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Tratar de religião antes do desenvolvimento da razão é correr o risco da idolatria.
(J.J. Rousseau)
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Imprimindo novo rumo às diretrizes religiosas estabelecidas até o seu tempo, Martinho Lutero investiu contra os abusos perpetrados pela casta sacerdotal sobre o povo ingênuo e ignaro, extinguindo as burras abastecidas pelo imoral tráfico das indulgências, levando de roldão as imagens remanescentes dos cultos pagãos que configuravam a idolatria.

Entretanto, na continuidade, porque a razão não estava ainda suficientemente desenvolvida, a idolatria das imagens foi substituída pela idolatria das letras. Assim, a letra continuou matando o espírito que vivifica, até pelos meados do século XIX, quando, então, surge no proscênio terrestre o Espiritismo, concretizando a promessa de Jesus sobre o advento do Consolador.

Com Kardec a fé passa a ser raciocinada com poderes para olhar, face a face, a razão em qualquer época da Humanidade.

Conforme informação dos Benfeitores Espirituais, a Doutrina Espírita tem componentes divinos e humanos.  Tais elementos estão lastreados na poeira dos séculos, e deles podemos observar fragmentos desde Sócrates até Kardec, quando então se juntam em corpo doutrinário.

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Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filho de humilde relojoeiro, nasceu em Genebra (Suíça) e viveu, a partir de 1742, em Paris, onde fervilhavam as ideias liberais que culminariam na Revolução Francesa (1789).

Rousseau surpreende os meios intelectuais desde os primeiros momentos em que se fez conhecer. Eis um de seus ensinamentos: Observai a Natureza e segui-lhe o caminho que ela vos traça. Ela exercita continuamente as crianças; endurece o seu temperamento com provas de toda espécie, e ensina-lhes, muito cedo, o que é uma dor e o que é um prazer.

Estava nascendo a pedagogia espírita e ratificada a de Jesus!…

Em plena era iluminista Rousseau chegava à conclusão de que o desenvolvimento tecnológico por si só não poderia dar plenitude ao ser humano.

Voltaire não pouparia ácidas críticas a Rousseau pelo destaque e importância que esse dava ao sentimento em detrimento da ciência e da tecnologia, e pela sua obstinada recusa do racionalismo exacerbado dos pensadores de então.

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Podemos dizer que Rousseau foi o avô educacional do professor Rivail, mais tarde Allan Kardec, que lhe herdou a visão educacional via Pestalozzi.

A educação passaria a alinhar-se com a natureza das coisas, não mais empurrada goela abaixo dos pupilos por mestres frios que adotavam uma pedagogia castradora, violenta e dissonante, mal alinhavada e, além de tudo, dogmática, onde até mesmo castigos físicos eram vezes sem conto infligidos.

Tal como o Reino dos Céus, que não mais seria conquistado pela violência, o processo educacional passaria a adotar uma ética de brandura e respeito pela individualidade do educando.  Chegara o fim da era da palmatória e do ensino magistrocêntrico.

Eis o que aprendemos[1]: (…) Rousseau cria, ao elaborar o esboço de uma pedagogia, a figura de Emílio, modelo que o ajuda a procurar aquilo que o homem é antes de ser homem. Tudo se passa nesse romance como se o homem natural fosse o ideal que se submete à regra da educação. Para não correr o risco de ser contaminado por preconceitos, Emílio é educado por um preceptor à margem do contato pernicioso da sociedade, seguindo a ordem da própria natureza, não a natureza do selvagem, mas a verdadeira natureza que responde à vocação humana.

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A educação começa pelo desenvolvi­mento das sensações dos sentimentos, pois, antes da “idade da razão” (15 anos), existe uma razão sensitiva. É preciso não abafar os instintos, os sentidos, as emoções, os senti­mentos que são anteriores ao próprio pensa­mento elaborado. A espontaneidade é valorizada e não há castigos, pois a experiência é a melhor conselheira.  Por isso Rousseau não dá valor ao conhecimento livresco transmitido, “pois quer que a criança aprenda a pensar por si própria.” (Tal a dinâmica utilizada por Jesus).

É assim que imagina Emílio chegando por si só às noções de bem e mal e às concepções morais e religiosas, pois tratar de religião antes do desenvolvimento suficiente da razão é correr o risco de idolatria.

Costuma-se dizer que Rousseau provoca uma “revolução copernicana” na educação: tal como Copérnico, que ao propor a teoria heliocêntrica inverteu o centro do sistema astronômico, a concepção pedagógica rousseauísta não é magistrocêntrica, pois não é o mestre que se encontra no Centro do processo educativo: “esse lugar é reservado à criança”.

Para ele, não se educa a criança nem para Deus, nem para a vida em sociedade, mas sim para si mesma: “Viver é o que eu desejo ensinar-lhe. Quando sair das minhas mãos, ele não será magistrado, soldado ou sacerdote; ele será, antes de tudo, um homem”.

Bom seria que a casta influenciadora dos destinos de um país passasse, antes, por uma sabatina Rousseau-Copernicana.

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Tal a proposta emancipadora do Espiritismo com sua total independência de privilegiados e de venais hierarquias sacerdotais; que oferece espaço e liberdade para que cada criatura, por si própria, busque e alcance a sua alforria espiritual sob o beneplácito do livre-arbítrio balizado pela imparcial razão investigadora.

Incorporando perfeitamente o pensamento de Rousseau, Stuart Mill, contemporâneo de Kardec, afirmou: “Cada um é o único guardião autêntico da própria saúde, tanto física, quanto mental e espiritual”.

O Espiritismo que outra coisa não é senão a revivescência do Cristianismo segue essa linha, pois é ele a alavanca que nos auxilia a desatar os potenciais que já trazemos ínsitos nas profundezas do Espírito, sem peias dogmáticas ou condicionamentos aviltantes, onde cada um imprimirá ritmo próprio na grande viagem evolutiva que é a busca do Reino de Deus na intimidade da Alma.

Portanto que cada criatura procure sua própria maturidade espiritual, sem perder de vista que, embora tendo toda a liberdade e condições favoráveis, a vida nos devolverá o que a ela dermos, bem conforme no-lo revelou o Mestre Maior[2]: “A cada um será dado de acordo com as suas obras.

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Referências:
  1. ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando – Introdução à Filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993. cap. 16.
  2. BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 16, vers. 27.

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, sempre acreditei que uma das facêtas mais importantes de todo o arcabouço espírita fosse a sua pedagogia, e que não foi a toa que sua elaboração nasceu de um pedagogo francês, o nosso querido e inesquecível Prof. Rivail, que buscou inspiração em educadores magistrais como Rousseau e Pestalozzi.

Mas mesmo aqui no Brasil, não podemos esquecer jamais figuras como: Eurípedes Barsanulfo, com seu histórico Colégio Allan Kardec; Amélia Rodrigues, Therezinha Oliveira, José Herculano Pires, Prof. Ney Lôbo e tantos e tantos outros…

O escritor Rogério Coelho nos brinda nesse artigo com uma reflexão em torno desse grande filósofo, um dos maiores do iluminismo, Jean-Jacques Rousseau, cuja obra no campo da pedagogia  foi decisiva para o Espiritismo, já que ele exerceu uma grande influência sobre Allan Kardec, e não era para menos, já que Roussau foi o “Copérnico da Pedagogia.”!

Que Jesus abençoe, então, ao querido escritor Rogério Coelho, por tão nobre, belo e importante trabalho!

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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