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BBTSURDOS

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A inclusão das pessoas surdas nas casas espíritas é uma demanda cada vez maior no meio espírita. Afinal, levar o cristianismo redivivo para o maior número de pessoas através da divulgação do espiritismo é o que tem nos movido nesses anos todos de movimento espírita. O público e as suas particularidades são os mais diversos.

A psicopedagoga, mestra em educação, Heliane Alves de Carvalho Costa, abraçou essa frente de trabalho. Intérprete de Libras – Língua Brasileira de Sinais, consultora em educação inclusiva, ela revela nessa entrevista as diversas ações que estão sendo desenvolvidas nesse grande projeto de inclusão. Conhecendo-os, podemos também ajudar a romper barreiras.

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HelianeAlvesdeCarvalhoCosta

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Como você se envolveu com o tema e como foi desenvolvido o projeto acessibilidade das pessoas surdas à doutrina espírita? 

Em 2007, pela primeira vez, acompanhei uma pessoa surda no Grupo da Fraternidade Espírita Irmã Scheilla, em Belo Horizonte, MG, dando início ao trabalho voluntário de tradução e interpretação de Libras nas reuniões públicas, aos domingos. Nessa época, foi necessário investir na organização dessa tarefa, considerando que se tratava de um assunto desconhecido por muitos. Então, criei dois projetos concomitantemente: “Acessibilidade das pessoas surdas à doutrina espírita” e o “Projeto de inclusão e diversidade nas casas espíritas”.

Até então, não era comum que pessoas surdas frequentassem as casas espíritas, talvez pela falta de acessibilidade, considerando que esse público se comunica por meio de uma língua diferente da língua portuguesa, a Língua Brasileira de Sinais, que foi oficializada pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e regulamentada pelo Decreto nº 5626, de dezembro de 2005. Os projetos foram acolhidos pelo Grupo Espírita e, aos poucos, apareceram outras pessoas surdas e outras intérpretes voluntárias.

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LIBRAS

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Por que um dicionário específico? Por quem foi elaborado?

No trabalho, percebemos que muitos sinais em Libras que são utilizados por outros espaços religiosos não se adequavam à nossa realidade, considerando as divergências conceituais e doutrinárias. Além disso, há muitos conceitos expressos pela doutrina espírita (perispírito, consolador, Espírito de Verdade, entre outros) que não apresentam sinais em Libras equivalentes. Surgiu então o desejo de criar um grupo de pesquisa, visando qualificar e ampliar o trabalho. Organizamos um projeto de pesquisa e convidei um grupo de pessoas para participar.

No dia 3 de outubro de 2014, criamos esse grupo, denominado Estudos Surdos Espíritas (GES Espíritas), composto por pessoas surdas e por ouvintes bilíngues. Sua estrutura é formada por uma orientadora e coordenadora da pesquisa, uma equipe que compõe o colegiado, dez pesquisadores bilíngues e diversos colaboradores espíritas. Essa equipe desenvolveu estudos sistematizados sobre a doutrina espírita, criou e catalogou os sinais da Língua Brasileira de Sinais que estão identificados no Dicionário espírita em Libras (disponível em: http://www.dicionarioespiritalibras.com.br). Todo trabalho desenvolvido seguiu procedimentos metodológicos sistematizados.

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SCEESP

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Qual a importância da divulgação do Espiritismo em Libras?

A promoção de acessibilidade da pessoa surda permite que ela tenha conhecimento e informações sobre a doutrina espírita, potencializando-lhe assim a oportunidade de desenvolver a sua evolução espiritual. Se aos olhos de Deus somos todos iguais, é importante considerarmos a individualidade de cada um.

A divulgação em Libras permite essa igualdade no acesso à doutrina espírita. É importante lembrar que esse processo de inclusão não se restringe à alocação dos intérpretes de Libras nas casas espíritas. É muito mais. E é importante compreender as especificidades linguísticas, culturais, sociais, educacionais e emocionais inerentes a elas.

