.

.

kardeceoracismo3

.

“[…] os Espíritos superiores querem que o nosso julgamento se aperfeiçoe em discernir o verdadeiro do falso, o que é racional daquilo que é ilógico.” (ALLAN KARDEC)
.

Nós, para ser bem sinceros, não concordamos que Kardec esteve preso ao conceito de época, em relação à crença de que os negros seriam seres inferiores, porquanto, em suas obras claramente se vê que ele foi totalmente contra qualquer tipo de preconceito, incluindo o de raça.

Veja, caro leitor, estes trechos que transcrevemos do nosso ebook Racismo em Kardec?, um estudo bem profundo do assunto, que, infelizmente, poucos espíritas o conhecem. Estaremos colocando de acordo com a ordem que aparecem no texto, e, adiantamos que as páginas em referência podem não ser exatamente a citadas, visto que, em alguns casos, tomamos parte dos trechos:

Em 1828, Kardec publica o Plano proposto para a melhoria da Educação Pública; portanto, contava apenas 24 anos, mas já lhe sobressaía o caráter de educador. Vejamos o seguinte trecho da citada obra:

Ora, que se examine o interior das famílias e que se calcule a multidão de lamentáveis impressões que as crianças estão em condições de receber, frequentemente desde o berço, seja por fraqueza materna, seja por maus exemplos e por maus conselhos de domésticos, seja por uma infinidade de circunstâncias; que se examine em seguida a organização da maior parte das casas de educação e a quantidade infinita de impressões perniciosas, que resultam ou da própria organização, ou da imperícia, da ignorância, da brutalidade das pessoas que se empregam para colaborar na educação; desta multidão de empregados subalternos que saindo de suas aldeias[*] creem saber educar os homens e fazer deles notáveis cidadãos, porque sabem um pouco de latim; sem contar as frequências perigosas e sobretudo os costumes depravados que são, comumente nessas casas, o resultado da negligência ou da imprevidência e que fazem os estragos mais terríveis. […].

[*] Certamente, não está no meu pensamento, nem nos meus princípios, desprezar ninguém, e menos ainda de rebaixar o nascimento de quem quer que seja, pois nenhuma classe tem o privilégio exclusivo de dar à sociedade homens estimáveis; minha observação não aponta pois para a condição em si mesma, mas para o vazio que esta condição pode deixar no professor, se este não puder preenchê-lo por si mesmo. (N.A.). (INCONTRI e GRZYBOWSK, 2005, p. 66, grifo nosso).

.

PLANOAK

.

Kardec, em nota, esclarece o seu pensamento, de forma que é fácil perceber que a sua formação não lhe permitia discriminar as pessoas, por motivo nenhum, fato não levado em conta pelos detratores do Espiritismo, uma vez que pouco ou nada sabem sobre ele.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus”. E, ainda ressaltando suas qualidades, arrematou categórico: “Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam” (KARDEC, ESE, 1990, p. 285, grifo nosso).

De dois povos que tenham chegado ao mais alto grau da escala social, somente pode considerar-se o mais civilizado, na verdadeira acepção do termo, aquele onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência possa desenvolver-se com maior liberdade; onde os preconceitos de casta e de nascimento sejam menos arraigados, porque tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; onde as leis não consagram nenhum privilégio e sejam as mesmas para todos, tanto para o último, como para o primeiro; onde a justiça se exerça com menos parcialidade; onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam mais bem respeitadas; onde haja menos infelizes; enfim, onde todo homem de boa vontade esteja certo de não lhe faltar o necessário. (KARDEC, LE, 2006, p. 436-437, grifo nosso).

