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Há algum tempo Morey Bernstein vinha fazendo experimentações com a hipnose. Não que fosse um especialista no assunto: era um empresário de certo porte em Pueblo, Colorado, nos Estados Unidos, e tinha a hipnose como espécie de “hobby”, que considerava a serio, sem exibicionismo, se bem que conhecendo mais acerca de sua metodologia do que de suas implicações espirituais. Para a noite de 29 de novembro de 1952, planejara uma experiência diferente, que ainda não havia tentado. Descobrira, na véspera, numa reunião social no clube que freqüentava, que Ruth Simmons, a jovem esposa de seu amigo Rex, oferecia excelentes condições para a hipnose profunda. Bernstein nunca  fora além da fase infantil com os seus sensitivos¹. Sem muito questionar o problema, não lhe  ocorria que alguém pudesse ter vivido antes de nascer. Mas, quem sabe? Não custava experimentar…

1. (Nota do autor: “Prefiro a palavra sensitivo, dado que a faculdade de alcançar os estados profundos da hipnose me parece uma sensibilidade do tipo mediúnico, que a palavra francesa “sujet”, usualmente empregada, está longe de caracterizar com propriedade. As narrativas produzidas em  estado de transe hipnótico ou magnético são, a meu ver, devidas a um fenômeno anímico, ou seja, uma comunicação ou relato do próprio espírito (encarnado) da pessoa em transe que, em vista do desdobramento, tem acesso a memória integral. Enquanto isso, a palavra “sujet”, ou a sua tradução literal “sujeito”, como muitos adotam, traz na sua estrutura semântica (posto debaixo) conotação incompatível com o que se observa no desenrolar da experiência de regressão de memória, na qual, ao contrario de estar cativo, sujeito, obrigado, constrangido (ver Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira), o sensitivo apresenta-se lúcido, seguro da sua vontade e consciente do que lhe convém ou não dizer e fazer.  A opção pelo termo sensitivo é também apoiada pela conveniência de distinguir, mas não dissociar, esse tipo de faculdade ou fenômeno da sensibilidade mediúnica habitual que diz respeito a comunicação originada por espíritos desencarnados.  Em suma, o sensitivo sob hipnose profunda é o médium  de seu próprio espírito.”)

A hora combinada, Ruth chegou a sua casa, em companhia do marido. Era um casal simpático, extremamente popular, interessado em diversões sadias e descontraídas. Rex era corretor de seguros. E dos bons. Na realidade, não estavam muito interessados naquela história da hipnose, haviam concordado em atenção ao amigo Bernstein e provavelmente por causa de uma pitadinha de curiosidade. Rex e Ruth Simmons são pseudônimos; o casal detesta publicidade e deseja – até hoje – manter-se no anonimato.

As 10h35m da noite, após o que Bernstein classifica como “cortes  intervalo de conversação”, a experiência começou. Ruth foi facilmente levada ao transe profundo e pouco a pouco regredida a infância, até a idade de um ano. Depois disso, Bernstein sugeriu – com esperança, mas sem muita convicção – que ela continuasse a recuar no tempo e falasse das cenas que lhe viessem a mente. Segundos depois  estava ele falando  com uma menina irlandesa do século XIX por nome Bridey Murphy, que acabava de dar vazão as suas frustrações em conseqüência de um castigo corporal e acabara de arranhar com as unhas o esmalte de sua cama de ferro recentemente pintada.

Começava ali naquele momento a desenrolar-se a historia da obscura mulher irlandesa, que suscitaria inesperado interesse público e acirradas controvérsias ao longo dos anos. Morey Bernstein realizou ao todo seis sessões com a relutante Ruth Simmons, entre 29 de novembro de 1952 e 1.o de outubro de 1953. A primeira edição de seu livro “The Search for Bridey Murphy”  foi lançada em 1.o de janeiro de 1956, embora um resumo do caso tenha sido publicado pelo “Empire Magazine”, numa série de três artigos (em 12, 19 e 26 de setembro de 1954) escritos pelo jornalista Willian J. Barker.

