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OSFANTASMAS

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Dia 29 de dezembro de 1972, sexta-feira, pela manhã, o telefone tocou em casa de Don Repo, em Miami. Alice, a esposa, atendeu. Era da Eastern Airlines, a empresa de aviação em que Don trabalhava como um dos seus excelentes mecânicos de bordo. Quando Alice se dirigia à garagem, para chamar o marido, sentiu o impacto de uma desagradável lembrança. Cerca de um ano antes, logo que Don chegara de uma viagem e lhe telefonara, como de hábito, do aeroporto, alguém ligara para dizer que seu marido acabara de morrer num desastre aéreo. Tratava-se, evidentemente, de uma brincadeira de péssimo gosto e quando Don chegou em casa, cerca de meia hora depois, Alice comentou com ele o “trote” telefônico e ambos lamentaram que houvesse gente capaz de fazer uma coisa daquelas. O problema agora, naquela manhã de dezembro, é que a voz que chamava Don ao telefone era a mesma que anunciara a sua morte um ano antes! Alice, porem, achou que não devia dizer-lhe nada sobre o assunto para não afligi-lo inutilmente. 

A Eastern queria saber se Don aceitava fazer o voo 401 New York – Miami naquela noite. Como não era sua escala, ele poderia, naturalmente, recusá-lo. A família, no entanto, não tinha planos especiais para a passagem do ano e, se ele fizesse o voo, estaria de folga para o Ano Novo, mesmo porque regressaria à sua casa, naquela mesma noite. “Que você acha?”, perguntou ele a Alice. Ela preferiu, como sempre, que ele próprio decidisse e ele resolveu aceitar o voo. 

Pouco depois do meio-dia ele partiu de carro para o aeroporto local, de onde voaria para New York, para depois retomar de lá no 401. Cerca de 8 horas da noite Don ligou do Aeroporto Kennedy, em New York, para avisar Alice que Já havia chegado. As 8:40, a tripulação se dirigiu para o belo Jumbo o L-1011, a fim de começar a preparação para a decolagem, às 9 horas em ponto. Dentro de pouco mais de duas horas, o jumbo estaria pousando no aeroporto de Miami e, pouco depois de meia noite, Don estaria de novo em casa. 

O piloto era outro craque da Eastern, com milhares de horas de voo. Chamava-se Bob Loft e ganhava o belo salário de 52 mil dólares por ano. 

O terceiro componente da equipe de voo era o Primeiro Oficial Bert Stockstill, o típico piloto bonitão, tranquilo, competente como o Comandante. 

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Comandante Robert Loft / Primeiro Oficial Bert Stockstill / Engenheiro de Vôo Donald Repo

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Don Repo subira gradualmente de posto, pela força do seu mérito pessoal, a partir da posição de mecânico em terra. Mais tarde conseguira também o certificado de piloto comercial. Era um tipo extrovertido, alegre, popular entre os colegas e algo imprevisível. Na sua profissão, um perfeccionista.  Sua paixão: o maravilhoso jatão L-1011, um gigante que custava e 15 a 20 milhões de dólares e que, embora já estivesse com mais de mil horas de voo, entrara em operação há apenas quatro meses. O aparelho não tinha segredos para Don Repo. 

Além desses três astros da aviação comercial voaria também, de regresso à sua casa em Miami, um supervisor da Eastern, chamado Angelo Donadeo. Como o avião estava lotado, ele ocuparia o assento escamoteável atrás do piloto. Donadeo, era um técnico especializado no L-1011, o que lhe dava direito de viajar na cabina de comando. 

Às 9 horas o gigante começou a mover-se rumo à pista. O tráfego de fim de ano era pesado e havia uma fila aguardando a decolagem. Por isso, só às 9 horas e 20 minutos o Comandante Loft foi liberado pela torre para levantar voo. Em poucos minutos só se viam lá embaixo as luzes do bairro de Queens. Saindo de uma gélida New York, a cerca de 2 graus de temperatura, passageiros e tripulantes antecipavam com prazer os 24 graus anunciados para Miami, onde o avião, conforme previsto, pousaria às 11:32. 

