.

.

.

DIVCOM2

A DIVINA COMÉDIA E O ESPIRITISMO. PELO ESCRITOR ESPÍRITA PAULO REZENDE

.

.

DANTE1

.

Estou aos poucos vencendo o desafio adiado há algumas décadas: ler a Divina Comédia, do poeta florentino Dante Alighieri, com os olhos de um espirita.

É uma aventura fascinante, pois combina tudo o que esperamos de uma obra clássica: imaginação fértil, descrição minuciosa das cenas e personagens,  profundas reflexões filosóficas e riqueza de estilo.

Muitos críticos a consideram no mesmo nível dos clássicos épicos  da literatura ocidental, ao lado de Homero, Virgílio, Shakespeare, Cervantes, sem que, no entanto, se possa designá-la como épico, e sim mais apropriadamente como uma fusão de todos os gêneros. 

Síntese perfeita de Religião, Ciência e Filosofia, foi considerada por Schelling “o poema dos poemas.”

A Divina Comédia é essencialmente um poema descritivo, simétrico, ritmado (terceira rima),  cujos versos compõem tercetos, agrupados em Cantos , ricos em imagens, pensamentos e sentimentos.

Algo sempre me intrigou: Por que Comédia, se nada do que está narrado tem qualquer coisa de cômico? A resposta obtive-a há pouco tempo: na Antiguidade e mesmo na Idade Média- época em Dante viveu, as obras literárias que tinham um final feliz para os personagens eram classificadas como Comédia, no caso termina no Paraíso, e as de final oposto como Tragédia.

E por que Divina, se Dante a havia originalmente intitulado apenas Comédia? Segundo a Wikipédia, Boccaccio a rebatizou com o adjetivo Divina, provavelmente por muito admirá-la, foi publicada pela primeira vez, com este título, em 1555.

Um pouco sobre Dante e a Divina Comédia:

. Nasceu em Florença em 1265 , em família modesta(seu pai foi serventuário de justiça), mas politicamente ativa, e faleceu em Ravena em 1321.

.  Sua instrução básica foi dada pelos frades franciscanos do Convento de Santa Cruz e mais tarde na renomada escola de Bruneto Latino, do qual recebeu considerável influencia cultural e espiritual. Frequentou durante alguns meses a Universidade de Bolonha- a mais importante da Peninsula, dedicando-se aos cursos de ciências naturais, escolástica e Filosofia clássica. 
Desejando, mais tarde, ocupar cargo público em Florença, por exigência legal, que visava afastar da vida pública os fidalgos ociosos, que possuíam apenas títulos nobiliárquicos,  habilitou-se na Corporação dos médicos e farmacêuticos.

. Envolveu -se em disputas políticas que lhe valeram o exílio definitivo  de Florença. O banimento da terra natal, o confisco dos seus bens e as lutas fratricidas entre os Estados  pesaram amargamente na vida do poeta.

. Era Católico, e seu pensamento seguia a orientação doutrinária de São Tomás de Aquino, cuja teologia mística e dialética exerceu poderosa influência sobre Alighieri. 
A obra foi escrita em dialeto toscano, semelhante ao italiano atual,  provavelmente no perÍodo 1308 a 1320, concluída, portanto, um ano antes de sua morte.

. É composta por três Cânticos (Inferno, Purgatório e ParaÍso), cada qual com 33 Cantos. Há um Canto inicial que serve como introdução ao poema, inserido no primeiro Cântico, totalizando 100 Cantos, 14.233 versos, compondo 4.774 tercetos.

. Dante é também personagem do poema-o único vivo- no qual descreve sua viagem, em sonho, pelos três reinos eternos, relatando, detalhadamente, como vivem os Espíritos após a morte, começando pelos tormentos do Inferno.

.

BEATRIZ1

.

. Dois outros personagens são centrais na obra: Virgílio, poeta romano, é o Espirito que o guia no Inferno e no Purgatório.

. Beatriz, seu amor platônico juvenil, é o seu guia espiritual na maior parte da jornada ao Paraíso. Seu ultimo guia no ParaÍso é São Bernardo, que o aproxima, pela prece, da virgem Maria, para que esta possibilite a Dante a visão de Deus. Além dessas, muitas outras personalidades reais, mitológicas e fictícias aparecem no desenvolvimento do poema. A essas personagens associam-se virtudes e vícios humanos e seus destinos espirituais após a morte.

. A morte inesperada de Beatriz, aos 24 anos, golpeou-o profundamente- ficava em êxtase quando a via, considerando-a um anjo de Deus, decidindo não mais falar dela em suas poesias, até que dela pudesse tratar de forma mais condigna, exaltando-a como jamais houvesse alguém feito a outra dama. Segundo críticos, aí se localiza o móvel central da inspiração da Divina Comédia, ao lado de suas meditações filosóficas, hauridas nos clássicos greco-romanos, e alguns anglo-saxões, que antes dele já haviam descrito, não com a mesma maestria,  os mistérios do Inferno e do Purgatório. 