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O interesse suscitado pelos  artigos foi enorme, mas o livro provocou o que se poderia chamar de verdadeiro furor. Não menor foi a celeuma que suscitou, em virtude de apaixonadas contestações oriundas dos mais inesperados setores. Uniam-se no ataque maciço contra o adversário comum, segmentos importantes da imprensa, da medicina e da religião, além dos habituais desajustados de toda a sorte. Era preciso desmoralizar com urgência e esmagar de uma vez para sempre aquela inaceitável loucura da reencarnação. Todo mundo sabe que a gente vive uma só vida. A divergência está apenas em conceituar o que ocorre depois da morte. Alguns acham que tudo se acaba; outros pensam que a gente sobrevive de alguma forma vaga, que ainda não foi demonstrada, enquanto outros mais estão certos de que vamos todos para uma das possíveis destinações póstumas: céu, inferno ou purgatório. Esse o esquema básico que, com algumas variações de somenos importância, tem servido a maioria por milênios e milênios. E agora vinha um individuo por nome Bernstein dizer que a gente vive outras vidas… Mal decorridas duas semanas do lançamento do livro, o jornal “Dayly News”  de Chicago despachou para a Irlanda seu correspondente em Londres, por nome Ernie Hill. Este repórter percorreu apressadamente cerca de 425 quilômetros entre Cork, Dublin e Belfast. Por mais competente que fosse ele, seu trabalho ressentiu-se da escassez do tempo, pois ele dispunha de apenas três dias para a coleta do material. Seu relato – como era de se esperar – foi inteiramente negativo.

A essa altura, o “Post” de Denver decidiu enviar o jornalista Willian J. Barker a Irlanda, com uma dotação maior de tempo, a fim de examinar com mais vagar e imparcialidade o que havia realmente atrás da celeuma levantada pelo caso Bridey Murphy.  Foi a única investigação substancial realizada até hoje sobre o assunto. Seu texto – de 19000 palavras – foi publicado em 11 de março de 1956, sob o titulo “A  Verdade Sobre Bridey Murphy”, num suplemento de doze páginas.

Barker não tomou posição preconcebida sobre o caso, nem contra, nem a  favor. Seu trabalho é quase um diário, contando minuciosamente o que havia apurado em consulta a fontes documentais e a especialistas locais sobre os diversos aspectos da questão: geografia, história, costumes, tradições, lingüística. Embora ele tenha deixado as conclusões a cargo do leitor, é  evidente que seu trabalho incomodou muita gente. Artigos tendenciosos  sobre o caso Bridey Murphy começaram a aparecer por toda a parte, invocando “fatos desconhecidos” do grande público e emitindo opiniões, em lugar de trabalhar sobre informações concretas e comprovadas. Nesse engano, observa Barker, incorreu até mesmo uma revista do porte e do gabarito da “Life”.

 – Era vital em certos setores – escreveria Barker mais tarde –  destruir Bridey, porque Bridey simbolizava a reencarnação. E a reencarnação, na maior parte do nosso dogmático mundo ocidental, é  – para usar uma velha e odiosa palavra da Inquisição – anátema.

De onde partiam os mais virulentos ataques? Alguns psiquiatras (não todos, lembra Barker) e alguns psicólogos (com brilhantes exceções) não acreditam  em nenhuma espécie de vida póstuma, quanto mais em vida anterior! E havia também os chamados “religiosos” de várias denominações, para os quais ainda prevalecem os dogmatismos  da Idade Media. Por incrível que pareça, vociferavam também grupos intitulados “espíritas” ou, mais precisamente, “espiritualistas’ que, no dizer de Barker, eram “violentamente anti-Bridey”. Finalmente, o alarido vinha  ainda de seus próprios colegas de imprensa, rádio e televisão, para os quais “um bom desmentido”  vende tanto quanto a reportagem original.

