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“Marta, Marta, inquieta-te e te agitas a respeito de muitas coisas. Porém é necessária uma.”  (1)

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Contrariamente ao que se imagina o comportamento agitado e inquieto do homem não é produto do Século XXI.

A humanidade sempre apresentou mostras claras de encontrar-se em períodos de maior ou menor pressão sócio-política-cultural que pudessem lhe acarretar ansiedades, visto as advertências de Jesus, contidas nas anotações de Lucas, no capítulo 12, versículo 26, “Pois se nem ainda podeis fazer as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” [2] e em Lucas 10 versículos 41,42 “Marta, Marta, inquieta-te e te agitas a respeito de muitas coisas. Porém é necessária uma.” [3]

A distração virtual hoje é a mais clara tendência incapacitante das relações sócio afetivas. Vivendo em um mundo virtual, por longas horas do dia, lentamente estamos perdendo a capacidade de estreitar os laços reais, afetivos e necessários para assegurar a plena harmonia na vida física, psíquica e social do homem.

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Coincidentemente o número de usuários das Redes Sociais da WEB alargou como também aumentou o número de suicídios no mundo. Atualmente somos dois bilhões de usuários dessa redes virtuais, número expressivo e considerável em um planeta que abriga 7,6 bilhões de pessoas encarnadas, ou seja, quase um terço da população mundial está sob a hipnose no âmbito do espectro eletromagnético da vida virtual. Porém, a facilidade de conexão não nos tem garantido uma tranquilidade frente às nossas mais comuns rotinas. O universo virtual tem aproximado aqueles que estão longe e afastados aqueles que estão perto. Eis o grande fenômeno. [4]

Estamos ansiosos para pertencermos a um “mundo” que existe só no imaginário ideado pela sociedade contemporânea, que estipula os padrões de pessoas sempre lindas, felizes e glamorosas nas suas selfies e nas imagens apresentadas como a legítima vida bem-sucedida. Manifestação típica do ego carente e frágil.

O espírito precisa de experiências concretas e reais. Viver a vida tal qual ela é. Apreciar as paisagens belas e passar pelas estradas da aridez, com espírito de luta e coragem.

O consumismo tem alcançado seus fins sem nenhuma dificuldade, pois o ter esmagou o ser e passou a ser motivo de inquietações e frustrações, depressões e desilusões. Raros são os que almejam a paz de consciência através da vida simples.

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Uma rede social apinhada de seguidores, compartilhada  e curtida diversas vezes  é símbolo de popularidade, amizade e felicidade. A felicidade promovida por exibição e visualizações de imagens não garante a plenitude desse estado, visto que essa “felicidade” é químico-física , irreal e  fugaz.

Há neurotransmissores do cérebro, substâncias químicas naturais em nossos corpos geralmente definidas como o “hormônios da felicidade” como por exemplo a endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina que são liberadas ao estabelecermos euforias em contatos com determinadas ideações ou comportamentos.

Assistir a um bom filme, dançar, cantar e trabalhar em equipe também são atividades que melhoram, com maior produção de endorfinas, a união social e tolerância à dor e a intranquilidade.

Encontramo-nos em risco de depressão pois não mais nos sentimos importantes e pertencentes a um grupo real de amigos e o sentimento de solidão bloqueia a produção desses hormônios. A depressão, que é um transtorno mental, afeta milhões de pessoas, se situa como elemento de incapacitação das atividades produtivas em todo o mundo, conforme consigna a Organização Mundial da Saúde. Contudo, podemos liberar os  hormônios da “felicidade” (harmonia psíquica)  com práticas de caminhadas, conversas nas rodas de amigos, assistir  aos filmes e contatos mais humanos em grau  de contiguidade.

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O que é necessário para viver bem?

Quais escolhas temos feito? Por que não nos sentimos tranquilos, felizes e integrados?

Estabelecer e planejar metas de curto, médio e longo prazo pode ser um bom caminho para encontrarmos o que é necessário para viver bem.

A interatividade humana é indispensável para a sobrevivência saudável da sociedade e dos indivíduos, até mesmo porque a exclusão do convívio nos leva a tristeza e consequentemente a morte no seu sentido profundo. Sorrir, abraçar, apertar as mãos e olhar nos olhos ainda e sempre será um ótimo exercício de fraternidade e amor.

Jesus, nesse episódio narrado por Lucas, seguia para o testemunho em Jerusalém, porém, havia a necessidade de estar entre amigos reais, daí a razão de sua passagem em Betânia e ao ser alertado  por Marta para admoestar Maria quanto a parte prática das ocupações. Neste sentido,  o Mestre mais uma vez procura, com amor, despertar o espírito distraído de Marta dizendo-lhe: Marta, Marta, inquieta-te e te agitas a respeito de muitas coisas. Porém é necessária uma. Assim Maria escolheu a boa parte, que não será tirada dela.

Tenhamos as mãos de Marta, mas o coração de Maria. Mãos que possam operar nas práticas úteis e o coração que conhece e contempla o equilíbrio entre o ter e o ser.

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Bibliografias e Notas:

[1]Lucas 10:41,42
[2]Lucas  12:26
[3]Lucas 10:41,42
[4]Disponível em WIKIPEDIA

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janem Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita – Blog do Bruno Tavares Recife/PE – Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP – Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita.

janemaiolo@bol.com.br

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui mais um excelente artigo da nossa querida amiga Jane Maiolo. Jane, vem refletir sobre o uso fútil das redes sociais nesses tempos de transição. Mas não devemos criticar, gratuitamente, a vida virtual, até porque muitos daqueles que a criticam, não saem dela, até mesmo seriam, enquanto divulgadores e expositores espíritas, totalmente desconhecidos em seus trabalhos senão fossem por elas. Muito cuidado para não sermos blasé e utilizarmos a crítica tão somente por esgrima de uma intelectualidade chã!

Mas aqui a querida Jane, diferentemente da crítica gratuita, faz um alerta carinhoso sobre o uso indiscriminado dessas ferramentas, quando muitos esquecem a vida de relação, do cheiro gostoso, do toque afetuoso e do abraço fraterno. Como diziam os antigos: VIRTUS EM MEDIUM, porque a virtude realmente está no meio!

Obrigado mais uma vez então, Jane, pelo esforço de trazer tuas reflexões tão acertadas e sinceras ao conhecimento dos nossos leitores! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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