É também notório que a  condição humana, sua temporalidade e o destino após a morte sempre inspiraram os homens de gênio.

. A estrutura do poema é complexa, numa sucessão de círculos concêntricos e esferas, conforme a astronomia vigente, assim como  referências  mitológicas, politicas e religiosas. As disputas politicas entre os Estados peninsulares, nas quais Dante tomou parte ativa, como homem de estado, permeiam de forma marcante toda a obra. Metáforas , alegorias e até profecias  também dificultam sobremaneira o seu entendimento. 

. Os círculos e esferas funcionam como degraus de ascensão para os Espíritos  virtuosos que vão para o Paraíso, de decesso para os que, pelos seus pecados, vão para os círculos mais profundos do Inferno, o ultimo Circulo, o nono, fica no centro da terra, para onde vão os maiores pecadores ou os que vão percorrer as estações de purificação do Purgatório. 

. Os reinos visitados por Dante estão na  terra (mais precisamente no hemisfério sul): O Inferno em suas profundezas, o Purgatório num Monte (sobre uma ilha) e o Paraíso do topo deste  Monte  em direção ao firmamento. Tais reinos não são  visíveis aos olhos humanos, mas reais e concretos para os Espíritos que os habitam, como se poderá verificar na narrativa de Dante.

. Afirmam os especialistas que Dante inspirou-se menos no texto bíblico, do que nas mitologias greco-romanas, para escrever sua obra. 

. A única referência deixada pelo próprio Dante para orientar a leitura, interpretação e compreensão da Divina Comédia foi uma carta dirigida ao Senhor de Verona, Cangrande della Scala, em 1320, quando foi presenteá-lo com um exemplar da obra. Esta carta é que tem servido de subsídio aos estudiosos e comentadores.

.

circu2

.

Antes de começarmos o exame da obra e os pontos em que, ainda muito superficialmente, pudermos contar com o auxílio da Doutrina Espirita para entendê-la melhor, convém ressaltar a importância das notas explicativas e os comentários do tradutor, Cristiano Martins, sem os quais o entendimento do poema é impossível.

Tendo em conta a extensão, mais de 14.000 versos, e a dificuldade interpretativa da obra, a sua abordagem tem que ser bem gradual, requerendo muita  energia mental e tempo de meditação para explorá-la produtivamente.
Isto nos condiciona, por conseguinte, a apenas identificar e buscar compreender alguns pontos de tangência entre a obra e o que nos ensina a Doutrina Espirita, principalmente no que relaciona  à existência das paisagens espirituais, sua concretude, a vida dos Espíritos e suas relações no Além.

Olharemos, pois, alguns detalhes, cientes de que, em seu conjunto, a visão espirita sobre o homem, de sua origem ao seu destino,  e a justiça divina, são antípodas da concepção católica medieval, esposada por Dante, e que, infelizmente, ainda perdura.

Tenho em mãos  a segunda edição de A Divina Comédia, em dois volumes,  publicada em 1979, numa edição conjunta das editoras USP e Itatiaia.
Então vamos ao trabalho, contando com a boa inspiração, se o propósito for útil e nobre.

A primeira pergunta que nos vem à mente é relativa ao processo de criação de Dante. Teria sido a obra fruto da sua alta criatividade, produto de uma imaginação fértil, de uma inteligência genial?.

É esta a linha de pensamento dos críticos literários, que veem no gênio aquele capaz de superar os limites do conhecimento do seu tempo, do estado da arte,  pelo impulso extraordinário da sua inteligência, da sua potência imaginativa e da vontade concretizadora, tirando de si mesmo suas ideias.

A força criadora neste nível é , por conseguinte, uma faculdade dependente exclusivamente das suas aquisições intelectuais, da sua sensibilidade, incorporadas à sua peculiar  personalidade. Visto dessa forma, o gênio basta-se a si mesmo.

Mas, o que nos tem a dizer o tradutor e comentador da obra a este respeito? Muito pouco. À página 42 da Introdução, podemos ler o que se segue: “Nos quatro anos que se seguiram ao primeiro encontro, na rua, com Beatriz, do qual lhe veio a inspiração da Vida Nova (poema), Dante trabalhou, pois, na confecção dos respectivos sonetos e canções. Ao mesmo tempo encarregava-se de interpretar-lhes o verdadeiro sentido (….). Explicava, igualmente, as visões, que lhe surgiam em sonhos, e a que atribuía a origem de muitos poemas, como uma espécie de plano subjacente àquele em que se desenvolvia a grande crise sentimental”.

O poema Vida Nova foi composto bem antes de A Divina Comédia, mas oferece uma pista do processo criativo, comum aos gênios da arte. 
Os sonhos, portanto, abriam as portas para as percepções, para as visões, que se amalgamaram  aos elementos da realidade objetiva ou sentimental,  fornecendo ao gênio a matéria-prima para a sua criação.