Eram pouco mais de 11:30 quando o Comandante Loft começou o diálogo com o a torre do aeroporto de Miami, identificou a sua empresa, o voo e deu a posição. Pouco depois ordenou ao Copiloto, Stocktstill que baixasse o trem de aterrissagem, enquanto trocava algumas palavras ainda com a torre e, em seguida, com Don Repo, com o qual conferiu no telegráfico jargão profissional, os controles habituais. Foi aí que o Comandante notou que somente duas das três luzinhas que indicavam a posição correta do trem de aterrissagem estavam acesas. Isto queria dizer que uma das rodas não descera como as outras, precisamente a da frente. O Comandante deixou escapar uma palavra de enfado e resolveu tentar de novo colocar a roda relutante em posição. Não havia grande problema porque, se o mecanismo se recusasse mesmo a funcionar, poderia ser operado de outras maneiras. A esse ponto o gigantesco avião vinha descendo de 1.500 pés (cerca de 450 metros) para 1.000 pés. 

Loft comunicou à torre o pequeno imprevisto e recebeu instruções para ganhar altitude novamente, até 2.000 pés, e reaproximar-se da pista. A situação estava sob controle. Pouco tempo antes Loft havia comentado com um amigo que em 90 por cento dos casos a falha é da luz que não acendeu e não do trem que não ficou na posição correta. Era preciso, porém certificar-se disso. 

Era hora de Don Repo entrar em ação. Primeiro verificaria se não era apenas a luz que falhara; em seguida, Don desceria ao “hell hole” (“buraco do inferno”), um estreito “poço” no piso da cabina, para verificar visualmente se a roda dianteira estava ou não em posição adequada ao pouso. 

Muitas coisas aconteceram nos poucos minutos seguintes, até que o enorme e sofisticado pássaro aéreo mergulhou inapelavelmente no vasto pantanal de Everglades, em plena escuridão da noite. Tudo porque falhara uma lampadazinha de alguns centavos. 

Eis o último diálogo, transcrito da gravação recuperada: 

– Eastern quatro-zero-um – disse o controlador de voo da torre. – Vire à esquerda e siga rumo um-oito-zero. – Um oitenta – confirmou Loft. 

Eram quase 11:42. O avião estava a 600 pés de altura do pantanal e perdendo 500 pés cada 20 segundos. Cinco segundos depois a voz de Stockstill: 

– Fizemos alguma coisa com a altitude. 

– O quê? – perguntou Loft. 

– Ainda estamos a dois mil, certo? – insistiu Stockstill. 

Não houve resposta direta. De repente Loft gritou: 

– Ei! O que está acontecendo aqui? 

Eram 11 horas, 42 minutos e 9 segundos. Na fração de segundo seguinte, o choque, o rápido clarão, o caos e o silêncio na trágica escuridão do pantanal. 

Dos 163 passageiros e 13 tripulantes morreram ali ou depois, 99, entre eles o Comandante Loft e o Copiloto Stockstill. Don Repo foi encontrado com vida, mas não aguentou o terrível impacto que sofrera juntamente com Donadeo, espremido no “buraco do inferno”, enquanto examinavam a recalcitrante roda dianteira. Morreu 31 horas depois, no hospital. Donadeo salvou-se.

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A Tripulação Feminina do Vôo 401

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Foi somente em março de 1974, num voo da Scandinavian Airlines, de Estocolmo para Copenhague, que John G. Fuller ouviu falar pela primeira vez, sobre a estranha história de que os fantasmas da tripulação do voo 401, da Eastern, morta em Everglades, estavam aparecendo nos aviões de carreira. Aliás, uma história para jornalista algum botar defeito, e John Fuller é dos melhores. Entre seus livros, todos primorosamente pesquisados e relatados, contam-se autênticos “best-sellers”, como “Incident at Exeter”, “The Interrupted Journey” (“A Jornada Interrompida”), “Arigó: The Surgeon of the Rusty Knife” (“Arigó: O Cirurgião da Faca Enferrujada”) e o seu recente “We Almost Lost Detroit” (“Quase Perdemos Detroit”), no qual aborda o delicado problema das usinas nucleares e o tremendo perigo que representam.

Pois John G. Fuller acaba de escrever mais um excelente livro: “The Ghost of Flight 401” (“O Fantasma do voo 401 “) Edição Berkley Medallion Books, New York, 1978). Sua intenção inicial era a de mero repórter (dos bons) a escrever sobre “a fragilidade da vida e a importância da sobrevivência”. Seria uma reportagem de grande porte, é certo, mas também uma espécie de ensaio, algo filosófico e despersonalizado. O livro saiu bem diferente do que ele planejara. Veremos por quê.