Estar-se-ia em erro considerando-se a Sociedade de Paris como uma reunião exclusivamente aristocrática, porque ela conta mais de um proletário em seu seio; acolhe todos os devotamentos à causa que sustenta, que venham do alto ou do baixo da escala social; o grande senhor e o artesão se dão a mão fraternalmente. Há algum tempo, ao casamento de um de nossos colegas, trabalhador também, assistiam um alto dignatário estrangeiro e a princesa sua mulher, ambos membros da Sociedade, que não tinham acreditado derrogar vindo sentar-se lado a lado com os outros assistentes, embora o luxo da cerimônia, celebrada numa capela obscura de uma opulenta paróquia, estivesse reduzida à sua mais simples expressão. É que o Espiritismo, sem cogitar uma igualdade quimérica, sem confundir as classes, sem pretender fazer passar todos os homens sob o mesmo nível social impossível, fá-los apreciar de um outro ponto de vista do que o prisma fascinante do mundo; ensina que o pequeno pode ter sido grande sobre a Terra, que o grande pode tornar-se pequeno, e que no reino celeste as classes terrestres não são contadas por nada. Assim é que, destruindo logicamente os preconceitos sociais de castas e de cor, conduz à verdadeira fraternidade. (KARDEC, RE 1863, 2000a, p. 297-298, grifo nosso).

.

kardef

.

O Espiritismo, com efeito, é um laço fraternal que deve conduzir à prática da caridade cristã todos aqueles que o compreendam em sua essência, porque tende a fazer desaparecer os sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme que dividem os homens; mas essa fraternidade não é a de uma seita; para ser segundo os divinos preceitos do Cristo, ela deve abraçar a Humanidade toda, porque todos os homens são os filhos de Deus; se alguns estão afastados, ele manda lamentá-los; proíbe odiá-los. Amai-vos uns aos outros, disse Jesus; não disse: Amai aqueles que pensam como vós; por isso, quando os nossos adversários nos atiram pedras, não devemos nunca lhes devolver as maldições: esses princípios serão sempre daqueles que os professam, de homens que não procurarão nunca na desordem e no mal do seu próximo, a satisfação de seus interesses ou de suas paixões.(KARDEC, RE 1858, 2001b, p. 204, grifo nosso).

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade. (KARDEC, GE, 1995, p. 31, grifo nosso).

Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade. Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros.

Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em consequência, aceitáveis por todos. (KARDEC, GE, 1995, p. 414 415, grifo nosso).

Essa fase já se revela por sinais inequívocos, por tentativas de reformas úteis e que começam a encontrar eco. Assim é que vemos fundar-se uma imensidade de instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras, sob o influxo e por iniciativa de homens evidentemente predestinados à obra da regeneração; que as leis penais se vão apresentando dia a dia impregnadas de sentimentos mais humanos. Enfraquecem-se os preconceitos de raça, os povos entram a considerar-se membros de uma grande família; pela uniformidade e facilidade dos meios de realizarem suas transações, eles suprimem as barreiras que os separavam e de todos os pontos do mundo reúnem-se em comícios universais, para as justas pacíficas da inteligência. (KARDEC, GE, 1995, p. 415, grifo nosso).

.

chavepg1

.

Não creiais, senhores, que esta espontaneidade que vos levou a vos nreunir aqui seja um fato puramente pessoal; esta reunião, disso não duvideis, tem um caráter pessoal e providencial; uma vontade superior a provocou; mãos invisíveis a isso vos impeliram, com o vosso desconhecimento e talvez um dia ela marcará nos fatos do Espiritismo. Possam nossos irmãos futuros se lembrarem deste dia memorável em que os Espíritas lioneses, dando o exemplo de união e de concórdia, colocaram, nesses novos banquetes o primeiro passo da aliança que deve existir entre os Espíritas de todos os países do mundo; porque o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos da cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do Espírito são eternos. Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecem essas anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje. Mas isto é obra do tempo, deixemos a Deus o cuidado de fazer chegar cada coisa à sua hora; esperemos tudo de sua sabedoria e agradeçamo-lo somente por nos ter permitido assistir à aurora que se eleva para a Humanidade, e de nos ter escolhido como os primeiros pioneiros da grande obra que se prepara. Que ele se digne derramar a sua bênção sobre esta assembleia, a primeira onde os adeptos do Espiritismo estão reunidos em tão grande número, num sentimento de verdadeira confraternização.

