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Diz o querido companheiro pernambucano Bruno Tavares, trabalhador incansável da ‘Casa dos Humildes’, instituição venerável localizada em Recife-PE, que Dona Yvonne do Amaral Pereira é uma “personalidade única e inconfundível”. A esse oportuno comentário do dileto amigo acrescentamos, sem medo de errar, que a grande dama da mediunidade também equipara-se a uma flor delicada cujo perfume suave de sua produção medianímica e da postura moral por ela vivenciados, constituem um legado valoroso de superação e reconquista dos valores espirituais. São ensinamentos que clarificam nosso caminho como lição viva do Evangelho à Luz da Doutrina Espírita.

Yvonne renasceu aos 24 de dezembro do ano de 1900, data comprovada no registro de nascimento (e não em 1906 como se acostumou a veicular nos órgãos da imprensa Espírita e na mídia eletrônica), na antiga Villa de Santa Thereza de Valença, no sítio do Rapa-queijo, hoje Rio das Flores, sul do estado do Rio de Janeiro, às 6 horas da manhã. O que pouca gente sabe é que na certidão de nascimento consta uma curiosa observação; apenas o nome ‘YPHONE’ está subscrito no referido documento, um hábito da época onde não se fazia necessário colocar o sobrenome para identificar o recém-nascido. De família genuinamente Espírita, seus pais Manoel José Pereira Filho, um pequeno comerciante, e sua mãe Dona Elizabeth do Amaral Pereira, desde muito cedo buscaram transmitir-lhe as primeiras noções da Doutrina Consoladora. Entretanto, ainda muito nova contando apenas vinte e nove dias de nascida, foi acometida de um mal inexplicável, catalepsia ou morte aparente; fenômeno estudado por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos que a acompanharia por toda a vida. Segundo os relatos, depois de um acesso de tosse, adveio uma sufocação que a deixou como morta. Inconformada com a constatação médica da morte por sufocamento da pequena Yvonne, sua mãe Dona Elizabeth retirou-se do quarto onde o corpinho da criança se encontrava já vestida para o funeral para, em outro aposento, a sós, fazer sincera e fervorosa prece dirigida a Maria de Nazaré rogando ao Nobre Espírito da mãe de Jesus que intercedesse decidindo a situação, pois não acreditava na morte da filha. Ao término da súplica, Yvonne começou a recobrar os movimentos do corpo cataléptico denunciando que estava viva, com forte choro. Todos se surpreenderam com a cena inusitada, cancelando em seguida o velório.

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Outro intrigante acontecimento digno de nota sucedeu quando contava aproximadamente quatro anos; por ver e escutar os Espíritos confundia-os com os familiares encarnados e estes, por sua vez, viam-na com estranheza. Os sentimentos aturdidos ocasionados pela mediunidade notadamente aflorada e exuberante, ainda no nascedouro, fez com que Yvonne não reconhecesse o pai da atual existência, o Sr. Manoel, alegando que seu pai era outro. Confundia o Espírito Charles, seu fiel instrutor, como sendo o verdadeiro pai terreno, tamanha a facilidade em ver e escutar a entidade desencarnada que de fato havia sido o seu pai em outras existências. A obstinação ao afirmar que o Senhor Manoel não era seu pai ocasionou-lhe alguns castigos trazendo para a pequena Yvonne intensos constrangimentos.

Nota-se como é difícil para uma criança quando realmente portadora de faculdades mediúnicas, conviver com fenômenos tão intrigantes. Não havendo por parte dos familiares, e principalmente dos pais, uma conduta equilibrada, compreensiva e, sobretudo evangelizada, pode ocasionar preocupantes transtornos. Nos episódios da pequena Yvonne tais fenômenos aconteciam naturalmente, à revelia da própria vontade, causando-lhe situações incomuns a exemplo de sua postura em pedir que lhe vestisse seus ‘vestidos elegantes’ e a levassem para passear de ‘carruagem’ ao fim da tarde. As reminiscências pretéritas se tornaram tão habituais que até a cidade e a casa onde morava eram, para ela, estranhas e em nada parecidas à moradia luxuosa da existência anterior. Por essa razão a menina foi conduzida aos cuidados dos avós paternos até completar dez anos de idade.