Começa que a pesquisa não foi nada fácil. A empresa de aviação tudo fez para “abafar” o caso e ninguém poderia censurá-la por isso. Qual a empresa comercial de aviação que gostaria de ficar conhecida como proprietária de aviões assombrados? Empregados seus que deixavam “vazar” alguma história eram imediatamente licenciados ou encaminhados aos psiquiatras, correndo o risco de perderem seus empregos. Consultada diretamente a respeito, a administração respondeu, pelo seu Chefe de Relações Públicas, que as histórias eram mera fantasia e nada havia para dizer sobre o assunto. Não tinham informação alguma concreta sobre as alegadas aparições. Segundo apurou Fuller, no entanto, episódios mais marcantes ficaram documentados nos diários de bordo. A empresa recolhia sistematicamente as folhas e até os livros correspondentes que nunca mais foram vistos. Ao fim de algum tempo, ninguém queria falar sobre o assunto, o que era perfeitamente compreensível. No entanto, sob a segura proteção da camaradagem e confiança mútua que envolvem os milhares de trabalhadores qualificados da aviação comercial, as histórias continuavam a circular secretamente e com insistência. Tanto o Comandante Bob Loft como o técnico Don Repo continuavam a ser vistos nos L-1011 da Eastern.

A despeito de seu gosto pelas grandes reportagens sobre assuntos misteriosos, John Fuller mantinha-se mais cético do que nunca. Para ele, fantasma é uma coisa diáfana, indefinível e misteriosa que só aparece em velhos castelos ingleses ou em casarões da época vitoriana. Para o seu modo de ver, fantasma em moderníssimos jatões L-1011, de 20 milhões de dólares, era demais. Sem dúvida alguma, porém, era uma grande história e Fuller resolveu enfrentar todas as dificuldades para investigá-la e jurou contá-la fielmente, quaisquer que fossem as suas conclusões.

Não foram fáceis as resistências e os temores das tripulações. Eram sempre reticentes, cautelosos, e procuravam de início, evadir às questões. A maioria somente concordou em falar algo depois da garantia sob palavra de que seus nomes verdadeiros jamais seriam revelados.

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Fuller reuniu enorme quantidade de material: relatórios, livros, gravações, depoimentos, artigos, tudo quanto pôde conseguir diretamente ou com ajuda de terceiros. De certo ponto em diante, não havia mais como recusar a realidade e o intenso realismo das aparições. O jeito, portanto, foi pesquisar também o que havia por trás de tudo aquilo. Será que existe algo no homem que sobrevive à morte física? É possível aos “mortos” voltarem sobre seus passos e comunicarem-se com os “vivos” visualmente, oralmente ou por outra qualquer forma?

Lembrou-se, então, de que verificara no Brasil, quando reunia o material para o seu livro sobre Arigó, que “muitos dos mais educados e cultos brasileiros aceitavam o Espiritismo – a crença a comunicação com os mortos – como coisa muito natural”. Raramente isso é questionado. Pessoas de todos os níveis sociais eram médiuns lá atuando como canais de comunicação com os Espíritos, segundo seus preceitos.

Fuller reconhece que as estruturas culturais são diferentes no Brasil e nos Estados Unidos. Diferentes, note-se bem. “Seria uma forma de arrogância – escreve ele à pág. 112 – para qualquer dos países dizer que o quadro filosófico do outro é mais válido ou menos válido.”

Isso é estritamente verdadeiro. Desabituado do trato com esses aspectos, a atitude de certas comunidades tende a uma cômoda e, no entanto, falsa e perigosa padronização. Fantasmas seriam “alucinações” inexplicáveis que ocorrem em casarões velhos, diante de pessoas mentalmente desequilibradas. Médiuns seriam criaturas excêntricas e esquisitas (diz-se “queer”, em inglês), de moral um tanto duvidosa, sempre prontas a enganar. O trato com os supostos Espíritos seria realizado em ambientes escusos, misteriosos, às escuras, para melhor facilitar a fraude. E assim por, diante…

O principal receio dos que desconhecem as estruturas doutrinárias que explicam os fenômenos é passarem por “birutas”, simplesmente porque tiveram uma visão espiritual, uma premonição ou acreditam em reencarnação e sobrevivência. O temor do ridículo e da rejeição vai aos extremos do absurdo, da irracionalidade.

Por tudo isso, um jornalista e escritor que se dispõe a contar um caso como o do voo 401 precisa estar bem documentado e, em princípio, também ele, convicto da realidade, senão como irá transmitir o que apurou?

A certo ponto da sua pesquisa, John Fuller não podia mais ter dúvida de que tanto o Comandante Bob Loft como o técnico Don Repo, estavam de fato manifestando-se visivelmente e auditivamente nos aviões da Eastern depois de mortos. Tinha de haver uma saída para aquilo.

Fuller começou com o reexame de seis postulados básicos formulados por Luiz J. Rodriguez, quando ele esteve no Brasil, investigando o caso Arigó. Ele ainda não podia aceitar esses postulados como fatos provados, mas certamente os achava “estimulantes”. 