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SMK

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A demanda por essa divulgação é grande nas casas espíritas?

A oferta de acessibilidade para as pessoas surdas nas casas espíritas ainda é recente. São poucos surdos que conhecem a doutrina, poucas pessoas do movimento espírita estão envolvidas nesse processo e poucos intérpretes de Libras. Em Belo Horizonte, esse trabalho continua, todos os domingos no Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla, e ainda desenvolvemos várias atividades com foco na inclusão. Participamos de diversos seminários, congressos, eventos espíritas, tanto em Minas Gerais quanto em outros estados. Promovemos consultorias e realizamos diversas gravações em Libras de vídeos espíritas.

Além dos trabalhos desenvolvidos pelo GES Espíritas, há outros estados que estão realizando ações inclusivas (Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins) e também desenvolvendo estudos e criações de sinais. Nos últimos quatro anos, esses estados realizaram o Encontro Nacional de Surdos e Ouvintes Espíritas. O último encontro, o 4º ENSOE, foi sediado em Belo Horizonte, com a participação de cerca de 180 pessoas, sinalizando que há um aumento significativo de pessoas interessadas no assunto.

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ENSOE

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Como as casas espíritas podem atuar nesse sentido?

Primeiramente é importante investir na formação e informação sobre o assunto. Buscar parcerias com outras casas para desenvolver trabalhos de oficinas de Libras, divulgar a importância da acessibilidade comunicacional e, caso haja o acolhimento de uma pessoa surda na casa, é importante oferecer o intérprete de Libras.

Quais resultados já foram alcançados com esse trabalho na sua casa espírita?

Já alcançamos bons resultados, depois de onze anos de promoção de acessibilidade e inclusão, no Grupo Irmã Scheilla. Realizamos traduções e interpretações das reuniões públicas aos domingos, sem interrupção e, com isso, aumentamos o público de pessoas surdas que participam. Aguçamos a curiosidade e o desejo de muitos aprenderem a Língua Brasileira de Sinais. Já realizamos oficinas de Libras para sete turmas. Atualmente é possível prestigiar a relação fraternal entre surdos e ouvintes que conversam no ambiente da casa espírita. Estamos oferecendo agora o 2o módulo do Ciclo de Estudos Espíritas em uma turma inclusiva (surdos e ouvintes), tendo a presença de intérprete de Libras. Realizamos também consultorias para outras casas espíritas, gravações de vídeos com janela de Libras (espaço delimitado no vídeo que mostra a imagem do intérprete realizando a tradução e interpretação).

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ESPL

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Legalmente, a casa espírita, em uma palestra, deveria ter um intérprete para atender a esses interessados?

Sim. Há vários aportes legais que determinam o direito de acessibilidade comunicacional às pessoas surdas. Os mais recentes são o Decreto nº 5.626, de dezembro de 2005 que regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000 e a Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146, de 06 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

Mas há outra lei, que é a mais importante de todas. Trata-se da única lei capaz de transformar a sociedade. É a lei do Amor!

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Correeio News (Agosto de 2019) 

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HCCA

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brunooyellowMeus queridos amigos e irmãos, trago aqui essa entrevista assaz importante da querida psicopedagoga e mestra em educação, Heliane Alves de Carvalho Costa.

Interprete de Libras – Língua Brasileira de Sinais, consultora em educação inclusiva, ela vem ajudar, com suas reflexões e vivências, o movimento espírita, para que possa despertá-lo para a necessidade da inclusão das pessoas surdas como parte ativa em todos os quadros possíveis da atividade espírita. 

Que Jesus abençoe a todos os surdos, porque depois dessa vida voltarão a escutar, mas que, desde já, podem compreender, amar e dar sua parcela de colaboração ao nosso maravilhoso ideal espiritista! 

Que Jesus abençoe a todos nós!

Bruno Tavares

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E RESPONSABILIDADE DE BRUNO TAVARES

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