe a tentação da evidência, do estrelismo, de ser sempre consultado, mesmo quando apenas para mudar um móvel de local, de mandar, de ter dependentes da sua vontade. Esse tipo ele dirigente-dono, no desserviço que presta à doutrina, confunde o centro espírita, que são os trabalhadores, com a casa espírita, que são as paredes. Admite-se não apenas possuidor do prédio, mas igualmente da vontade dos trabalhadores, e, o que é pior, das normas espirituais, que devem ser moldadas sua soberana vontade.

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Pobres pigmeus! Pessoas que não conseguiram postos de comando na sociedade e transportam para a casa espírita, que deve ser tribuna livre, a sede do mando? Pessoas que se julgam auto-suficientes e acreditam que nenhum outro trabalhador é capaz de as substituírem nas funções? Seja qual for o motivo, fica de pronto demonstrado, de maneira clara e inequívoca, o orgulho e a prepotência que ostentam, antípodas da humildade e da caridade. Se não houvesse a sede de poder, batizada por eles como zelo ao patrimônio, o terreno ou o prédio onde se localizam as paredes da casa espírita seria doado a serviço da comunidade e não eternamente vinculado a uma posse. Desapareceria a figura do dono e, portanto, a dinastia e sua corte. Mas isso os tornaria trabalhadores iguais aos outros, o que teriam como um rebaixamento; portanto, inadmissível para suas cabeças predestinadas coroa, embora de barro, reluzente apenas à visão eclipsada dos tolos. Em termos religiosos, a única coroa que tem valor é a de espinhos, esquecem esses pobres mortais.

Feito esse aparte, afirmamos que o trabalhador espírita organiza-se melhor quando se vincula apenas a um centro espírita no seu exercício mediúnico, o que não o impede de auxiliar em palestras e trabalhos sociais em outras searas. Cada grupo mediúnico tem equipe própria, que registra em fichas individuais os seus operários, requisitando-os diuturnamente para trabalhos específicos relacionados àquela casa. O médium que atua em duas casas espíritas, simultaneamente, fica dividido e divide as equipes responsáveis, no sentido de permanente consulta uma a outra, sobre a utilização daquele trabalhador em seus serviços.

O trabalho mediúnico requer afinidade entre os membros do grupo, estudo, compromisso, dedicação, renovação … O que exige bastante esforço do trabalhador filiado a um único grupo mediúnico. Penso que fazer o trabalho bem feito em um grupo apenas é melhor que desenvolvê-lo parcialmente em dois. Todavia se este não condiz com os ensinamentos espíritas e, após o médium lutar galhardamente para promover as mudanças necessárias, for tido como dissidente ou perturbador, que busque outro local de trabalho, pois ali a sintonia será difícil para o seu estilo.

O compromisso do espírita, médium ou não, é com a causa espírita e não com a casa espírita. A casa é apenas a referência geográfica no momento, que pode e deve ser substituída quando não atender aos requisitos moralizadores da doutrina espírita.

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Além do exposto, salienta-se que o médium deve harmonizar-se tanto com a equipe mediúnica desencarnada que dirige os trabalhos quanto com a equipe dos encarnados, seus companheiros de luta. Duas casas espíritas usadas como campo de trabalho pelo mesmo médium duplicam as razões de queda, expostas no frontispício do capítulo.

Sobre a crítica que inicia o capítulo, nós a fazemos para alertar o medianeiro sobre o seu compromisso com a doutrina em particular, e não com aqueles que professam a doutrina à sua maneira, lembrando que omissão, às vezes, é também participação no erro.

A fidelidade espírita é para com o Cristo, o que não significa baixar a crista, em eterno amém ao personalismo disfarçado em Espiritismo.

Perguntamos: se Jesus é a porta e Kardec é a chave, aquele que entre eles se põe, o que será? Certamente, não mais que uma pedra de tropeço.

Pensando sobre isso, o médium decidirá melhor onde deverá fazer verter o seu suor.

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LUIZ GONZAGA PINHEIRO, AUTOR DESTE ARTIGO

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* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE
DE BRUNO TAVARES

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui este artigo do querido e renomado escritor espírita Luiz Gonzaga Pinheiro sobre uma questão bem mais comum do que muita gente imagina, a frequência de médiuns à mais de uma corrente mediúnica. Conheço um centro onde médiuns trabalham determinados dias na casa espírita e em outros dias em terreiro de umbanda: Pasmem!!! Daí se ver quão oportuno e tremendamente atual um artigo como este, despertando tanta gente para sua responsabilidade ante essa tarefa de luz que é a mediunidade!

Jesus abençoe aos medianeiros sérios, recatados e que cuidam da sua ferramenta, equipagem-mediúnica, com zelo e amor! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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* A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO TAVARES *

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*  QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO  *

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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*  Francisco e Clarinha de Assis  

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