São eles: 

  1. O homem é uma alma encarnada. 

  2. Sua alma não fora criada ao nascer. 

  3. Teve ele muitas vidas na Terra, e outras, consequentemente, viriam. 

  4. O contato entre encarnados e desencarnados existe desde que o homem apareceu na Terra pela primeira vez. 

  5. A faculdade psíquica, conhecida como mediunidade, é o método criado pela natureza para estabelecer esse contato necessário e esclarecedor. 

  6. Os povos primitivos, por toda parte, estão perfeitamente familiarizados com estes simples fatos da Vida. 

A posição do autor, ao iniciar o sétimo capítulo do seu livro, esta resumida, com inquestionável propriedade, numa simples frase que ele foi colher em Mark Twain: 

– Interestin if true – ande interesting anyway. (Interessante se for verdadeiro – interessante de “qualquer maneira.“). 

Contudo, ele ainda se chocava contundetemente com a sua formação cultural, toda ela estruturada em observações cientificamente demonstráveis e suscetíveis de serem repetidas à vontade, sob condições bem conhecidas. 

Mas, vejamos alguns dos fatos ocorridos.

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Local do Acidente e Destroços do Vôo 401

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Pouco a pouco, John Fuller foi ganhando a confiança de tripulantes que tinham conhecimento direto de alguns episódios. Ginny Packard, por exemplo, uma atraente aeromoça. Certa noite estava ela de serviço no mesmo voo 401, New York – Miami, no avião do mesmo tipo L-1011, no piso inferior do aparelho, onde ficavam os fornos de aquecimento das refeições, quando percebeu, pelo canto dos olhos, uma formação difusa e nebulosa acima de uma das portas do compartimento. Tomada de surpresa, ela concentrou-se na observação. O cômodo estava totalmente iluminado e a condensação não era evidentemente de vapor ou fumaça. Tinha o tamanho aproximado de uma “grapefruit”, mas crescia constantemente e parecia mais sólida do que se fosse constituída de fumaça ou vapor. Se fosse, ela precisaria notificar imediatamente o mecânico de bordo. Enquanto isso ela esperava pelo pequeno elevador que ligava os dois “andares” da aeronave. A essa altura, estava um tanto assustada. Talvez, se ela deixasse de olhar “a coisa” desaparecesse. Tornou a apertar o botão do elevador. Queria e não queria olhar, ao mesmo tempo. Agora não havia mais dúvida; estava-se formando ali um rosto, meio sólido, meio difuso. Nesse ponto, ela ouviu que a porta do elevador se fechara lá em cima e a cabine começou a descer, enquanto ela pressionava aflitivamente o botão. Parecia uma eternidade a demora do elevador. Quando a cabina chegou, a face estava completa. Era de um homem de cabelo escuro, grisalho nas têmporas, com óculos de aro de aço, perfeitamente nítida e tridimensional. 

Ginny entrou precipitadamente no elevador e subiu trêmula e pálida, dirigindo-se diretamente ao lavatório para tentar recompor-se. Tivera uma experiência parecida, anteriormente, mas fora somente uma aguda sensação de presença estranha; daquela vez estava em companhia de sua colega Denise. Agora fora diferente porque ela vira uma face materializada e estava sozinha, sem testemunhas. Decidiu não contar nada a ninguém, nem mesmo a Denise. 

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Outro episódio dramático ocorreu cerca de um mês depois. 

O L-1011 preparava-se para o voo New York-Miami. Enquanto o Segundo Oficial completava sua inspeção, o Comandante e o Primeiro Oficial já estavam sentados na cabina, percorrendo a longa lista de verificações de rotina que antecedeu ao voo. As refeições já haviam sido colocadas a bordo e as atendentes cuidavam dos últimos detalhes antes de admitir os passageiros, que, logo em seguida, começaram a entrar e tomar seus lugares. 

Depois de todos acomodados, Sis Patterson, Chefe das aeromoças, fez a contagem de praxe. Sobrava um passageiro. Ela repetiu a contagem, confirmou o excesso e não tardou a descobrir a discrepância. Havia um Comandante da Eastern, em uniforme, sentado numa das poltronas. Era, obviamente, um “deadhead” (jargão profissional para “carona”), de volta a Miami, o que não seria de estranhar-se, pois era coisa comum acontecer. Às vezes pilotos e mecânicos viajavam nos assentos escamoteáveis reservados à tripulação, mas às vezes iam mesmo nas poltronas comuns. Tomava-se necessário confirmar isso e Sis dirigiu-se ao Comandante com a sua lista de passageiros em punho. 