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Essa fúria toda seria ridícula se não fosse tão lamentável. Afinal de contas, por que tanta gente de ânimo acirrado contra o caso Bridey Murphy? Seria a Reencarnação uma idéia tão perniciosa que fosse preciso mobilizar todo o poderio dos meios de comunicação contra ela? Ao que parece, o espantalho da Reencarnação estaria a exigir até o recurso da mentira, da meia-verdade, do rancor. Esse articulado movimento de opinião mereceria  por si só um estudo sociológico, em que entrasse uma boa dose de psicologia das multidões, a fim de ser possível descer as raízes do fenômeno. A nós espíritas praticantes e convictos  dos postulados da Doutrina, ocorre-nos uma reação de espanto, de perplexidade, quase de incompreensão. Ela é, porém, explicável e admissível. Nem todos os que aceitam a doutrina da Reencarnação, e fazem dela o que costumo chamar de elemento ordenador de sua filosofia de vida, se dão conta da tremenda força dessa idéia.Uma vez admitida a Reencarnação, desmorona-se inapelavelmente todo um elaborado edifício de dogmas, tanto religiosos como científicos, de crenças irracionais e de sofisticadas descrenças. Não é preciso argumentar indefinidamente com um descrente para convencê-lo;  se for suscetível de ser hipnotizado ou magnetizado, ele próprio falara de suas vidas anteriores com a maior naturalidade e convicção. Por outro lado, demonstrada a Reencarnação, a prova da sobrevivência do espírito a morte física baixa na escala das prioridades, porque se o espírito antevive (que o leitor desculpe o neologismo) é porque sobrevive.

A reencarnação é hoje um fato que a pessoa razoavelmente bem informada não pode recusar sumariamente sem exame. Primeiro, falaram dela remotos místicos egípcios e hindus. Muitos escritores, poetas, filósofos e artistas a admitiram. Há pouco mais de um século, os espíritas tomaram a palavra para falar dela e demonstrar a sua necessidade filosófica-religiosa para explicar certos enigmas da vida. De anos mais recentes para cá, médicos e cientistas, como o Dr. Ian Stevenson ou o Dr. Banerjee, começaram a catalogar casos de lembranças espontâneas em crianças, enquanto psiquiatras e psicólogos, como o Dr. Denys Kelsey ou a Dra. Edith Fiore, passaram a tratar de distúrbios emocionais pesquisando os traumas em existências pregressas. De tal forma cresceu o acervo de casos documentados que, embora ignorar a reencarnação seja direito de quem assim o desejar, negá-la aprioristicamente passou a ser, no mínimo, para usar uma palavra mais benigna, sintoma evidente de desinformação.

Seja como for, porém, para os que integram a multidão dos negadores, por conveniência, acomodação ou convicção bem-intencionada, a realidade  da reencarnação cria insuportáveis impactos, desarruma todo um universo íntimo, onde cada coisa tem um lugarzinho certo, onde tudo está automatizado, onde, enfim, a criatura está desobrigada do incomodo de pensar (tudo já foi pensado por ela) e livre de preocupações, temores e responsabilidades, desde que cumpra determinados rituais ou simplesmente ignore até a existência de Deus. É  muito mais fácil negar certas realidades do que assumi-las (no sentido moderno da palavra) e arcar com as conseqüências de nossos atos. Reencarnação implica ação e reação, falta e correção, abuso e reparação, tanto quanto remuneração do bem com a paz, do amor com a felicidade.

 Estas reflexões, que já se estendem um pouco além do que havia desejado, resultam da leitura do livro de Bernstein recentemente republicado com o texto original acrescido de uma introdução, anexos e dois capítulos (19 e 20) escritos pelo repórter Willian J. Barker.