Mais adiante, à página 47 da Introdução, o tradutor-comentador registra o abalo emocional sofrido por Dante com a  morte súbita de Beatriz, que lhe deixou marcas permanentes e lhe firmou um propósito, conforme se lê: “Dante teve ainda uma visão, à semelhança dos anteriores raptos alucinatórios que haviam pontilhado o início de sua experiência sentimental. E esta visão, segundo suas próprias palavras, levou -o ao propósito de não falar mais de Beatriz, até que dela pudesse tratar de maneira realmente condigna (…..)”. Isto viria a ocorrer exatamente no poema A Divina Comédia, constituindo, na opinião do comentador, o fulcro da sua  inspiração, como antes referido.

Para os Dantólogos, a Divina Comédia é uma obra de ficção, extraída pela imaginação do reservatório mental do seu autor, penetrado profundamente pelo vigor do seu pensamento criativo.

E na própria obra, nos versos de Dante, o que podemos encontrar que subsidie a tese das visões em sonhos? Ao final , no Canto XXXIII do Paraíso, extasiado na contemplação da beleza fulgurante dos anjos, de Maria, e de outros vultos do cristianismo, no seio da divindade, eis como o poeta se expressa:

55  Tornou-se, então, minha visão maior
       que a voz humana, e foi insuficiente
       o senso da memória a tal fulgor.

58  A jeito de quem sonha, e apenas       
        sente, após os sonhos, uns restos  
        da impressão, enquanto o mais se 
        lhe desfaz na mente.
  …….
70   E torna minha voz ora potente
        por que  um vislumbre ao menos        
        de tal glória possa eu deixar à
        porvindoura gente!

  71  Se algo de ti me vier inda à memória,
        e no meu canto acaso for lembrado,
        mais terna soará tua Vitória!

Nas notas de rodapé, o tradutor comenta os versos acima: “E já que lhe era impossível, com os seus próprios meios, narrar exatamente o que vira, o poeta implora à graça divina que lhe proporcione, ao escrever, a força por manifestar ao menos um vislumbre daquela luz celeste, para deixá-lo às gerações futuras como um humilde serviço à glória de Deus e da Igreja.”

.

ladc1

.

E a Doutrina Espirita, o que tem a dizer sobre os gênios e a maneira pela qual concebem suas criações?

Antes de consultarmos  as obras da Codificação, vejamos o que escreveu o também inspirado  Leon Denis sobre A Divina Comédia, e particularmente sobre Dante.
Vamos encontrar no Livro “No Invisível”, Parte Terceira, Capítulo XXVI, sob o título A Mediunidade gloriosa: “Dante é um médium incomparável. Sua Divina Comédia é uma peregrinação pelos mundos invisíveis. Ozanam, o principal autor católico que já analisou essa obra genial , reconhece que o seu plano é calcado nas grandes linhas da iniciação  nos mistérios antigos , cujo princípio, como é sabido, era a comunhão com o Alto.

É pelos olhos de sua Beatriz, morta, que Alighieri vê “o esplendor da viva luz eterna”, que ilumina toda a sua vida. Em meio daquela sombria Idade Média, sua vida e sua obra resplandecem como os cimos alpestres quando se coloram dos últimos clarões do dia e já o resto da terra está mergulhado na sombra.”

Para Denis não resta duvida: Dante foi médium. De que faculdades mediúnicas, entretanto,  teria se valido para obter a obra? Neste ponto, certamente, muito se poderá especular, tal a variedade e sutilezas da mediunidade. 

Como Dante inegavelmente foi um gênio, fomos pesquisar, no sistema de buscas da Kardecpedia, o que existe na Codificação sobre  Dante e a obra em exame.

Sobre a obra, nenhuma menção. Sobre Dante, uma carta endereçada a Kardec, veiculada em Florença e publicada na Revista Espirita de junho de 1865,  supostamente ditada por aquele Espírito, na inauguração de um monumento a ele consagrado. Pelo exame do teor da carta, Kardec põe em dúvida sua autenticidade e não se alonga no seu exame, pois as matérias tratadas são de natureza política, relativas à restauração da Itália, fugindo pois ao propósito da Doutrina.

O passo seguinte, pois, será o exame da mediunidade nos homens de gênio, em caráter geral, sem nos determos em nenhuma personalidade.

Vamos encontrar no Livro dos Médiuns, Capítulo XV, Médiuns Inspirados, no item 183,  as seguintes instruções:
” Os homens de gênio, de todas as espécies, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos e de conceber grandes coisas. Ora, precisamente porque os julgam capazes, é que os Espíritos, quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as ideias necessárias e assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação. Se não esperasse ser atendido, por que reclamaria tão frequentemente: Meu bom gênio, vem em meu auxílio!.”

Na letra C do referido item a resposta se desdobra um pouco mais. Vejamos:
C) ” Um autor, um pintor, um músico, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração, ser considerados médiuns?.
Sim, porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais livre e como que desprendida da matéria, recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações de outros Espíritos que a inspiram.”

