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cevates

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“caveant consules ne quid respublica detrimenti capiat”
(“que os cônsules se acautelassem a fim de que a república romana não sofra nenhum dano.”)

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Certificar-se tão somente da realidade tangível do fenômeno espírita e atestá-lo à face do mundo, sem amarras de preconceitos, não é corresponder às finalidades superiores e providenciais da doutrina.

O fenômeno pelo fenômeno é pristino quanto o mundo e a humanidade nem por isso, até hoje, soube ou pode utiliza-lo, antes que como elemento de superstição e confusão, em detrimento da boa causa.

Nem se trata, tampouco, de certificar anseios e desígnios de imortalidade, transparentes de todos os sistemas e confissões religiosas, em função moral regenerativa.

Sem retrosseguir mais longe por fundamentar a tese, basta evocar a só atitude dos povos contemporâneos, que padronizam a nossa decantada civilização ocidental e reivindicam foros de cristandade.

Se houvéssemos de aplicar a essa humanidade, que aí está a chacinar-se em espasmos de besta-fera, a sentença insofismável do próprio Divino Mestre, quando disse que é pelo fruto que se conhece a árvore, para logo teríamos, como de fato temos, a convicção de que esse rotulado cristianismo nada tem de cristão e, desvirtuado e pervertido em suas fontes originais, apenas há servido de engodo e repasto a todas as paixões e apetites materiais. Acomodado, amesendado (= acomodado) a quaisquer situações e vicissitudes políticas, nacionais e internacionais; benzendo armas, sancionando conquistas belicosas, do mesmo passo que responsando (repousando) por algozes e vítimas, a clamar misericórdia, é força reconhecer que se de todo não faliu nos fins anódinos (conduzir a corrente elétrica) lhe resultaram os meios de reconduzir o armentio(rebanho de gado grande) ao aprisco do Pastor.

Entretanto, em espécie, esse cristianismo também predica a imortalidade, a responsabilidade da criatura e, a rigor, não contesta a comunicação dos Espíritos (ditos santos) pro domo sua.

Que lhe falta, então, para revalidar as promessas do seu divino legado e pacificar a consciência humana?

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KMORAL

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CONSULES!

Do ponto de vista material, formal, convencional, teórico e até extrinsecamente prático, nada, nada lhe falta. Ele tem pingues tesouros acumulados, urdidura disciplinar perfeita, apoio tácito ou implícito de governos e povos. Tem, a mais, o prestígio da tradição a valorizar-se na inópia(situação de extrema penúria material) e na rotina das massas. Imiscui-se nos ministérios, nas escolas, nas casernas, nas oficinas, nos lares; ergue templos suntuosos e ermidas rústicas em toda parte; funda asilos e hospitais, academias até… Tem prebendas (rendimentos de quem ocupa cargos religiosos) e comendas, insígnias e galardões, múnus (encargo, obrigação) e sinecuras com que forrar a ingenuidade de uns, a velhacaria de outros e a vaidade de todos. Que lhe falta, então, para legitimar o sagrado ministério?

– Pedro, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas. Pasce aves meas… – disse Jesus.

Mas as ovelhas não tem paz, tem guerra. Perguntamos: onde a paz de N. S. Jesus Cristo? Concílios, encíclicas, pastorais, bulas, decretais, cânones, anátemas, bênçãos, indulgências, missões, é tudo antítese desse Evangelho que só deveria ser Luz, Espírito, Vida. Mas, a luz da Fé redundou em treva de fanatismo sectário e fonte de tirania; o Espírito desterrou-se da letra, por confugir-se em dogmas compulsórios; a Vida aí a temos no estendaI (varal de roupa) de horrores contemporâneos.

E quando vozes autorizadas, por extremes das gangas deste, clamam do outro mundo o penitet (desgosto, dó, tristeza) para os esplendores da vida eterna, o que se pretende é, não aclarar a inteligência e pacificar a consciência, porém, negar simplesmente o Espírito e, com ele, a razão única da própria vida!!!