Não me parece necessário estender-me aqui com a narrativa do caso em suas minúcias, porque o livro, já há muito traduzido para o português, foi amplamente divulgado no Brasil. Contentemos-nos com um breve resumo de sua história, a fim de podermos examinar outros aspectos do novo livro de Bernstein/Barker.

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Bridey Murphy, ou seja, Bridget Kathlen Murphy (Bridey é apelido), nasceu, segundo relato de Ruth Simmons, em 20 de dezembro de 1798, na pequena cidade de Cork, na Irlanda, e morreu em 1864, aos 66 anos de idade com algumas fraturas resultantes de uma queda na escadaria de sua casa em Belfast. Seu  irmão,  Duncan Blaine Murphy, era dois anos mais velho que ela. Outro irmão morreu aos quatro anos de “algo negro” (peste?). Bridey morava numa região chamada “The Meadows”, um tanto afastada do centro da vila. Casou-se em 1818, com 20 anos, portanto, com Brian MacCarthy, em Cork, mas foi viver em Belfast. Não tiveram filhos. Bridey afirma que tanto seu pai como seu marido eram “barristers”, ou seja, advogados, acrescentando mesmo que Brian havia sido professor na Universidade de Belfast, mas suspeita-se de que Bridey, por meio de Ruth, em transe hipnótico, tenha exagerado um pouco para o lado “snob” a posição social de sua família. É mais provável que seu marido tenha sido uma espécie de trabalhador burocrático da Universidade e não professor. Quanto a mim, tenho dúvidas acerca dessa suposição. Entre os casos de meu conhecimento direto ou indireto no campo da regressão de memória, não tenho notícia de um só no qual o sensitivo haja mentido deliberadamente para embelezar ou glamourizar a sua história, embora isto seja admissível.

Embora o relato dessas pesquisas tenha causado tamanho impacto na opinião pública – um milhão de exemplares do livro foram vendidos somente nos Estados Unidos – e suscitado considerável interesse e debates nem sempre serenos e honestos, Morey Bernstein admite não haver retirado tudo quanto podia dos diálogos com Ruth/Bridey, em virtude da sua inexperiência com o assunto. Conforme já observamos, ele dominava bem a técnica da hipnose, mas não tinha preparo suficiente para explorar, em todas as implicações, o conteúdo da memória integral de Ruth Simmons. Ao decidir fazer com ela uma tentativa de regressão pré-natal, Bernstein não estava pensando em reencarnação, que era apenas um vago (e rejeitado) conceito em sua mente;  ele agia movido por mera curiosidade, para observar o que ela diria.

Além do mais, nem Ruth nem o marido estavam interessados naquilo e, uma vez extinta a excitação inicial com a novidade das revelações, não tinham desejo algum de prosseguir aprofundando a busca.

Por tudo isso, a pesquisa apresenta “pontas” soltas que deixaram de ser adequadamente exploradas, bem como aspectos importantes que permaneceram obscuros ou informações fragmentarias que criaram enigmas. Estas falhas foram, em grande parte, responsáveis por algumas das mais importantes dificuldades posteriores na comprovação histórica da personalidade de Bridey Murphy. De qualquer forma, não seria fácil documentar a existência de uma obscura senhora no século passado numa pequena vila irlandesa, mas a abundância de informações certamente ofereceria melhores condições de confirmação.

A oportunidade era também excelente para uma ampliação da pesquisa, na qual se procurasse colher material de varias existências para montagem de um painel, no qual ficaria demonstrada a movimentação do carma de maneira racional e convincente. Isto, por certo, não teria feito calar os céticos e negadores contumazes, mas a pesquisa seria indefinidamente mais rica. Em certa ocasião, por exemplo, a moça em transe se refere a uma existência curtíssima em New Amsterdam (nome primitivo da atual New York). Ela teria morrido ainda infante, de uma doença grave, cujos sofrimentos reviveu sob hipnose. Bernstein retirou-a imediatamente do episódio, pois é  um experimentador muito cauteloso e orientado por seguro senso ético. Poderia, no entanto, remover a sensação de mal-estar e prosseguir regredindo ou progredindo a sensitiva.