Vamos encontrar em A Gênese, Capítulo I, Caráter da Revelação Espirita, as seguintes observações de Kardec:
“O homem de gênio é um Espírito que tem vivido mais tempo; que, por conseguinte, adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos adiantados. Encarnando traz o que sabe e, como sabe muito mais do que os outros e não precisa aprender, é chamado homem de gênio. Mas seu saber é fruto de um trabalho anterior e não resultado de um privilégio. Antes de renascer, era ele, pois, Espírito adiantado: reencarna para fazer que os outros aproveitem do que sabe, ou para adquirir mais do que possui.”

Implícitos nos  trechos citados acima  encontramos alguns princípios da Doutrina Espirita: Deus, Existência e Imortalidade da alma, que podem ser identificados na obra de Dante.

No Livro dos Espíritos, Parte Segunda, Capítulo X, na questão 581, os Instrutores de Kardec jogaram luz sobre um aspecto saliente na obra de tantos gênios, como Dante, que se enganam, e que, de par com grandes verdades, propagam grandes erros. Nesse caso, como se deve considerar a missão desses gênios?

Eis a sensata resposta dos Espíritos Superiores: “Como falseadas por eles próprios. Estão abaixo das tarefas que tomaram sobre os ombros. Contudo, mister se faz levar em conta as circunstâncias.  Os homens de gênio têm que falar de acordo com as épocas em que vivem; assim, um ensinamento que pareceu errôneo ou pueril numa época adiantada pode ter sido o que convinha no século em que foi divulgado.”

.

LDENIS3

.

Será que o Inferno dantesco cumpriu, em alguma medida, o propósito de encaminhar almas para Deus, para o Bem, pelo temor e não pelo amor à virtude? Presumimos que sim, pois foi exatamente pelos terríveis suplícios do Inferno eterno que sua obra se  popularizou. Pouco se fala do Paraíso. Pouca se fala do empenho em se conquistar as virtudes que conduzem a Deus, embora sobre elas ele também se alongue bastante.

Pelo pouco que investigamos é razoável afirmar que só o Espiritismo pode dar a chave para a compreensão racional do fenômeno da genialidade.

Outro aspecto da obra que chama nossa atenção ,como espiritas , é a descrição que Dante faz dos reinos eternos: Paisagens e personagens, Espíritos. Para nós, como veremos, tais reinos são o Mundo Espiritual, de natureza fluÍdica, invisível, mas real, concreto , definido, para aqueles que o habitam.

O Canto IV do Inferno oferece-nos ,em alguns versos , referências a paisagens do seu Primeiro Círculo- o limbo, onde vivia Virgílio, cujo pecado fora ser pagão.
Vejamos alguns versos:

“103  Andando fomos à luz que eu via,
          de matéria tratando tão divina,
          que c’o o silêncio mais lhe dou 
          valia.

106  Chegamos a um castelo na 
          campina, atrás de sete muros, 
          protegido em derredor pela água 
          cristalina.

 109  Por ela andamos como em chão 
          batido; passamos, juntamente, as
          sete chaves, chegando a um prado
          fresco e reflorido. 

 112  Vultos eu divisei de olhares graves
          e enorme autoridade no semblante,
          falando baixo, com maneiras 
          suaves.”

A descrição retrata um mundo real, uma paisagem algo bucólica, com a presença de outros seres-EspÍritos- que ali cumprem sua expiação regeneradora- para os que cometeram  pecados leves.

A mesma realidade objetiva encontra-se ainda com maior força nas paisagens e sofrimentos dos Espíritos nos nove Círculos do Inferno. Selecionamos duas amostras do que se apresenta à visão de Dante: A primeira no Canto V, onde ficam os luxuriosos, acossados incessantemente pela ventania:

“28  Era um lugar de toda luz privado,
        bramindo como o mar sob a 
        tormenta, quando por rudes ventos
        assaltado.

30  A borrasca infernal que nunca 
       assenta, as almas vai mantendo em
       correria; e voltando, e batendo, as 
       atormenta.

34  Arremessadas contra a prendia,
       praquejavam, unidas, num crescendo,
       amaldiçoando a divindade pia.

35  Ouvi que ali gemiam, padecendo,
       os réus carnais, aqueles que a razão 
       ao apetite andaram submetendo.

A Segunda, no Canto XXI, onde os dois poetas visitam os que são punidos porque exerceram o tráfico de cargos e influencia; são os funcionários corruptos e venais, os prevaricadores e trapaceiros, mergulhados num poço de betume fervente:

” 31  O seu aspecto era feroz(demônio),
         horrendo. Ao gesto tredo nos 
         intimidava, o passo abrindo, as asas
         distendendo!

  32  Nos ombros largos, que o orgulho
         alteava, um pecador trazia dominado
         à mão , que seus artelhos apertava.
…….
  43  Lançando-o abaixo, sobre o pez 
        escuro, se foi de volta, qual mastim 
        voando no rastro do ladrão, que tem
        seguro. 
…….
  52  Com seus arpões ferindo-o, e 
        erguendo os braços, ” Volta ao 
        fundo”, gritaram, ” como dantes,
        que lá podes roubar sem deixar 
        traços.”