– Desculpe Capitão – disse ela -, mas o senhor vai nesta viagem? Não tenho o seu nome na minha lista. 

O Comandante não respondeu. Continuou de olhar vago e fixo, sem mover-se. A moça insistiu: 

– Me perdoe Capitão. Tenho que ter o senhor como ocupante de um banco da tripulação ou de uma poltrona como passageiro de primeira classe. O senhor pode-me ajudar? 

O Capitão continuou imóvel e calado, como se a moça não existisse. Nesse ponto, chegou Diane Boas, a Superintendente do voo. Também estava aturdida. O homem, perfeitamente normal sob todos os aspectos, parecia completamente “desligado”. Ficaram as duas sem saber ao certo o que fazer até que Sis foi à cabina conversar com o Comandante da aeronave, que também ficou perplexo, pois não sabia de nenhum colega a bordo.

Enquanto isso o tempo passava e o avião continuava retido, sendo que os passageiros, em torno do enigmático piloto, acompanhavam curiosos o desenrolar dos acontecimentos.

O Comandante veio com Sis até o estranho colega, pois estava ansioso por decolar o avião, já atrasado. Enquanto as duas aeromoças o observavam de perto, ele curvou-se para dirigir-se ao outro. Foi aí que ele “gelou”, segundo conta John Fuller. 

– Meu Deus! – disse ele – é Bob Loft! 

De repente, a surpresa final; o misterioso Comandante Loft desapareceu numa fração de segundo. “Ali estava num momento – escreve Fuller – e, no momento seguinte não estava mais.”

O Comandante do voo dirigiu-se ao escritório da empresa no aeroporto e comunicou o fato. O avião atrasou-se ainda mais, enquanto se procurava por toca parte, inutilmente, é claro, o misterioso Capitão Loft. 

Finalmente, a recontagem foi feita e, como o número de passageiros conferia com a lista, o avião decolou rumo a Miami. Dentro de poucas horas o caso se tomou conhecido em toda a Eastern e em meia dúzia de outras empresas aéreas. 

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Novos incidentes começaram a furar a barreira do silêncio que a Eastern desejara erguer. 

No voo número 26, por exemplo, rumo a New York, Ginny Packard estava novamente de serviço. A viagem foi tranquila, exceto por algum a turbulência ocasional. Verificou-se também certa tendência do avião para desviar-se ligeiramente para a direita. Isso durou até a chegada ao Aeroporto Kennedy, em New York. Dali o avião foi preparado e todo checado para a viagem de retomo a Miami, exatamente o famoso voo 401, das 9 horas da noite. 

Já em pleno ar, recomeçou a ocorrer o inexplicável fenômeno de desvio para a direita. Ainda que algo incômodo, o movimento não perturbava e Ginny continuou servindo os “drinks” com as suas companheiras. Ao aproximar-se do espaço que fica sobre a asa do aparelho, um passageiro chamou-a e, apontando para a janela, perguntou-lhe: 

– Que é aquilo ali sobre a asa? 

Ginny curvou-se para olhar e viu certa massa luminosa e enevoada. Não se tratava certamente de um fragmento de nuvem, porque era opaca e seguia o avião, em vez de ficar prontamente para trás em virtude da fantástica velocidade da aeronave. Ginny e o passageiro observaram o fenômeno por alguns minutos. De vez em quando a massa elevava-se alguns pés e depois baixava novamente sobre a superfície da asa. Quando isto acontecia, a asa era visivelmente pressionada para baixo e o avião se desviava para a direita. O passageiro achou que era melhor notificar o mecânico de bordo, o que Ginny fez após alguma hesitação. 

O técnico veio, observou o fenômeno e concluiu que era mesmo uma nuvem e que acabaria por desaparecer. O passageiro protestou com certa veemência, afirmando que ali estivera a observar por algum tempo, com a aeromoça, e a “coisa” continuava lá. O mecânico de bordo não tinha outra explicação viável ou aceitável. Assegurou que o avião não corria o menor risco, a despeito do desvio para a direita e que em Miami eles fariam uma revisão para ver do que se tratava. 

Meia hora depois, o desvio recomeçou, desta vez para a esquerda. Ginny foi chamada por outro passageiro para explicar o que era aquilo ali sobre a asa. O mesmo fenômeno. A massa luminosa subia e descia, e a cada pouso sobre a asa o avião se desviava para a esquerda, sem que os controles pudessem evitá-lo, ou corrigi-lo. 

O avião pousou tranquilamente em Miami e o incidente ficou inexplicado. 