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 Vejamos mais uma dessas “pontas” abandonadas e que certamente levariam a preciosos filões. Na sexta e ultima sessão, em 1.o de outubro de 1953, Ruth. já em transe, pergunta ao hipnotizador:
 – Quem é  você?

Era a primeira vez que ela perguntava. Tomado de surpresa, ele se lembra da recomendação de que, em situações semelhantes, acham alguns que o hipnotizador deve “projetar-se na situação”, assumindo uma identidade qualquer para reduzir “a possível confusão para o paciente”.

Minha experiência não é absolutamente essa. Tais perguntas indicam que o hipnotizador suscita uma vaga e ainda não localizada familiaridade  no espírito sensitivo em transe. Para ser mais específico: o sensitivo identifica entre eles alguma forma de relacionamento anterior. Alias, é o que se infere com toda clareza do diálogo que prossegue.

Bernstein dá uma resposta inócua:
      – Sou seu amigo.
      E a moça em transe comenta:
       – Já viajamos antes.
       – Via…? Já viajamos antes? – Pergunta ele aturdido.

Ela confirma. Ele não tem a menor idéia do conteúdo e significado do que ela acaba de revelar. Perdeu-se a oportunidade de identificar-se uma existência anterior de Bernstein, na qual ele teria conhecido Ruth Simmons, seja sob a personalidade de Bridey Murphy ou outra qualquer. Ele não explora a “deixa” . Comenta: “Muito bem. Agora você pode me  dizer quando você se casou?”.

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Nessa mesma sessão (a última) outra “ponta”  ficou perdida. Bernstein pergunta como eram iluminadas as ruas de Belfast naquela época. Bridey fica algo atrapalhada, pois, não sabe ao certo como funciona a coisa. Sugeriu que ele perguntasse a Brian, seu marido, pois isso não era coisa para mulher. O que ela sabia é que havia uns postes com luz. Alguém a acendia e ela ficava lá, queimando…

– Não sei disso.
    E conclui de maneira misteriosa:
  – Vou perguntar…

Bernstein especula entre parênteses sobre essa estranha afirmativa. Perguntar a quem? E mais uma oportunidade se esvai de obter informação que lhe seria preciosa. Bastaria perguntar e ela explicaria o que queria dizer com aquilo e com quem iria buscar o esclarecimento que lhe faltava. Geralmente, em tais situações, o ser desdobrado pela hipnose ou pelo magnetismo tem acesso a companheiros espirituais que acompanham os trabalhos, visíveis ou não ao sensitivo em transe.  Talvez por essas e outras razões, a revelação da existência de Bridey Murphy não foi muito convincente para a própria Ruth Simmons.

– Sei que existe algo nessa historia de Bridey Murphy – disse ela – mas de nenhuma forma afetou meu modo de pensar nesta existência.
      A frase é  significativa porque nos assegura que a Sra.  Simmons aceitou a idéia da reencarnação em si mesma, ao referir-se a sua existência atual, mas, também, porque na posse desse conhecimento não sentiu necessidade de fazer uma revisão de suas idéias.

Seus interesses culturais e emocionais são outros. Quanto ao marido, a certa altura das experiências se revela algo preocupado com a situação.
    – Olha – diz ele a Bernstein – o que eu quero é vender seguro e ser um sujeito normal; não desejo ser tachado de biruta ou excêntrico.