A este respeito, o que nos foi revelado pela Doutrina Espirita, nas Obras Básicas, de Kardec, e na literatura mediúnica subsequente,  em livros de diversos médiuns e psiquistas nacionais e estrangeiros, permite-nos afirmar que A  Divina Comédia é uma ficção?.

Afirmamos categoricamente que não. O acúmulo de evidências disponíveis, fartamente documentadas, nos dão essa confiança. Entretanto, não podemos considerar ao pé da letra tudo o que Dante escreveu. Como dissemos antes , sua obra está repleta de alegorias e de mitologias. Há que se buscar o sentido da mensagem, seu espirito, ao lado, obviamente, do encantamento literário, do prazer estético de uma obra monumental . Dante foi fiel à concepção religiosa do seu tempo, sujeito à tutela da Igreja, ou por nela piamente acreditar, ou por temer as consequências da mais leve heresia, ou ainda por ambas.

.

dcexp2

.

Mas o tempo passou, e eis que surge a Doutrina Espirita, trazendo uma nova concepção, fundada em princípios racionais, que descortina para o homem a Ciência do Espírito: sua origem, sua natureza, seu destino e suas relações com o mundo material.

Reformula, por completo, o que entendíamos por Paraíso, inferno e Purgatório, vistos pelo prisma de uma justiça divina que exalta a inteligência e a bondade do Criador.

Para começar o exame, vamos ao Livro dos Espíritos, em cuja Parte IV, Capítulo II, vamos encontrar os Instrutores Espirituais nos esclarecendo sobre esse tema.

Logo na Questão 1011, Kardec indaga se no  Universo existem lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos?
A resposta é não. ” Os Espíritos tiram de si mesmos o princípio de sua felicidade ou desgraça. E como os Espíritos estão por toda parte, não há nenhum lugar circunscrito ou fechado destinado a uma ou outra coisa.”

Na alínea (a), Kardec reforça a pergunta, indagando se, de fato, não existe o Inferno e o Paraíso, tais como os homens creem?.
Resposta dos Instrutores: ” São simples alegorias. Por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos, que se reúnem por simpatia.”

Da pena do próprio Kardec recolhemos a seguinte observação: “A localização absoluta das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.”

Na Questão 1012, Kardec pergunta o que se deve entender por Purgatório?
Resposta: ” Dores físicas e morais: o tempo de expiação. Quase sempre na terra é que fazeis o vosso Purgatório e que Deus vos obriga a expiar vossas faltas.”

Diz-nos Kardec que essa purificação se opera pelas sucessivas reencarnações, nas quais o Espírito experimenta as provas da vida corporal.

Ainda segundo os Instrutores, os Espíritos quando abordados sobre essas questões, costumam responder numa linguagem acessível a essas pessoas e que não firam abruptamente suas convicções. Daí muitas fontes de equívocos.

E quanto aos Espíritos que diziam sofrer os tormentos do Inferno ou do Purgatório?
“Os inferiores ou imperfeitos, ainda muito materializados, conservam parte de suas ideias terrenas; e delas se servem para exprimir suas impressões da vida espiritual. Falam como fariam se estivessem encarnados.”

Em resumo, pois:
“Inferno: Pode-se traduzir por uma vida de provações extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor.
. Purgatório: Uma vida também de provações, mas com a consciência de melhor futuro.
. Paraiso: É o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os  mundos  superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade.”

Para finalizar este tópico, vamos aproveitar algumas observações de Kardec à Questão 1016:
” Na cosmogonia medieval a terra ocupava o centro do universo, cujo firmamento formava uma abóbada e que havia uma região das estrelas , o céu (Paraíso), situado no alto, e o Inferno, embaixo. Daí as expressões: subir ao céu, ser precipitado nos infernos. A ciência moderna reformulou tudo isso: o espaço é infinito e nele não há alto nem baixo.

Coube ao Espiritismo dar de tudo isso uma explicação mais grandiosa, racional e consoladora para a humanidade.

Pode-se, assim,  concluir que trazemos em nós mesmos o nosso Inferno e o nosso Paraíso. O Purgatório achamo-lo na encarnação, nas vidas corporais ou físicas.”

.

cosmot

.

O Capítulo XIV de A Gênese, intitulado Os Fluidos, é central para o entendimento de A Divina Comédia. Nele Kardec estuda a natureza e as propriedades dos fluidos, que são a matéria-prima da qual se utilizam os Espíritos para toda e qualquer criação no Mundo Espiritual, a começar pelo seu próprio envoltório, o perispírito.

Dante tinha sonhos, que eram lembranças das viagens feitas em corpo espiritual aos sítios a que era conduzido pelos seus Instrutores Espirituais, para ver e ouvir o que seria posteriormente recordado em vigília, e retratado no seu livro. 

O quanto foi fidedigno ao que pode presenciar, em Espírito, não o sabemos. Sabemos, pela palavra de médiuns seguros e respeitados, o quão difícil é a tarefa de filtrar e decodificar para o cérebro humano conteúdos de um mundo ainda pouco devassado e compreendido pela razão humana.

