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A respeito da personalidade de Jesus através dos séculos, muitas teses têm sido levantadas por este ou aquele pesquisador.

Diante da multiplicidade de opiniões, queda-se o homem, muitas vezes, na encruzilhada do pensamento, sem uma autodefinição, ao mesmo tempo em que autores diversos continuam seus esforços buscando envolver quantos possam avizinhar-se de suas teses.

Tem, contudo, a Doutrina Espírita seguras informações a este respeito!

Anotemos, embora sinteticamente, três teses levantadas em torno da personalidade de Jesus.

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1a) Essênios ou Esseus – Na obra de Kardec O Evangelho segundo o Espiritismo, lançada em 1864 (1), em sua parte introdutória há interessantes considerações sobre a comunidade dos essênios, as quais enumeramos:

  • Seita judaica fundada cerca de 150 a.C.

  • Habitando os essênios uma espécie de mosteiro, formavam entre si uma como associação moral e religiosa.

  • Caracterizavam-se pelos costumes brandos e por austeras virtudes.

  • Pregavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição.

  • Aceitavam o celibato, condenavam a escravidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entregavam à agricultura.

Em decorrência de semelhante estrutura de vida muitos autores são levados a acreditar na permanência de Jesus no meio desta comunidade, onde teria aprendido muitos ensinamentos no período de seus 12 aos 30 anos.

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ESSEUS

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2a) Judas e Jesus – Em 1970 foi descoberto no deserto do Egito um manuscrito de 31 páginas em papiro, provavelmente escrito por volta de 300 d.C., em cóptico (antigo idioma egípcio), uma cópia de outro manuscrito grego anterior. Autenticado pelo exame de carbono, foi analisado e traduzido por alguns estudiosos da Bíblia.*

*Segundo estudos da National Geographic Society trata-se de um documento autêntico.

Ao contrário do que podemos ler nos Evangelhos, o documento – O Evangelho segundo Judas – insinua que este discípulo traiu Jesus a pedido do próprio Mestre, para que este pudesse cumprir sua missão de salvar a Humanidade.

O texto começa com o relato secreto da revelação do que Jesus conversara com o discípulo: “Judas, você irá superar todos eles. Você irá sacrificar o homem que me cobre”.

Observação: A mídia não informa objetivamente a que se refere o termo “eles”: aos demais discípulos de Jesus?; às autoridades constituídas na época? (Talvez na leitura completa do documento esteja a resposta.)

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JISC

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3a) O Código Da Vinci (2) – Tenho em mão a Edição Especial Ilustrada deste livro, do autor Dan Brown, o qual movimentou o meio cultural de todo o mundo. Classificado embora como obra de ficção, desperta no leitor divagações, chegando mesmo a levantar teses que passam a ser defendidas com ardor.

Para não nos alongarmos, restringiremos nossa atenção tão somente ao capítulo 58, quando defrontamos com textos que afirmam ter Jesus desposado Maria Madalena. (Este capítulo contém ilustrações referentes à Última Ceia, de autoria de Jean Fouquet, Albrecht Düret e do próprio Leonardo da Vinci, onde aparece uma mulher ao lado de Jesus.)

Estamos evitando, conforme terão percebido os leitores, comentar as três teses apresentadas, todavia, cabe-nos, a partir deste ponto, falar de forma clara e objetiva sobre o assunto, apoiados pela Doutrina Espírita.

Inicialmente, podemos afirmar que nenhuma das teses tem consistência. Elas expressam o livre- -arbítrio de seus defensores, mas esbarram na lógica e na sensatez de tudo quanto temos aprendido através de uma doutrina que afirma: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”.

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Enumeremos agora as três teses, apresentando as ponderações extraídas de respeitáveis obras da estante espírita.

Tese no 1 – Emmanuel, em A Caminho da Luz (3), dissertando sobre a formação do planeta Terra, item “O Divino Escultor”, assevera:

“Sim, Ele [Jesus] havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe […]. Operou a escultura geológica do orbe terreno […]. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra […]. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera […] edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares […]”.

Após estas considerações questionamos: com o respeito que merecia a ordem dos essênios, teria Jesus necessidade de aprender algo mais naquela comunidade? Ele que é o Divino Escultor, o Grande Organizador do planeta Terra?!