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Era, pois, com muita relutância que Ruth e o marido concordavam com as sessões. Não era segredo para ninguém que eles rejeitavam qualquer envolvimento maior com o “caso” Bridey Murphy e mesmo depois que as luzes da publicidade foram focalizadas sobre o assunto, houve o máximo cuidado em se manterem no anonimato suas verdadeiras personalidades e identidade social. Parece mesmo que, passada a fase das sessões, queriam mesmo esquecer o episódio para sempre a fim de não serem importunados. Por um lado, essa atitude foi positiva porque deixou bem claro que não fizeram aquilo por publicidade, dinheiro ou fama. Alias, Bernstein também dispõe de amplos recursos e mesmo a revista “Life”, embora criticando e procurando demolir a sua pesquisa, escreveu que ele era “um empresário de impecável reputação e honestidade”.

Com isso, porém, tornou-se impraticável elucidar certos aspectos obscuros da historia de Bridey Murphy e que somente Ruth Simmons em transe poderia esclarecer, acrescentando pormenores verificáveis, aparentemente triviais mas de grande valor testemunhal. Quando certas duvidas nesse sentido surgiram e se tornou imperiosa a necessidade de informações adicionais da parte de Bridey Murphy, Ruth Simmons já decidira fechar inapelavelmente a janela de comunicação com a senhora irlandesa do século XIX.

A despeito de todas essas dificuldades, porém, e das perguntas que ficaram sem resposta, bem como das críticas tendenciosas e malsubstanciadas, o repórter Willian J. Barker conseguiu reunir informações confiáveis suficientes para desmentir os desmentidos.

Havia, de fato, em Belfast, uma empresa que produzia cordas e outra que manufaturava artigos para fumantes, como Bridey dissera. Termos arcaicos que ela empregara também foram reconhecidos por especialistas. O jornalzinho que ela mencionara, o “News Letter” de Belfast, também existiu, bem como as lojas que ela indicou. Outros fatos, que pareciam anacrônicos a primeira vista, foram verificados exatos, como a existência de cama de ferro na Irlanda quando Bridey era uma garota ou a do curso de direito na Universidade local.

Era de ver-se, porém, a aparente segurança com que opiniões e preconceitos figuravam nos ataques em lugar  de fatos verificados ou verificáveis. Tudo era considerado valido desde que desmentisse a funesta e lamentável doutrina da reencarnação.

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A dificuldade em documentar a historia de Bridey Murphy era considerável. Primeiro porque não se tratava de uma personalidade conhecida e famosa que houvesse  deixado atrás de si registros históricos de confiança. Segundo porque  havia como que uma conspiração de silêncio e má-vontade para que a exígua safra de elementos de suporte para a sua historia não viesse a conhecimento  público senão vencendo tenaz oposição de certos círculos formadores da opinião  pública. Barker informa no texto que escreveu para o livro de Bernstein que  – (…) Não encontrei um só irlandês que estivesse disposto a crer que a memória de Bridey fosse possível. Convicções religiosas (particularmente fortes naquele pais, norte ou sul) eram uma barreira contra a abordagem sem preconceitos a idéia de uma mulher ter vivido mais de uma vez.

Outras pessoas, ainda que corteses e prestando informações valiosas, demonstravam invencível temor de se “envolverem” no caso, como se fosse algo criminoso ou censurável. Vejamos um caso destes.

Em lugar de usar o verbo moderno  “to bury” para descrever o seu enterro, Bridey dizia que seu corpo foi “ditched”. Não se conseguia provar, de inicio, que esse era o termo empregado naquela época na Irlanda. Até que uma senhora residente em Elmira, no Estado de New York, escreveu para dizer que seu avo Kelly usara o mesmo verbo arcaico de Bridey para dizer que na Irlanda as pessoas eram enterradas (“ditched”) umas sobre as outras. O horror da menina, que havia feito uma pergunta inocente, serviu para gravar para sempre na sua memória o estranho verbo. Volvidos tantos anos, ela prestava a informação de bom grado, mas com uma condição:
   – Não quero me envolver nesse negocio de Bridey…

A maioria, porém, era hostilmente negativa, Da mesma forma que no passado afirmava-se com total convicção e dogmatismo que a Terra era o centro do Universo ou que meteoritos não podiam cair do céu porque no céu não havia pedras, a atitude mais comum era de que ninguém pode viver senão uma vida… e ponto final!