O que podem criar os Espíritos manipulando os fluidos, pelo pensamento (consciente e inconsciente) e a vontade, não tem limites. Como também são fluídicos, suas criações são tão reais para eles, como o são, no mundo material, para o homem vivo.

Daí porque, na obra, Dante não se questiona sobre a realidade do que via, pois a via com os olhos (percepção) de um Espírito. Certamente, tudo lhe parecia muito natural, macabro no Inferno, e inebriante no Paraíso.

As paisagens e construções espirituais, embora subentendidas na Codificação, deixaram, por muito tempo, na mente dos espiritas,  uma certa ideia de vazio, de coisas amorfas, indefinidas , somente superadas, mais tarde, pelos relatos de alguns pesquisadores dos fenômenos psíquicos, dentre os quais Bozzano, Aksakof,  Arthur Findlay, e médiuns americanos e ingleses, antes mesmo da publicação dos livros de André Luiz e dos de Ivonne Pereira.

Vale, a este respeito, consultarmos o que escreveu Yvonne Pereira, no Livro Devassando o Invisível, Capítulo I.

Começa por dizer: “Ainda hoje (1962) adeptos há da Doutrina Espírita que rejeitam a versão ultimamente muito ventilada pelos Espíritos desencarnados, através de obras ditadas psicograficamente, de um mundo material (colônias, cidades, escolas,  hospitais, habitações, furnas e vales, etc… ) , invisível aos olhos carnais , mundo esse vibrátil e intenso, onde existirá, em estado aperfeiçoado, ampliado até à vertigem, muito do que na terra existe.”

Após citar referências feitas por Denis à obra de Dante, referidas anteriormente, Yvonne conclui judiciosamente que “A Divina Comédia não apresenta tão somente fantasias, como imaginaram os próprios eruditos, mas ocorrências reais do Além-Túmulo, que o poeta visionário mesclou de divagações, talvez propositadamente, numa época de incompreensões e preconceitos ainda mais intransigentes que os verificados em nossos dias.”

Yvonne data da década de 1930 o aparecimento entre nós, por André Luiz, das minudências explicativas da vida de Alem-Túmulo (Nosso Lar). Revela-nos que antes de André Luiz já recebera três livros, não editados à época, por receio de que as revelações neles contidas fossem frutos de lamentável engano. Somente após muitos estudos e meditações, bem como de orientações de seus Instrutores Espirituais, afastou sua crença de que a vida espiritual fosse abstrata e indefinível.

Hoje, cremos assentada a convicção de que o Mundo Espiritual é de uma riqueza e variedade inconcebíveis, indo desde as paisagens sombrias onde se agrupam e se supliciam Espíritos comprometidos com a Lei (muitos com aberrações perispirituais, como se vê no Inferno de Dante), até as regiões paradisíacas dos planos superiores, moradas de Espíritos bem-aventurados.

Se para nós ainda é difícil, mesmo após a Revelação Espirita, explicações seguras dos meandros espirituais que perpassam toda a obra de Dante, imaginemos a dificuldade dos leitores e dos eruditos críticos literários  para compreender situações tão inusitadas, que se passam por irreais, ficcionais, produtos  tão somente de uma mente genial.

.

yht

.

Resta-nos, ainda, antes de dar por concluída nossa despretensiosa empreitada, trazer ao exame mais alguns aspectos que o Espiritismo ajuda a melhor entender, quando Dante se vê observado pelos demais Espíritos.

No Ante- Purgatório, Canto V, os poetas se defrontam com as almas dos que, tendo vivido em pecado, sofreram morte violenta; mas, no instante final, tocados pelo arrependimento, perdoaram os que os feriram. 

Vejamos, nos versos a seguir, a perplexidade das almas dos mortos quando defrontam um “vivo” entre elas:

4   Vede o raio do sol que se desvia
      junto ao que vai atrás, pela subida,
      parecendo um ser vivo, nessa via!

7   O rosto revolvi, à voz ouvida,
      e  o bando vi mover -se, deslumbrado,
      a olhar-me, a mim, e à luz 
      Interrompida.
……
23  Mas vendo, por meu corpo,      
       Interrompido o sol, os vultos sua
       litania transformaram num Oh!
       rude e comprido.

28  E dois, nomeados núncios, à portia,
       para nós se adiantaram, perguntando:
       Que condição é a vossa , nessa via?

31  E meu mestre: Podeis,daqui voltando,
       explicar aos demais, maravilhados,
       que este de fato é vivo, caminhando.

34  Se foi por ver-lhe a sombra que
       parados ficastes, o que digo é 
       suficiente:Saudai-o, e sereis dele
       ajudados.

37  Nunca estrelas notei mais velozmente
       correndo pelo céu, da noite à entrada,
       nem as nuvens de agosto, afluindo
       ao poente

40  ….qual se foram dali, em disparada;
mas logo os vimos, juntos, avançando
para nós, como a esquadra à carga
enviada
.