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E assim, o Comandante Loft e o técnico Don Reno continuaram a aparecer em inúmeros voos da Eastern, mesmo quando seus aviões eram cedidos por aluguel à outra empresa, nos períodos de menor demanda. 

– Numa de suas aparições, Don falou com seu colega: “Não se preocupe com as verificações de rotina; eu já as realizei…,” Em outra oportunidade ele dissera a um colega: “Nunca mais haverá outro desastre com um L-1011… Nós não permitiremos que isso aconteça…”

Numa viagem New York-Miami, antes da contagem dos passageiros, uma senhora começou a ficar preocupada com seu companheiro de poltrona. Era um oficial com uniforme de mecânico de bordo. O homem tinha um aspecto estranho, parecia doente e pálido. Quando ela perguntou-lhe algo, ele não respondeu. Ela insistiu. 

– O senhor está bem? Quer que eu chame a aeromoça para ajuda-lo?

Nenhuma resposta, nenhum gesto. A senhora chamou uma atendente que, igualmente impressionada com a aparência do tripulante-passageiro, perguntou-lhe em que poderia ajudá-lo. A essa altura, vários passageiros observavam curiosos a cena. Então, o impossível aconteceu; o homem desapareceu numa fração de segundo, à vista de todo mundo. Alguns ficaram “apenas” perplexos, mas a vizinha de assento do “fantasma” ficou agitadíssima. Ao chegar a Miami exigiu que lhe mostrassem fotos dos mecânicos da Eastern. Tanto ela como a aeromoça indicaram o retrato de Don Repo. 

Numa viagem para a Cidade do México, novamente o rosto de Repo apareceu refletido na portinhola de um dos fornos de aquecimento das refeições. Duas aeromoças o viram. Ligaram para a cabina superior mecânico desceu para ver. Além de reconhecer Don Repo, ouvi-o dizer que tomasse cuidado com fogo no avião.

A aeronave desceu sem incidentes no aeroporto da Cidade do México. Ao se preparar o avião para a decolagem rumo a Acapulco, verificou-se que o motor número 3 não funcionava. Como o aparelho dispunha de ampla reserva de potência, não havia dúvida em seguir viagem com os dois motores restantes. O único problema é que o aeroporto do México fica a 6.000 pés de altitude (cerca de 1.800 metros) e, se a temperatura estiver muito elevada, o ar rarefeito não tem condições de sustentar o peso da aeronave e pode acontecer que esta não consiga levantar voo ou, pior, caia na pista, pouco adiante. 

Autorizado a partir, porém, o piloto do L-1011 acelerou e decolou. A 50 pés do solo (15 metros) verificou que o motor número 1 começou a falhar e a expelir chamas. O Comandante desligou-o e acionou o dispositivo apropriado para extinguir o fogo. O problema agora era subir com um só motor e retornar para pousar na pista, pois era impraticável seguir naquelas condições. Se com, três motores a decolagem era incerta e com dois problemática, com um era impossível. Pois o impossível realizou-se. O aparelho subiu, fez a volta e pousou sem incidentes. Foi, sem dúvida, um prodígio de técnica e sangue-frio da tripulação, mas muitos consideraram o pouso simplesmente milagroso. Don Repo estava atento. 

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Foto de uma cerimônia no local da queda do Vôo 401 em homenagem às vítimas do fatídico acidente

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Por essas e outras histórias, John Fuller não teve alternativa. Mergulhou na pesquisa adicional dos fenômenos desconhecidos. Confirmou que havia muita gente de gabarito e bom senso que aceitava perfeitamente, não apenas o conceito da sobrevivência, mas também considerava um fato perfeitamente natural comunicar-se com os “mortos”. Descobriu que pessoas altamente qualificadas – pilotos e técnicos de aviação ou executivos importantes e responsáveis, de formação profissional rigorosa – não apenas acreditavam nisso, mas eram até médiuns! (Incrível! Médiuns!) 

Relutantemente, a princípio, mas depois visivelmente interessado, manteve entendimentos com grupos sérios que, ao que tudo indicava, estavam tentando (e conseguindo) contato com o “falecido” Don Repo. 

Finalmente, ainda vencendo certa relutância íntima deixou cair a última barreira; saiu com sua colaboradora Elizabeth Manzione para comprar uma prancheta de “oui-ja”. Embora sentindo-se ridículo, começou secretamente a experimentar e, depois das dificuldades iniciais convenceu-se de que, sem dúvida alguma, o Espirito de Don Repo passou a comunicar-se com eles, através do precário dispositivo. 