Lamentável isso tudo, porquanto Bernstein alimentara a honesta e  ingênua esperança de que “os círculos acadêmicos se tornassem interessados nesse trabalho’. Ao escrever essas palavras, seu otimismo já se consumira nos embates da decepção. Faltou honestidade nas pesquisas, empreendidas aprioristicamente com o objetivo de desmoralizar a qualquer preço ou, no mínimo, tumultuar os fatos de forma a criar a imagem de um caso suspeito e indigno da atenção de pessoas serias.

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 Quem se dedicar com atenção (e isenção) ao estudo dos relatos, não terá duvidas em autenticar a realidade do caso Bridey Murphy, mas no espírito do público em geral, entre aqueles que mal examinam as manchetes escandalosas, Bridey Murphy acabou ficando como exemplo de engodo, armado por um grupo de gente mais ou menos inescrupulosa para ganhar dinheiro e prestigio.
    – Ah, sim… – dizem ainda hoje os mal informados. – Aquilo ficou provado que era uma “tapeação”, ou coisa parecida, não é mesmo?

Ao contrário, ninguém conseguiu destruir o conjunto de evidências apresentado por Bridey Murphy, ainda que alguns desses elementos não tenha sido possível documentar, como nomes de pessoas, localidades ou  fatos obscuros e inverificáveis. O mais foi tudo levantado cuidadosamente, como suas expressões arcaicas, referencias literárias e geográficas, costumes, danças e canções folclóricas, etc.

A imprensa, porém, não desistia, insistindo em fazer “revelações”  que “explicam tudo”. O conhecimento (notável) que Ruth Simmons em transe demonstrara da Irlanda do século XIX era fácil de ser explicado: segundo o “American” de Chicago, ela vivera por algum tempo com a sua tia Marie Burns, “que era tão irlandesa como os lagos de Kilkenny”. Seria algo extraordinário que a tia Marie houvesse conseguido transmitir tanta informação a sobrinha e que Ruth a houvesse retido com tamanha precisão e detalhamento. A questão, porém, é que tia Marie nascera em New York, nos Estados Unidos, e viveu a maior parte de sua vida em Chicago. Alem do mais, não há lagos em Kilkenny…

Quanto ao irmão que Bridey dissera ter morrido ainda infante de uma espécie de “peste negra’, o jornal “descobrira” que na vida atual Ruth tivera um irmãozinho, nascido morto em 29 de outubro de 1927. Observem o detalhe da data e o comentário de Ruth Simmons:
    –  Até que o jornal de Chicago publicasse a informação nunca ouvira eu falar que tive um irmão. É duro demais de acreditar.
     Versões posteriormente publicadas desses “fatos” excluíam o irmão inexistente de Ruth. Provavelmente o próprio jornal admitiu que era “demais…”

Seja como for, “Bridey estava certíssima em pelo menos duas dúzias de fatos que Ruth simplesmente não poderia ter conhecido neste pais (Estados Unidos) – escreve Barker -, mesmo que ela  se dispusesse deliberadamente a estudar as obscuridades irlandesas e certamente esses dados não foram trasmitidos a uma jovem de dezoito anos, nascida em Chicago, ao ouvir supostamente uma pessoa nascida em New York que nunca esteve na Irlanda.

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Por algum tempo, por exemplo,  não se conseguiu confirmar a existência de uma pequena moeda de dois pence a que Bridey se referira incidentalmente. Verificou-se, depois, através de colecionadores especializados em moedas britânicas que entre 1797 e 1850 circulou realmente a desconhecida moedinha de “tuppence”. É  nesses pormenores aparentemente triviais que se apóia um corpo de evidência indestrutível, mas quando se deseja demolir , inventa-se, mistifica-se, mente-se com a mais deslavada desinibição.