Digo verdadeira confraternização, porque tenho a íntima convicção de que todos aqui presentes, não trazem nenhuma outra; mas não duvideis que numerosas coortes de Espíritos estão aqui entre nós, que nos escutam neste momento, espiam todas as nossas ações, e sondam os pensamentos de cada um, investigando sua força ou sua fraqueza moral. Os sentimentos que os animam são bem diferentes; se uns estão felizes com esta união, outros, crede-o bem, estão horrivelmente enciumados com ela; saindo daqui, vão tentar semear a discórdia e a desunião; cabe-vos a todos vós, bons e sinceros Espíritas, provar-lhes que perdem seu tempo, e que se enganam crendo encontrar aqui corações acessíveis às suas pérfidas sugestões. Invocai, pois, com fervor a assistência de vossos anjos guardiães, a fim de que afastem de vós todo pensamento que não seria para o bem; ora, como o mal não pode ter a sua fonte no bem, o simples bom senso nos diz que todo pensamento mau não pode vir de um bom Espírito, e um pensamento é necessariamente mau quando é contrário à lei de amor e de caridade; quando ele tem por móvel a inveja e o ciúme, o orgulho ferido, ou mesmo uma pueril suscetibilidade de amor-próprio melindrado, irmão gêmeo do orgulho, que levaria a olhar seus irmãos com desdém. Amor e caridade para todos, disse o Espiritismo; amarás a teu próximo como a ti mesmo, disse o Cristo: isto não é sinônimo? (KARDEC, RE 1861, 1993c, p. 296-303, grifo nosso).

.

aklil2

.

Admira-se, frequentemente, que a doutrina da reencarnação não haja sido ensinada na América, e os incrédulos não deixaram de nisso se apoiar para acusar os Espíritos de contradição. Não repetiremos aqui as explicações que demos, e que publicamos, sobre esse assunto, nos limitaremos a lembrar que nisso os Espíritos mostraram a sua prudência habitual opiniões; o ponto essencial era a adoção do princípio, e para isso não quiseram estar embaraçados em nada; não ocorria o mesmo em todas as suas consequências, e sobretudo da reencarnação, que se chocaria contra os preconceitos da escravidão e da cor.

A ideia de que o negro poderia tornar-se um branco; que um branco poderia ter sido negro; que um senhor pudera ser escravo; pareceu de tal modo monstruosa que bastou para fazer rejeitar o todo; os Espíritos, pois, preferiram sacrificar, momentaneamente, o acessório ao principal, e sempre dissemos que, mais tarde, a unidade se faria sobre este ponto como sobre todos os outros. Foi, com efeito, o que começou a ocorrer: várias pessoas do país nos disseram que essa doutrina encontra ali, agora, numerosos partidários; que certos Espíritos, depois de tê-la feito pressentir, vêm confirmá-la. […].(KARDEC, RE 1862, 1993d, p. 50, grifo nosso).

Nós, nós trabalhamos para dar a fé àqueles que não creem em nada; a difundir uma crença que torna os homens melhores uns para com os outros, que lhes ensina a perdoar seus inimigos, a se olharem como irmãos sem distinção de raças, de castas, de seitas, de cor, de opinião política ou religiosa; uma crença, em uma palavra, que faz nascer o verdadeiro sentimento da caridade, da fraternidade e dos deveres sociais. […]. (KARDEC, RE 1863, 2000a, p. 57, grifo nosso).

Nos Estados Unidos, o dogma da reencarnação viria a se chocar contra os preconceitos de cor, tão profundamente enraizados nesse país; o essencial era fazer aceitar o princípio fundamental da comunicação do mundo visível e do mundo invisível; as questões de detalhe deveriam vir em outro tempo. Ora, não é duvidoso que esse obstáculo acabará por desaparecer e que um dos resultados da guerra atual será o enfraquecimento gradual dos preconceitos que são uma anomalia numa nação tão liberal.

Se a ideia da reencarnação não é ainda aceita nos Estados Unidos de maneira geral, o é individualmente por alguns, senão como princípio absoluto, ao menos com certas restrições, o que já é alguma coisa. (KARDEC, RE 1862, 1993a, p. 148-149, grifo nosso).

Um tal prodígio, mesmo fazendo uma larga parte ao exagero, seria o mais eloquente discurso de defesa em favor da reabilitação da raça negra, num país onde o preconceito da cor está tão enraizado; e, se não pode ser explicado pelas leis conhecidas da ciência, o será de maneira mais clara e mais racional pela da reencarnação, não de um negro num negro, mas de um branco num negro, porque uma faculdade instintiva tão precoce não poderia ser senão a lembrança intuitiva de conhecimentos adquiridos numa existência anterior.

.

kree

.