A evidência foi inequívoca. Não apenas era o mesmo espírito alegre e imprevisível de Don, como certos detalhes absolutamente convincentes foram apresentados e posteriormente testados. 

O manifestante indicou os nomes dos parentes e venceu com facilidade os primeiros (e ingênuos) testes propostos por Fuller.  Exemplo: “Você pode me dizer os nomes de suas irmãs?” Ele respondeu letra por letra: “Mary” e “Ann”. Fuller sabia que havia mais duas, pois estava conferindo os nomes com os que constavam num recorte de jornal que tinha nas mãos. E insistiu: “Pode dizer o nome das outras duas?” Prontamente a prancheta escreveu: 

– Veja o recorte que você tem nas mãos… 

“Isto foi surpreendente e inesperado, escreve Fuller. Começava a parecer que, fosse o que fosse, aquela energia ou força inteligente era alerta e perceptiva e também dotada de senso de humor.” 

Mas o Espírito desejava algo mais positivo. Pediu a Fuller que ligasse para sua filha Donna. Teria ele uma mensagem para ela? Tinha. Queria que a família não se preocupasse com ele. Estava bem e trabalhando como nunca. E para a esposa Alice? 

– Eu a amo. Esqueça-se de Don. Lágrimas não me ajudam muito a voltar (manifestar-se). 

No seu estilo telegráfico, queria dizer que as angústias da família que ficara na carne criavam-lhe dificuldades. 

No final de certa sessão, a prancheta escreveu algumas frases sem sentido aparente e uma pergunta incompreensível: 

– Os camundongos haviam deixado aquele armário da família? 

E logo depois outra frase incompreensível: 

– A cesta de “pennies” (moedinhas) que estava no quarto do rapaz. 

A mensagem concluía com uma palavra inequívoca de estímulo para Fuller. Deixasse de perder tempo (acumulando mais evidências do que já possuía em seu poder) e escrevesse o livro, pois a história precisava ser contada. “Vá para a máquina de escrever, para trabalhar. Chame Donna. Não use mais a prancheta hoje. Prossiga com a história. Até amanhã. Repo. Adeus.” 

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Encerrado o contato da noite, John Fuller sentou-se e escreveu uma carta cautelosa à filha de Don Repo, que também trabalhava como aeromoça. Falou do seu interesse em escrever uma reportagem absolutamente honesta sobre o acidente, dentro do tema geral da fragilidade da vida e da importância do conceito da sobrevivência. Gostaria de trocar ideias com Donna e sua mãe. Se elas concordassem, marcariam um jantar para conversarem, na próxima vez que ele fosse a Miami com Elizabeth Manzione. 

Para encurtar a história, Donna chamou-o ao telefone após alguns dias, pois a carta fora devolvida por causa de uma deficiência no endereço. 

O contato pessoal com Donna e Alice Repo foi dos mais agradáveis. Eram pessoas equilibradas, sensatas, inteligentes. Era evidente que se tratava de uma família extremamente unida e afetiva e certo que sentiam uma falta terrível de Don, mas estavam bravamente conformadas. Donna Repo era uma bela moça. 

Mas como John Fuller iria dizer-lhes que estivera “conversando” com Don Repo? Lá pelas tantas ele começou, cautelosamente: 

– Diga-me uma coisa – disse ele dirigindo-se a Alice Repo – isto pode parecer uma pergunta maluca, mas a senhora alguma vez teve certa dificuldade com uns camundongos, no que se poderia chamar de “armário da família”? 

Alice e a filha pareciam estateladas. 

– Como é que o senhor sabe disso? – perguntou Alice. 

– Eu sei que a pergunta parece tola – replicou Fuller.  

Não. A pergunta não era nada tola. Há poucos meses uns ratos haviam construído seu ninho no sótão que ficava acima do que eles chamavam de “quarto da família”. O único acesso ao sótão passava por dentro do armário do tal quarto. Era essa a explicação. Mas como é que John Fuller, um total desconhecido, poderia saber disso?

Quanto aos “pennies”, Don costumava colecionar todos os que tivessem a cabeça do índio que figurava nas moedas mais antigas. (Ainda me lembro deles, ao tempo em que vivi nos Estados Unidos. há mais de 25 anos.) Havia uma vasilha com uma quantidade deles no quarto do filho. 

– Mas quem falou disso ao senhor? Estou curiosa.

Fuller teve que explicar a origem de suas referencias. Alice Repo não se mostrou chocada, nem mesmo surpreendida. Apenas comentou que desde menina não brincava com a prancheta.

O encontro terminou com uma pequena sessão embora Fuller não tivesse planejado, na verdade a prancheta estava lá embaixo, no carro estacionado no hotel.