Outro exemplo? Certo  F. L. Marcuse escreveu no jornal “Report” o seguinte:
   – Bernstein alega sucesso rápido e infalível no uso da hipnose para toda e qualquer finalidade curativa.
     Totalmente falso. Bernstein escreveu exatamente o contrario:
     – Hipnotismo não é  panaceia.
     É o que consta do texto que faz acrescentar ao livro como Anexo C.

Uma psiquiatra – Margaretta K. Bowers – publicou um estudo para “explicar” o fenômeno. Na sua opinião, Bernstein tinha uma preocupação com a morte e uma ânsia de onipotência “que poderia ser considerada como resultante de seu senso de fraqueza em relação a figura do pai em sua vida, etc…”
    Em nota de rodapé, a Dra Bowers informava que alguém escrevera o trabalho para ela, e que uma terceira pessoa ajudara a preparar o material. Na realidade, ela própria deixou claro que nem sequer lera o livro de Bernstein!
    Para o Dr. Milton V. Kline, o relato de Bernstein construía “o quadro mais revelador de múltipla personalidade”.

Quando a identidade real de Ruth Simmons e de Rex vazou através de alguma indiscrição, o casal foi atormentado por ameaças de religiosos lunáticos e montes de cartas. Eles se recusaram sistematicamente a explorar comercialmente o episódio e permaneceram irredutíveis quanto as propostas de Bernstein para algumas sessões a mais, a fim de esclarecer certos aspectos, agora que ele sabia onde estavam as obscuridades mais criticas a esclarecer.

É pena. Sem dúvida, porém, qualquer reavaliação honesta da celeuma e da controvérsia suscitada pelo caso Bridey Murphy não poderá deixar de confirmar a realidade da reencarnação. Volvidos os anos de “desmentidos” e abusos contra o livro, verifica-se que o trabalho resistiu bem, apoiado nos fatos que constituem suas bases. Depois dele, outros estudos sobre a regressão de memória apareceram por toda a parte, com maior ou menor impacto e acervo de informações documentadas. O de Bernstein teve o mérito do pioneirismo em termos de nossa época, de vez que trabalhos como os de Albert de Rochas jazem esquecidos e abandonados há mais de meio século. Sem dúvida alguma, Bernstein colocou a Reencarnação nas manchetes.  Se o “establishment” a rejeitou maciçamente, a culpa não é dele – trata-se de foro íntimo  de cada um, onde impera soberano, mas não absoluto, o livre-arbítrio individual. Um dia aquele que não quis optar livremente pela verdade que lhe foi oferecida se verá compelido pela sua força irresistível a admiti-la. Nesse ponto, uma faixa maior ou menor de tempo terá sido perdida para sempre, mas o que é o tempo senão outro sempre que nem sempre compreendemos? Deus é um ser paciente e amigo de todas as suas criaturas. Do contrario, não criaria a eternidade para que jamais nos falte tempo para cicatrizar as chagas das nossas vaidades e mazelas outras.

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* AS IMAGENS E VÍDEOS SÃO ESCOLHA E
RESPONSABILIDADE DE BRUNO TAVARES

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui mais um artigo-obra prima deste verdadeiro Ernesto Bozzano do Brasil, que de igual forma ao grande psiquista italiano escrevia em profusão, mas sempre com um talento de pesquisador admirável: O Prof. Hermínio Corrêa de Miranda. Hoje o velho Hermínio nos brinda com um dos mais famosos casos de reencarnação obtido pela regressão às vivências passadas, o caso da jovem Sra. Bridey Murphy, que se lembrava de uma encarnação sua na Irlanda do Norte.

Que Jesus abençoe ao Prof. Hermínio C. Miranda e a todos aqueles que atestam de forma probante a beleza e a realidade da Palingenesia ou das Vidas Sucessivas! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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A MENSAGEM DE HOJE DE BRUNO

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO
ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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Francisco e Clarinha de Assis

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