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NEUROSONHO

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Poucas coisas são tão enigmáticas e misteriosas como nossos sonhos.

E ninguém resiste a tentação de os interpretar – para tirar seu encanto os neurologistas dizem que por sonharmos uma grande variedade de situações, é estatisticamente provável, que, algum deles venha a coincidir com uma ocorrência futura – isso quer dizer que os neurologistas não acreditam em sonhos premonitórios.

A Teoria psicanalítica enxergou no sonho um caminho para explorar o inconsciente e seus desejos inconfessáveis, mas foram os avanços na neurofisiologia que trouxeram argumentos sólidos para sua compreensão. Sem entrar nesses detalhes mais técnicos pretendo aqui, expor uma semiologia, possível, para se enxergar nas situações aparentemente caóticas de um sonho.

Vamos ao seu exame – o exame mental do sonho.

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1 – Memória

Os sonhos parecem correr um do outro – apesar de algumas pessoas afirmarem que nunca sonham, isso não é verdade, o que ocorre é que, logo que acordam, sofrem uma rápida amnésia do ocorrido, mas, todo mundo sonha sim.

Outras pessoas têm enorme facilidade de os ter na memória ao despertar. Mas, mesmo quando são lembrados ficam faltando certos detalhes independente de qualquer esforço que fizermos para os resgatar.

É interessante que, em certos momentos, o sonho nos trás memórias já há muito esquecidas que, aparentemente, não tem nada a ver com os acontecimentos vivenciados nesse dia.

Parece que o sonho é a gente quem faz, é quase uma leitura do rascunho daquele dia vivido com intensa emoção, sonhamos com os familiares, com pessoas próximas, com ocorrências que prenderam nossas preocupações – por isso a lembrança ao despertar é facilitada pelos cenários da véspera.

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MEMORIASONHO

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2 – Pseudomemórias

Faz parte do psiquismo humano a confabulação – criamos fatos para preencher lacunas das recordações – o enredo do sonho é preenchido com fatos que na verdade não ocorreram – mas eles unem pontos desconexos mesmo que de maneira errada, falsa – isso, também, alivia a nossa ansiedade, o cérebro não aceita pausar e reiniciar.

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3 – Atenção

Fisiologicamente, durante o sonho, criamos um bloqueio aos estímulos sensoriais. Passamos a viver num mundo mental interno, fechado, mas, sem conseguirmos controlar a nossa atenção num determinado foco. São as próprias imagens mentais que aparecem em profusão no sonho que capturam nossa atenção – na vigília, nós é quem temos essa capacidade de escolha. São os numerosos cenários que aparecem no sonho que alteram a direção da nossa atenção. Esse filme passa da distração para a atenção num instante e sem nosso controle.

Perdemos, também toda referência de tempo, espaço e grupo social ou familiar.

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4 – Funções Intelectuais

Uma curiosidade sobre nossas habilidades intelectuais aparece nos estudos sonho: a matemática e outra Ciências não aparece nos sonhos. Mesmo professores de matemática não fazem contas durante seus sonhos e o biólogo não lê os seus livros em sonho. Isso é coerente com o que já sabemos, os sonhos não têm qualquer racionalidade. Eles não são racionais, são pura emoção. Otto Loewe sonhou com uma experiência com coração de sapos que lhe permitiu descobrir a Acetilcolina, nas terminações do nervo vago, mas, o texto descritivo ele o fez bem acordado no laboratório.

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5 – Linguagem

Quando encontramos um amigo nossa tendência é manter um diálogo mais ou menos demorado. No sonho, isso não acontece, não há verbalização nos encontros oníricos.

Raramente temos lembranças de alguma verbalização em nossos encontros durante o sono. Ninguém trás recados falados na ocasião do sonho – apesar de muita anedota a respeito.

O curioso é que nossos encontros precisam de um enredo para ter significado, então criamos um discurso implícito que nós mesmos produzimos. Parece que até em sonho somos muito carentes de aceitação e compreensão.

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LINGUAO

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6 – Orientação

O que mais revela o caos no sonho é sua desorientação. As figuras conhecidas podem se deformar. As distâncias serem intermináveis ou se encurtarem num instante. O tempo se dilata de maneira penosa ou se encurta fugidio. Pode adiantar-se ou retroceder resgatando momentos aflitivos.

As pessoas podem aparecerem nítidas, depois fluidas e sofrer transformações aberrantes. Podem surgir do nada e desaparecerem num instante. Podem ser acolhedoras ou representarem grande ameaça. O espaço é surreal, os objetos aparecem em lugares improváveis, sua forma sofre distorções inimagináveis.

No contexto de um sonho, os acontecimentos podem aparecerem num enredo conectado, desordenados, mas sequencial, essa ordem de acontecimentos, porém, não se apresentariam nunca na vida real – o sonho, a mim parece ser retalhos do já vivido, sofrido, rejeitado ou desejado.

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7 – Conteúdo Mental

O conteúdo mental do sonho é predominante visual e motor. Quase nunca ocorre uma percepção auditiva, táctil ou olfatória.

Seu conteúdo mental é muito próximo de uma alucinação e delírios absurdos, o que o marca, porém, é nossa crença em sua realidade. O medo que ele provoca pode ser mais intenso que o medo real vivido quando despertos.

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8 – Percepção e Julgamento

No sonho nós perdemos a capacidade de refletir – caso contrário ele não seria diferente da vigília. Acordados nós percebemos o objeto que se aproxima ou se afasta, nos sonhos a sensação é de nós é quem estamos nos aproximando ou afastando. A consciência se mantém.

Nossos padrões de comportamento social podem ser coerentes com o esperado para aquela situação, mas, podemos ultrapassar limites e os desejos fluírem incontidos. Quase sempre não nos damos conta de estarmos consciente.

Para o neurologista, perceber que está consciente durante um sonho, é uma espécie de delírio que nos faz crer estar acordado.

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CEREB

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9 – Emoção

Nos sonhos, as emoções costumam serem sempre vibrantes…

O medo é um medo de arrepiar.

A alegria é única, inesquecível.

O choro é inesgotável.

A culpa é corrosiva.

A raiva explosiva.

A paixão fervilhante.

Esses estados emocionais não estão dissociados das demais funções cognitivas. O pensamento não está desconectado da realidade como na esquizofrenia, mesmo que essa realidade do sonho seja delirante e anárquica.

O que é o delírio no sonho?

Criamos monstros, nos sentimos em terrível perseguição, adquirimos poderes superiores.

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Lição de Casa

Passamos um terço de nossas vidas dormindo. Está na hora de aprendermos o que essa fase da vida tem a os ensinar.

Qual a sua relação com as doenças mentais?

Há intercâmbio com o mundo espiritual?

O que o futuro de uma sociedade agitada e agressiva fará no nosso padrão de sonhos?

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, eis mais um artigo maravilhoso da lavra do Dr. Nubor Orlando Facure! Um texto que, “data vênia”, você não encontra facilmente por aí e que o Dr. Nubor, com muita gentileza, passou-nos para a sua devida divulgação, como sempre o faz conosco.

Que Jesus abençoe a ti querido Dr. Nubor, por desfiares essa Ciência do Infinito, para encanto e gáudio de todos nós seus leitores! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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DEPOIMENTO DE NUBOR FACURE AO BLOG

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AS IMAGENS E VÍDEOS SÃO ESCOLHA
E RESPONSABILIDADE DE BRUNO TAVARES

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INSTABLOGNEUROLOGIA

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QUADRO DO PINTOR PERNAMBUCANO
ANTÔNIO CARLOS CASTANHA TAUA GOMES

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Francisco e Clarinha de Assis

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