Nestes versos acima há muitos elementos para reflexão, que escaparam aos comentários do tradutor, por desconhecimento das peculiaridades do mundo invisível.

Em primeiro a referência  à luz, que Dante supunha ser a do sol, que projetada sobre ele, um ser vivo, material, opaco, produzia sombra, em contraste com o que sucedia com a alma dos mortos, traspassadas pela luz.

Nas palavras do tradutor: “As almas quedavam-se, maravilhadas, a contemplar Dante e, principalmente, a sombra que, à luz do sol, o seu corpo formava no solo. Isto constituía, obviamente, uma novidade no Purgatório.”

Em resposta à indagação dos Espíritos no verso: “Que condição é a vossa, nessa via?- Virgílio lhes afirma que a sombra projetada pelo corpo de Dante é porque ele é de fato um homem vivo.

E sobre a luz? Hoje sabemos, pela Doutrina Espirita, que o Mundo Espiritual tem a sua luz peculiar, originada nos fluidos espirituais, num dos estados apropriados do fluido cósmico. É essa luz, e não a do sol, que permitia a Dante perceber as paisagens espirituais. 

E com relação à sombra? Cremos que aqui entra um elemento de condicionamento mental, sugestivo, com força para interpretar tudo o que viu e ouviu de acordo com as concepções da época. Sabia Dante que a luz não atravessa os corpos opacos, e como estava vivo, teria que haver sombra ao incidir sobre ele. Entretanto, os demais Espíritos, lembremos que Dante não se referia a ele como Espírito e sim como homem,  já haviam perdido o corpo, apenas possuíam uma ” essência”, sem sombra. Não faria, pois, sentido, terem sombra se não possuíam corpo. 

Com relação ao som e a visão tudo se passa na obra como se sucedesse na terra. Na narrativa, não há surpresa em se falar com um “morto”e em ouvir sua voz. 

Hoje temos explicação doutrinária  para isso: estão no perispírito as sedes de todas as sensações e percepções do Espírito. Para falar não precisa de boca, de articular palavras; para ouvir, prescinde dos condutos auditivos; e para ver não necessita dos olhos. Na base da comunicação dos Espíritos está a transmissão do pensamento, cujo veículo é o fluido universal.

Outra observação podemos tirar dos tercetos 37 e 40: A velocidade com que os Espíritos vieram ter com eles, comparando-a com a velocidade das estrelas. 

Aqui também a Doutrina nos auxilia entender: os Espíritos deslocam-se a velocidade comparável à do pensamento, de sorte que se pode dizer: O Espírito se encontra onde está seu pensamento. Não há barreiras ao Espírito, apenas certas interdições de deslocamento a espíritos muito inferiores moralmente, a determinados sítios, na defesa da harmonia e da ordem, pelas quais velam os Espíritos Superiores.

.

PERIT

.

A passagem a seguir nos chama atenção, por seu relevo na Doutrina Espirita: o livre-arbÍtrio também é abordado por Dante no Canto XVIII do Purgatório, em que Virgílio demonstra a Dante o natural movimento da alma para o prazer e o bem, sujeita, todavia, esta tendência ao poder da vontade.
Eis os versos:
…..
55  Assim, de onde procede a inteligência 
       do primo bem não tem o homem 
       noção, nem de onde para o amor
       essa tendência,

58   Que nele é tal na abelha a inclinação
       de o mel fazer; impulso, é claro,
       quer de louvor, quer de condenação.
61  Mas como outros lhe vêm em 
       seguimento, a natural virtude da alma
       ensina a lhes dar ou negar 
       assentimento. 

64  Deste princípio, creio, se origina
       de cada ser o mérito, segundo ou para 
       o bem ou para o mal se inclina.

67  Quantos de tal questão foram ao
       fundo 
       à luz chegaram dessa liberdade, 
       razão da lei moral ditada ao mundo. 

70  Posto que à força da necessidade
       todo apetite nele é despertado,
       o homem tem de contê-lo 
       a faculdade.

73  Este poder é por Beatriz chamado
       de livre-arbitrio–se lembra tal noção 
       quando enfim te encontrares a teu 
       lado.

Nossa Doutrina, nos seus diversos livros, faz extenso estudo do livre-arbitrio. É uma conquista da razão, da inteligência, que se amplia segundo o grau de evolução do Espírito. A Lei de Liberdade faculta ao Espírito fazer escolhas, para o bem ou para o mal, e delas recolher a ventura ou a desdita.

Os versos de Dante diferenciam o livre-arbítrio, fruto da inteligência, do instinto animal, que, por sua falta ou insuficiência, não lhes faculta discernir.

Nas notas explicativas o tradutor alude a uma crença esposada pelos antigos filósofos , da existência da virtude natural no homem, uma espécie de instinto para o bem, que os auxiliaria a fazer as múltiplas escolhas no curso da vida.

Na Doutrina aprendemos que fomos criados simples e ignorantes, do bem e do mal, mas perfectíveis. A direção que damos à nossa vida depende da vontade de querer. As virtudes, assim como os vícios, são sempre conquistas nossas pelo uso das faculdades de que fomos dotados, em si mesmas, neutras.