Após o incidente cataléptico – que ela própria anos mais tarde iria abordar no seu livro ‘Recordações da Mediunidade’, supervisionado pelo espírito Bezerra de Menezes – a vida seguiu seu curso natural e a menina fez-se uma jovem comedida, estudiosa, muito apaixonada pelo Espiritismo. Ao completar treze anos recebeu de seu pai os livros da Codificação Kardequiana e desde então participava das sessões espíritas travando contato com os Espíritos naturalmente.

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Desde a adolescência escrevia com inalterável habilidade literária, recursos obtidos certamente das suas recordações reencarnatórias, pois Yvonne nessa época não terminara sequer o curso primário. Esses artigos e ensaios de tão produtivos, foram publicados em diversos periódicos. Ao descobrir-se também médium psicógrafa tratou de cultivar essa faculdade com empenho, dedicação e disciplina necessários para o cometimento, e de sua lavra medianímica nasceram esmeradas peças lítero-espíritas, como a trilogia: O Cavaleiro de Numiers, O Drama da Bretanha e Nas Voragens do Pecado. Contudo, uma obra merece especial observação, trata-se de Memórias de um Suicida que reúne riquíssimo conteúdo literário ao profundo conhecimento Doutrinário Espírita Cristão, tornando-se um épico. Obra de fôlego capaz de arrebatar os nossos corações, tamanha a pujança desse livro inesquecível. Sua recepção está envolvida em cuidadoso processo psicográfico de tal modo que somente em 1956, portanto trinta anos após sua recepção, a obra saiu do prelo para ser publicada pela Federação Espírita Brasileira.

Era tão afetuosa com todos que se aproximava que manteve vasta correspondência por cartas com pessoas de todo o Brasil e exterior, lançando mão da língua criada por Lázaro Zamenhoff, o Esperanto, para se comunicar. Pela versatilidade em corresponder-se com pessoas de tantos lugares transmitindo-lhes sempre um alento na palavra, granjeou amizades sinceras, dentre as quais se destaca o emérito Padre católico Sebastião Bernardes Carmelita residente na cidade mineira de Uberaba, cujo passado reencarnatório fora desvendado pela médium como sendo a personalidade do Bispo de Barcelona, na Espanha, o então Antônio Palau y Termens (Fato corroborado por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e outros médiuns) que no dia 9 de outubro de 1861 realizou por intolerância religiosa o penúltimo auto de fé inquisitorial, incinerando em praça pública cerca de 300 volumes das obras básicas do Espiritismo por se tratarem, segundo as autoridades eclesiásticas, de livros subversivos que atentavam contra a moralidade e a fé católica.

A amizade estabelecida pelos dois através das correspondências durou aproximadamente 25 anos. Dona Yvonne por sentir os conflitos do Padre Carmelita (resquícios do passado de intolerância religiosa) consolava-o, pois ele trouxera para as novas experiências do século XX problemas físicos que o acompanharam até sua morte; passou por uma delicada cirurgia no cérebro, além de ter as mãos marcadas por grave e dolorosa micose que nunca cicatrizava fazendo com que ele, o padre, tivesse que se submeter periodicamente à extração das unhas, sem anestésicos.