O pequeno dialogo com Donna e Alice foi a emocionante e tão caluniada trivialidade das verdades simples da vida. A confirmação do amor, a certeza de que as afeições profundas e sinceras atravessam facilmente as barreiras da “morte”. 

– Como vai você, minha filha especial. Beije Alison por mim (a outra filha). Querida Alice, eu te amo. 

E depois: 

– Alice Norko Repo, eu te amo. Nunca se esqueça, por favor. Eu te amo. Boa noite. 

Norko era o nome de solteira dela, que nem Fuller nem Elizabeth conheciam. Apenas um ponto ficou obscuro. Numa das sessões anteriores o Espírito usara a palavra “Sassy” referindo-se a Alice e esta não soube o que queria dizer. Nada lhe lembrava do termo. Além de seu sentido habitual de atrevido, insolente, impertinente, a palavra significa, em seu sentido coloquial, alinhado (ou alinhada). Era nesse sentido que Don certa vez a empregara. Brincava ele com a esposa a respeito de ela ficar um tanto gordinha e chamou-a afetuosamente de seu “amor gordinho e alinhado”. 

Passado algum tempo, ela se lembrou do episódio que havia esquecido totalmente. Ligou para John Fuller para confirmar. 

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John G. Fuller

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Estranho como pareça, após relutar tanto em admitir a realidade da vida póstuma com base em episódios tão sensacionais como os que havia conseguido obter, John Fuller deixara-se convencer por autênticas trivialidades. Uma palavra usada numa terna brincadeira íntima (“sassy”), camundongos no sótão de uma casa, uma quantidade de centavos numa cesta de papéis… 

– Juntos – escreve Fuller -, esses três fragmentos de evidência que, a princípio, pareceram sem sentido, finalmente me convenceram de que eu havia atendido aos rígidos parâmetros fixados pelo Prof. Hyslop. Era como se “houvéssemos recebido os mesmos incidentes por via telegráfica ou telefônica”. 

James H. Hyslop, professor de Ética e Lógica da Universidade de Columbia, fixara no seu livro “Ciência e Vida Futura” (1905) os padrões de segurança que, a seu ver, deveriam servir para avaliar a autenticidade das informações recebidas por via mediúnica. Teriam de ser como fatos que a gente fica sabendo pelo telégrafo ou pelo telefone, ou seja, legítimos, verificáveis, compreensíveis. 

John Fuller conclui seu livro explodindo mais um mito: há “fantasmas” bons também, como os de Don Repo e Bob Loft, que zelam pela segurança dos maravilhosos jatões que pilotaram com indiscutível competência “em vida”. Afinal de contas, não é só em remotos castelos ingleses que há fantasmas. 

– Não posso deixar de pensar – diz o autor, no último parágrafo de seu excelente livro – que, em algum ponto, Don Repo, com seu delicioso senso de humor, esta rindo conosco e não de nós. Que pode estar mesmo mostrando-nos que há muito mais sobre a nossa existência do que a ciência materialista gostaria que acreditássemos. E que ele se tornará uma gentil e benigna legenda que assombrará benevolamente o espaço aéreo por um longo tempo futuro.

Estamos de pleno acordo. Bob Loft e Don Repo não morreram em vão. Quebraram muitos tabus para perplexos componentes de uma comunidade inteligente, altamente qualificada do ponto de vista técnico e que vive num universo fechado de sofisticados computadores e complexos instrumentos de progresso material, mas que, ao contrario de qualquer xamã ou morubixaba indígena, que nunca entrou, e provavelmente, nunca entrará, num L-1011 para fazer o voo New York- Miami, desconhecem elementares princípios da vida.

A lição é importante para este mundo atormentado pelas agonias de uma época que se apaga como sol poente, mas que também nos adverte de que a luz voltará a brilhar na madrugada de uma nova era.

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EAST

* AS IMAGENS SÃO ESCOLHA E RESPONSABILIDADE 
DE BRUNO TAVARES

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui um artigo maravilhoso de um dos maiores estudiosos da mediunidade de todos os tempos, o querido Prof. Hermínio Corrêa de Miranda, que relata um dos mais extraordinários casos modernos de aparição de espíritos, com farta prova documental e vários testemunhos presenciais da tripulação do voo 401 da Eastern, desaparecida em fatídico e célebre acidente aéreo.

Que Jesus abençoe aos espíritos Comandante Robert Loft e ao Engenheiro Donald Reppo, nos seus esforços de desencarnados, por comprovarem a imortalidade da alma para uma humanidade, ainda, tão ignara e distanciada das coisas de Deus! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO
ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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