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TRIAS

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Não é, contudo, para esse cenáculo que endereçamos estas linhas.

Sabemos o alcance e a latitude da palavra evangélica que induzia o servo a que deixasse aos mortos o ônus de enterrar seus mortos. Sabemos, também, de Martas e Madalenas…

Nosso reparo vai aos que, por misericórdia e de acréscimo, vão tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir o novo sentido da vida planetária, neste angustioso fim de século e de milênio, de pura revalidação evangélica, em espírito e verdade. O reino de Jesus ainda não é nem será deste mundo, antes que todas as criaturas de Deus o tenham realizado em si mesmas. Ainda não há muito, clarividente amigo, do plano espiritual, dizia-nos que, em todo este fermentar de horrores que se desatam no mundo, um só perigo existia, temível para nós outros – o da própria falência. E de pronto compreendemos que não basta ter fé e praticar obras de fé; não basta dar testemunho da verdade, senão que precisamos vivê-la em nós, para outrem, qual a viveram o Cristo e seus legítimos Apóstolos, com amor.

Não será, portanto, de convenções estatutárias, de tentames espetaculares, de congregações maciças, de institutos de beneficência material, contingente, a obra precípua do vero Cristianismo, que tanto vale dizer, do Espiritismo.

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Deolindo Amorim

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De realizações opimas e opulentas que tais, vai o mundo referto, em decadência fragorosa. Essas obras não se constituíram em antemural à onda de perversão dos princípios mesmos em que radicaram, mas, até lhe ensejaram maiores brechas, ao sopro de competições e dissídios humaníssimos.

Outro Espírito dizia-nos, de outra feita, que era preciso cogitar do operário antes que da máquina, porque esta, sem aquele, fadava-se ao fracasso.

Ora, não condenamos, nós, em tese, quaisquer empreendimentos materiais do proselitismo espírita, certo de que tudo vem a seu tempo e respeitamos o arbítrio humano, ainda mais quando lhe reconhecemos sanidade intencional. Isso, porém, não nos impede, também, de assinalar em consciência o que nos parece mais essencial na estruturação doutrinária – a edificação íntima de cada um, da qual, nunca forçada, mas espontaneamente, haja de surgir a eficiência e magnitude do conjunto, sem eiva de personalismos. Porque, a verdade das verdades, à luz da Revelação que pretendemos cultivar e divulgar, é que, sem paz e sem amor para conosco e entre nós, não podemos senão ridiculamente oferecer-nos ao mundo. E mais: fá-lo-emos com agravo de responsabilidades, porque já precatados de que a hora ê, e muito se pedirá a quem muito se houver dado.

Qual de nós ousaria, em sã consciência, atestar o integral cumprimento de seu dever, não na pauta do que tem feito, mas na do que deixou de fazer, justamente porque, colhido no vórtice das seduções temporais, não raro troca a alva de penitente por manto de sacerdócio, esquecido de que foi este – o sacerdócio, que matou o profetismo.

Que a hora seja de testemunhos estrênuos, ninguém, dentre nós, pode duvidar; e quando o espinheiro avulta e ameaça abafar a semente, não descabe gritar – caveant consules.

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Artigo da Revista Reformador (FEB) Novembro 1939
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manuelquintao

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, recebi de presente um diwan com artigos históricos da Revista Reformador, um verdadeiro relicário de textos maravilhosos com substância luminosa haurida da pena de doutos e célebres articulistas espíritas. De vez em quando estarei publicando algo desse arquivo sublime. Não se preocupem, quem me conhece sabe que nada das teses roustainguistas entrarão por aqui. Na estréia vai um texto do querido Manuel Quintão com sua cultura imensa e talento para escrever fácil

Que Jesus abençoe a todos nós para que esfloremos o passado para acertarmos melhor no presente

Que Jesus abençoe a todos nós! 

Bruno Tavares

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Emmanuel - (Consolador) - 55.

AS IMAGENS E VÍDEOS SÃO ESCOLHA E
RESPONSABILIDADE DE BRUNO TAVARES

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO 

ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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Francisco e Clarinha de Assis

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