Como já vai muito extenso o que, a princípio, pretendíamos apenas esflorar, ficaremos com um último registro, relativo à natureza e propriedade do perispírito, penetrável tanto pela matéria quanto pela luz, como vimos alguns parágrafos acima.

No Canto II do Purgatório, os poetas veem chegar uma nave pilotada por um anjo, da qual desembarcava um grupo de almas que se destinam ao Purgatório.
Vejamos os versos:
…….

76  Alguém notei saindo um pouco 
       adiante, como a abraçar-me, e vi-lhe
       tanto afeto que fui movido a gesto 
       semelhante.

79  Ah sombras vãs! que o sois, menos
       no aspecto!
       Por três vezes nos braços o espreitei,
       mas não pude palpar qualquer objeto!

82  Um grande espanto, creio, então
       mostrei; vi-o sorrir, e, como ali
       recuasse, indo-lhe ao encontro, quase
       o ultrapassei.

85  Gentilmente ordenou-me que parasse.
       Reconhecendo-o, à voz , eu lhe pedi
       que ,por falar-me, então, não se
       afastasse. 

Assim comenta o tradutor: “Mas não pude palpar qualquer objeto.”  Qualquer objeto significa a matéria corpórea. Pois, então, os braços que Dante por três vezes moveu no sentido de abraçar quem também lhe estendia os seus, apenas palparam o ar, tornando sempre ao seu próprio peito.”

Evidente, a explicação para isso foge ao conhecimento do tradutor, como fugiu ao próprio Dante. Somente a Doutrina Espirita, ao definir a natureza fluídica do Espírito, pode explicar coerentemente tal passagem, os perispíritos se interpenetram, retirando-lhe a obscuridade que enseja a fantasia, a imagem sem realidade.

Muito ainda teríamos a explorar , mesmo numa primeira leitura, tal a riqueza da obra. Analogamente a uma mina, quanto mais se escava mais pepitas de ouro se encontra. Um crítico literário ou um leitor, se espiritas, se deliciariam com o estudo da obra com as lentes do Espiritismo. Isto, no entanto, é empreitada que demandaria um tempo que não temos.

O que podemos, então, dizer à guisa de conclusão?

Em primeiro lugar, sem dúvida, a leitura da obra, ainda que por primeira vez,  enriqueceu-nos o patrimônio intelectual, fato comum ao contato com as grandes obras do pensamento universal.

Em segundo, a confirmação da  riqueza dos conceitos da Doutrina Espirita, sua amplitude, que nos permite utilizá -la para compreender fenômenos em praticamente todas  as áreas do conhecimento. As leis da Ciência do Espírito têm potencial ainda insuspeitado por nós, encarnados, para entendermos a vida em toda a sua complexidade. Oferece-nos, sem dúvida, o caminho mais seguro e prático para a nossa evolução: mais amar do que temer.

Deixou-nos, no entanto, um ponto de interrogação. Por que nenhuma referência a ela na Codificação, quando tantos autores, que não figuram na galeria dos gênios, tiveram suas obras comentadas?.

Só nos é  possível conjecturar. A mais plausível parece ser a que diz respeito ao seu  conteúdo, estritamente obediente ao cânone católico medieval, cujas concepções , especialmente da justiça divina, o Espiritismo veio combater e renovar. 

Para os Espíritos Superiores, a verdade da mensagem é o essencial, a beleza da forma é acessória. Por esse prisma, A Divina Comédia é apenas  um primor de criação literária, faltando-lhe a verdadeira substância da vida espiritual.

Quanto ao intento, se o consegui, não sei.
Mas ousei, vencendo longa hesitação, o que abre portas para futuras incursões na obra, que, tenho certeza, gratifica quem nela medita.

.

PAULO REZENDE, AUTOR DESTE ARTIGO

paulorezendetarja

.

brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui uma obra prima de artigo que me foi enviado por esse amigo querido, o escritor espírita, de Niterói-RJ, Paulo Rezende.

Paulo, na sua ultima linha deste estudo, diz não saber se atingiu o intento, de analisar a obra do escritor florentino à luz da Doutrina Espírita. Eu te digo Paulo, mas do que atingistes, um artigo deste consagra de vez qualquer escritor e, te confesso que, jamais li nada igual sobre A Divina Comédia, tão bem esmiuçada pelo teu escalpelo espírita. Meus parabéns, meu irmão!

Que Jesus abençoe ao querido Paulo Rezende, pelo esforço constante do seu coração à nossa querida e tão nobre causa espírita. 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

.

.

.

LADCDAB

AS IMAGENS E VÍDEOS SÃO ESCOLHA
E RESPONSABILIDADE DE BRUNO TAVARES

.

.

mpiada

.

 

.chverdec1

.

QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO
ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

bfcblog1

.

Francisco e Clarinha de Assis

Patronos deste Blog

.

fcc

.

.

cqchcc