Mas, então, diz-se-á, isso seria uma queda do Espírito de passar da raça branca para a raça negra? Queda de posição social, sem dúvida, o que se vê todos os dias, quando, de rico se nasce pobre, ou de senhor servidor, mas não retrocesso do Espírito, uma vez que teria conservado suas aptidões e suas aquisições. Essa posição seria para ele uma prova ou uma expiação; talvez mesmo uma missão, a fim de provar que essa raça não está votada pela Natureza a uma inferioridade absoluta. Raciocinamos aqui na hipótese da realidade do fato, e pelos casos análogos que poderiam se apresentar. (KARDEC, RE 1866, 1993b, p. 280-282, grifo nosso).

As reflexões que fizemos a propósito da menina de Toulon se aplicam naturalmente a Tom, o cego. Tom deve ser um grande músico ao qual basta ouvir para estar no caminho daquilo que soube. O que torna o fenômeno mais extraordinário é que se apresenta num negro, escravo e cego, tríplice causa que se oporia à cultura de suas aptidões nativas, e apesar da qual elas se manifestaram na primeira ocasião favorável, como um grão germina aos raios do sol. Ora, como a raça negra, em geral e sobretudo no estado de escravidão, não brilha pela cultura das artes, disto é preciso concluir que o Espírito de Tom não pertence a essa raça; mas que nela se encarnou, seja como expiação, seja como meio providencial de reabilitação desta raça na opinião, mostrando do que ela é capaz.

Muito se disse e muito se escreveu contra a escravidão e o preconceito de cor; tudo o que se disse é justo e moral; mas não era senão uma tese filosófica. A lei de pluralidade das existências e da reencarnação vem acrescentar-lhe a irrefutável sanção de uma lei da Natureza que consagra a fraternidade de todos os homens. Tom, o escravo, nascido e aclamado na América, é um pretexto vivo contra os preconceitos que reinam ainda naquele país. (KARDEC, RE 1867, 1999, p. 51, grifo nosso).

O progresso intelectual realizado até este dia, nas mas vastas proporções, é um grande passo, e marca a primeira fase da Humanidade, mas sozinho é impotente para regenerá-la; enquanto o homem for dominado pelo orgulho e pelo egoísmo, utilizará sua inteligência e seus conhecimentos em proveito de suas paixões e de seus interesses pessoais; é por isso que os aplica ao aperfeiçoamento dos meios de prejudicar aos outros e de se entre destruírem.

Só o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra, colocando um freio às más paixões; só ele pode fazer reinar entre eles a concórdia, a paz, a fraternidade. Será ele que abaixará as barreiras dos povos, que fará tombar os preconceitos de casta, e calar os antagonismos de seitas, ensinando aos homens a se olharem como irmãos, chamados para se entre ajudarem e não viverem às expensas uns dos outros. Será ainda o progresso moral, secundado aqui pelo progresso da inteligência, que confundirá os homens numa mesma crença, estabelecida sobre as verdades eternas, não sujeitas à discussão e, por isto mesmo, aceitas por todos. A unidade de crença será o laço mais poderoso, o mais sólido fundamento da fraternidade universal, quebrado em todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem ver no próximo inimigos que é preciso fugir, combater, exterminar, em lugar de irmãos que é preciso amar.

.

fraterra

.

Um tal estado de coisas supõe uma mudança radical nos sentimentos das massas, um progresso geral que não poderia se realizar senão saindo do círculo das ideias estreitas e terra-a-terra que fomentam o egoísmo. Em diversas épocas, homens de elite procuraram conduzir a Humanidade nesse caminho; mas a Humanidade, embora muito jovem, permaneceu surda, e seus ensinos foram como a boa semente caída sobre a pedra. Hoje, ela está madura para levar seus olhares mais alto do que ela não o fez, para assimilar as ideias mais amplas e compreender o que não tinha compreendido. A geração que desaparece levará com ela seus preconceitos e seus erros; a geração que se levanta, temperada numa fonte mais depurada, imbuída de ideias mais sadias, imprimirá ao mundo o movimento ascensional no sentido do progresso moral, que deve marcar a nova fase da Humanidade. Esta fase já se revela por sinais inequívocos, por tentativas de reformas úteis, pelas ideias grandes e generosas que vêm à luz e que começam a encontrar ecos. Assim é que se vê se fundar uma multidão de instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras, sob o impulso e pela iniciativa de homens evidentemente predestinados à obra da regeneração; que as leis penais se impregnam cada dia de um sentimento mais humano. Os preconceitos de raça se enfraquecem, os povos começam a se olhar como os membros de uma grande família; pela uniformidade e a facilidade dos meios de transação, suprimem as barreiras que os dividiam de todas as partes do mundo, se reúnem em comícios universais pelos torneios pacíficos da inteligência. Mas falta a essas reformas uma base para se desenvolver, se completar e se consolidar, uma predisposição moral mais geral para frutificar e se fazer aceitas pelas massas.