A propósito dessa hipótese, Emmanuel, na citada obra (4), afirma: “O Mestre, porém, não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde  os tempos longínquos do princípio”.

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Tese no 2 – Humberto de Campos, em Crônicas de Além-Túmulo (5) no capítulo “Judas Iscariotes”, relata seu encontro com esse discípulo de Jesus nas cercanias de Jerusalém, às margens do Cedron. Após alguém lhe ter apresentado Judas e de haver perguntado a este se era “verdade tudo quanto reza o Novo Testamento a respeito de sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus”, responde o antigo discípulo:

“[…] Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre; porém, o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória com o desprendimento das riquezas. […] Planejei, então, uma revolta surda, como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica […]. Entregando, pois, o Mestre a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos”.

O diálogo continua emotivo e, em nenhuma parte, declara Judas ter sido procurado por Jesus para traí-lo a fim de que fossem cumpridas as Escrituras.

Anotemos que estamos diante de respeitável obra; de respeitável médium; de respeitável autor e editora (Federação Espírita Brasileira).

Como aceitar, desta forma, a tese exposta em O Evangelho segundo Judas?

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Tese no 3 – Destaquemos da obra O Consolador, 6 de Emmanuel, a pergunta 327, formulada no Centro Espírita Luiz Gonzaga, de Pedro Leopoldo (MG):

“Se todos os seres possuem a sua alma gêmea,** qual a alma gêmea de Jesus Cristo?”

**Sobre o assunto alma gêmea existe na mesma obra O consolador interessante “Nota” no final do livro, firmada por Emmanuel e pela Editora FEB.

Eis, a seguir, a resposta dada por Emmanuel:

“Não julgamos acertado trazer a figura do Cristo para condicioná-la aos meios humanos, num paralelismo injustificável, porquanto em Jesus temos de observar a finalidade sagrada dos gloriosos destinos do espírito.

Nele cessaram os processos, sendo indispensável reconhecer na sua luz as realizações que nos compete atingir”.

Cremos suficientes tais assertivas para dissuadir quantos possam ater-se aos textos da obra O Código Da Vinci, referência feita à personalidade de Jesus em relação a Maria Madalena.

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Conclusão: Como podemos perceber, através dos anos muitas têm sido as teses levantadas em torno da figura angelical de Jesus, decorrentes estas do livre-arbítrio, de cada um. Mas como afirma o Apóstolo dos Gentios, em sua Primeira Epístola aos Coríntios (6:12): “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”.

Podemos aduzir: até mesmo por inconsistentes teses!

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Referências: (1) KARDEC, Allan. O evangelho segundo o
espiritismo, 23. ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2006. “Introdução”, item “III –
Notícias Históricas”, p. 38. / (2) BROWN, Dan. O Código Da Vinci. Tradução de Celina Cavalcante Falck-Cook. Rio de Janeiro: Ed. Sextante, 2005. / (3) XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. I, item “O divino escultor”, p. 21-22. / (4) Idem, ibidem. Cap. XII, item “O Cristo e os essênios”, p. 106. / (5) XAVIER, Francisco C. Crônicas de além–túmulo. Pelo Espírito Humberto de Campos, 14. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 5, p. 41-42. / (6) O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Terceira Parte, p. 187.

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis aqui um artigo póstumo deste que, para mim, merece ser citado como o maior articulista espírita do Brasil: O Dr. Kleber Halfeld, que durante muitos anos foi o presidente de honra da Academia Juiz-Forana de Letras.

O Dr. Kleber, sempre escreveu com a incrível capacidade de unir a pesquisa espiritual ao simples e agradável, mesmo com toda a erudição que adorna sua alma de grande estudioso do aquém e, com certeza mais ainda, do além-túmulo!

Aqui ele, com seu escalpelo maravilhoso de homem de letras, demonstra cabalmente a inconsistência de três teses as quais muitos espíritas desavisados e apressados abraçam de forma inconsequente: A da convivência de Jesus com os Essênios, a da traição de Judas Iscariotes a pedido de Jesus e a do Seu suposto casamento com Maria de Magdala.

Que Jesus abençoe sempre ao querido Dr. Kleber Halfeld, na dimensão da luz de onde ele provém!

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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