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Sua elegância, prudência e zelo ao tratar dos assuntos espiritistas, norteando a mediunidade com Jesus, renderam-lhe o amparo constante dos bons espíritos. Bezerra de Menezes, Charles, Roberto de Canallejas (este, seu esposo da última existência física), o escritor lusitano Camilo Castelo Branco, Frédéric Chopin, o padre Francisco de Paula Vítor (Padre Vitor como era carinhosamente chamado), Léon Denis e o célebre Léon Tolstoi, dentre outros inúmeros espíritos, fizeram parte deste panteão luminoso imbuídos em amparar, auxiliar e sustentar a nobre médium no compromisso assumido com o Espiritismo. As faculdades medianímicas positivas que possuía lhe permitiram transitar com segurança pela psicografia, vidência, audiência, cura e receituário mediúnicos, bem como efeitos físicos, obtendo destes excelentes resultados, mas preferindo não desenvolver a faculdade em questão, por crer ser mais útil em outros setores. Tinha a faculdade de desdobramento e psicometria, duas capacidades de natureza anímicas (provocadas pela própria médium), mas que podem ser acionadas por inteligências extracorpóreas que eram suas constantes companheiras de trabalho medianímico e muito a ajudaram na confecção de suas preciosas obras Espíritas, além de ofertar para todos nós subsídios de conduta Cristã.

Procurava com muita atenção ler jornais e anotar em cadernos o nome daqueles infelizes que pelo suicídio acreditaram encontrar a solução para suas desditas, orando por eles, pois ela mesma sabia das dores que os martirizava. A atitude de compaixão e nobreza demonstrada pelos suicidas fez dela um archote na noite escura dessas criaturas, consolidando entre eles, os sofredores do suicídio e Yvonne, um elo de Amor verdadeiro. Trabalhou pela causa espírita mesmo quando as condições eram desfavoráveis. Muitas vezes sozinha, sem apoio, visitava doentes, distribuía medicamentos homeopáticos e receituário mediúnico, e amava dar aulas de evangelização às crianças. Soube como poucos viver o Evangelho de Jesus à Luz do Espiritismo, além de personificar a mulher de caráter impecável e altivo. Jamais permitiu envolver-se pelos modismos inconsequentes que de tempos em tempos aparecem, sabendo discernir o joio do trigo através da fidelidade a Jesus e Kardec. Por fim, chancelou a passagem pela Terra com a marca das almas buriladas pelas experiências e pelo tempo.

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Bibliografia:

  1. Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos, editora FEB, Livro Segundo cap. VIII, questões 422 a 424;
  2. Pereira A. Yvonne – Um caso de Reencarnação – Eu e Roberto de Canallejas, Editora LORENZ, 6ª edição 2009;
  3. Pereira A. Yvonne – Recordações da Mediunidade, editota FEB,11ª edição;
  4. Blog do Bruno Tavares – https://blogdobrunotavares.wordpress.com;
  5. Freitas, Augusto M. – Yvonne do Amaral Pereira – O Vôo de uma Alma, Rio de Janeiro, CELD;
  6. Gerson Sistini – Yvonne A médium Iluminada, Editora Léon Denis, 1ª edição, Rio de janeiro 2008;
  7. Camilo, Pedro – Yvonne do Amaral Pereira, Uma Heroína silenciosa, editora Lachatrè, 4ª edição 2004;
  8. Mundo Espírita – Dezembro / 2013 – Maria Helena Marcon – FEP – Federação Espírita do Paraná.

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, Luciano Souza Novais atua no movimento Espírita de Vitoria da Conquista-BA desde 1989, quando iniciou suas atividades aos 13 anos de idade. Exerceu tarefas diversas em algumas casas espíritas da cidade especialmente como coordenador de departamento mediúnico, dedicando-se à pesquisa dos fenômenos medianímicos.  Hoje em dia colabora assiduamente com a publicação de artigos no periódico OÁSIS, órgão de divulgação Espírita da UEVC – União Espírita de Vitória da Conquista/BA. 

Luciano como um querido amigo o qual tenho-no na conta de um espírita sério, lúcido e estudioso, além do mais é um grande admirador da vida e da obra D. Yvonne do Amaral Pereira, sintonizando totalmente com meu espírito em relação a essa grande dama da mediunidade, então ele vem aqui em nosso blog e publica esse texto saído de sua alma carregada do mais nobre idealismo espiritista! 

Que Jesus abençoe a você Luciano e continue mantendo-te fiel e devotado às lides que abraçamos! 

Que Jesus abençoe a todos nós! 

Bruno Tavares

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AS IMAGENS E VÍDEOS SÃO ESCOLHA E
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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO 

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