Este não é menos um sinal característico do tempo, o prelúdio daquilo que se realizará sobre uma mais vasta escala, à medida que o terreno se tornar mais propício. (KARDEC, RE 1866, 1993b, p. 289-301, (grifo nosso).

E aqui terminamos as transcrições do nosso texto do ebook Racismo em Kardec?.

A quem teve o trabalho de pesquisar, fica clara a posição de Kardec, que, em hipótese alguma, se coadunava com qualquer tipo de discriminação pela qual se pudesse separar os homens. Percebe-se também que ele destaca muito mais o valor do Espírito, que o corpo físico com o qual ele se encontra, temporariamente, revestido.

Recomendamos a todos o nosso texto citado, porquanto, os textos de Kardec que, geralmente, são usados para tê-lo à conta de um racista, são analisados um a um. Fizemos isso tomando-se como premissa básica o pensamento dele aqui resumindo nestes trechos que transcrevemos aqui, nesse pequeno resumo.

.
Paulo da Silva Neto Sobrinho

paulin

.

Referências bibliográficas:
INCONTRI, D. e GRZYBOWSKI, P. Kardec Educador – Textos pedagógicos. Bragança Paulista, SP: Comenius, 2005.
KARDEC, A. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1990.
KARDEC, A. Revista Espírita 1858. Araras, SP: IDE, 2001b.
KARDEC, A. Revista Espírita 1861. Araras, SP: IDE, 1993c.
KARDEC, A. Revista Espírita 1862. Araras, SP: IDE, 1993d.
KARDEC, A. Revista Espírita 1863. Araras, SP: IDE, 2000a.
KARDEC, A. Revista Espírita 1866. Araras, SP: IDE, 1993b.
KARDEC, A. Revista Espírita 1867. Araras, SP: IDE, 1999.

.

brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui mais um artigo do meu querido amigo Paulo Neto, das Minas Gerais, desta vez um artigo da hora, bem a contento e necessário, quando estamos a ouvir tantas aleivosias de almas perniciosas que atacam a Doutrina Espírita, procurando assacar de forma atrevida ao genial mestre de Lyon o epíteto de RACISTA! Durmamos com um barulho desse!

Mas nada de tão ruim que não possa piorá um pouco, quando espíritas sem uma apreensão maior da figura humana que tratam, e desonram, somam-se a esse cordel encantado dos que perderam a razão, transferindo para um espírito de escol o mesmo e vergonhoso epíteto.

A pesquisa do Paulo enche-nos o coração de satisfação, num texto claro, culto, majestoso, de alguém que apreende as noções doutrinárias e sabe avaliar a alma missionária que veio inaugurar na Terra a Era da Fé Raciocinada, sob O Pálio de Jesus!

Gostaria de encerrar este meu comentário dizendo: Kardec foi um craque e um craque como ele, missionário, NÃO PISA NA BOLA, principalmente numa questão tão sensível como essa, isso é coisa de creca ou de perronha!

Obrigado querido Paulo Neto, por mais essa contribuição magnífica! Que Jesus o abençoe sempre! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

.

.

ojantark

AS IMAGENS E VÍDEOS SÃO ESCOLHA
E RESPONSABILIDADE DE BRUNO TAVARES

.

.

PPNET2

PAULO NETO PARA O NOSSO BLOG
CLICK NA IMAGEM ACIMA E LEIA

.

.

colonias

 .
.

 chverdec1

.

QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO
ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

bfcblog1

.

Francisco e Clarinha de Assis

Patronos deste Blog

.

fcc

.

.

cqchcc